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Carlão hoje no NOS Alive: “Já não me estrago nem um décimo do que me estragava”

Carlão atua no Palco Heineken às 20h30. Recorde aqui a entrevista que a BLITZ fez com o músico português, no ano passado

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Depois da implosão dos Da Weasel, sentiu a necessidade de revisitar várias peles. Em 2015, celebrou os 40 anos com um disco cujo impacto tem marcado o verão: o dele e o nosso. Pai recentemente, falou com a BLITZ sobre a vida nova com a franqueza do costume.

Encontramos Carlão num jardim de Lisboa, numa tarde fresca de final de verão.

Os concertos que lhe têm ocupado os últimos meses começam por ser uma das âncoras da conversa, despreocupada mas reveladora, com o eterno «puto» que o país descobriu como Pacman, figura de proa dos Da Weasel, e que hoje atravessa um novo pico de popularidade graças ao êxito de Quarenta.

Catapultado pelo single «Os Tais», o primeiro álbum a solo de Carlão como tal - sem banda, sem algodão, sem máscaras -está a apresentá-lo a uma nova geração de fãs e a emprestar uma motivação especial a um artista que diz agir sobretudo por intuição.

Há alguns meses dizia à BLITZ estar entusiasmado para descobrir a reação das pessoas ao seu primeiro disco a solo. Neste momento, já é seguro dizer que gostaram?
Sim, tenho um single que está a correr muito bem, e os concertos que foram marcados por causa desse single também. Esta coisa de ter um single que funciona bem, principalmente quando não é representativo do disco, é ambígua. Corri alguns riscos ao assumir «Os Tais» como single. Mas tem corrido bem, mesmo naqueles concertos fora dos festivais, no Portugal real, de festas de concelhias, onde estão muitas famílias para ver «Os Tais». Como o álbum é uma edição de autor, costumamos levar os CDs. Vendemos sempre algumas cópias e as pessoas ficam a conhecer o resto do disco e gostam. Tem sido fixe, sinto-me muito contente.

«Os Tais» é um êxito transversal e também apela muito ao público infantil - porque será?
Eu fiz aquela canção para os pais. Senti que não era só eu que estava a passar por isto tinha uma série de amigos que, não aos 25 anos, como seria normal, mas mais entre os 30 e os 40 anos, estavam a ter filhos. E senti que estava a falar de mim, uma coisa muito pessoal, mas para os meus amigos, também, e era a essas pessoas que a música se destinava. Mas os putos apanharam-na, não sei se por causa do «ah ya» [parte da letra que Carlão foi buscar a uma frase comum no infantário da filha] mas acho que não, porque muitas vezes até pensam que é «ya ya». Não deixa de ser estranho, mesmo quando cantei na [Rádio] Comercial, ter os putos [que o acompanharam] a cantar «a minha ponta até faz trança», que não sabem o que é. (risos) Não é sórdido, mas é caricato. Para mim é fixe, só não é fixe quando alguns pais possam ir a um concerto por causa dessa música e levam ali com asneirada forte, que é a realidade do disco não só mas também e podem sentir-se ofendidos.

Já há crianças de 7 ou 8 anos que veem um vídeo teu e dizem: olha o Carlão, ao passo que para os pais é o Pacman...
Isso é porreiro! Por muita consciência que tenha da importância dos Da Weasel, é muito fixe ter pessoal que me trata por Carlão e quase nem faz ideia de quem era o Pacman. Para mim, livra-me de um estigma um estigma bom, que é a marca dos Da Weasel. Até ao final da vida vou levar com o «volta, Da Weasel», por parte de muita gente mesmo, e se é bom porque te sentes acarinhado, cansa-te um bocado, porque já estás a fazer outras coisas. É bom ter rejuvenescido e ter outras pessoas a seguirem-me. Nem tem só a ver com a idade, mas com serem outras pessoas.

Esses pedidos para os Da Weasel voltarem têm algo em comum com o fenómeno que conduziu ao «regresso» dos Ornatos Violeta...
Ornatos é diferente, porque o fim [da banda] foi prematuro. Dois discos, e tinha tudo para correr muito bem ou não, nunca saberemos! Mas foi mesmo muito rápido, então é normal que haja esta [insistência] com eles. Connosco acho que já não foi assim tão grave. Há muito pessoal que nunca chegou a ver Da Weasel ao vivo, o que também terá acontecido com Ornatos, e as coisas quando as conheces fora do seu tempo ganham uma mística muito mais forte, fica ali um romance à volta da banda!

De volta ao Quarenta, cujo ecletismo tem sido tão louvado como criticado: quis gravar canções distintas entre si, ou isso foi fruto dos vários colaboradores do disco?
As duas coisas. Embora não quisesse que fosse um disco completamente esquizofrénico, gostava que espelhasse os meus gostos. E não ia ser uma coisa de spoken word ou cantada, mas de rima. Mesmo quando era um fã mais acérrimo de hip-hop, nos anos 90, o que fazia com os Da Weasel não era hip-hop puro e duro. Nunca foi. Até em 5-30 [banda com Sam The Kid, Regula e Fred Ferreira] havia coisas diferentes. Não sei se é por defeito, mas canso-me facilmente dos géneros, pelo que não quis um disco sempre no mesmo registo. Sabia que o álbum devia representar a minha maneira de estar. O que é que eu fiz: tinha trabalhado com o Fred em 5-30, e ele e o King Kong acabaram por assegurar quase metade do disco. Depois de ter esses cinco ou seus temas, colaborações com as quais estava confortável, porque tínhamos trabalhado há pouco tempo e estávamos em sintonia, disse: «agora vamos abrir». E atirei-me para fora de pé. Quando falei com o Branko [autor do beat de «Os Tais»], nem sabia o que vinha ali, mas sabia que era algo que eu provavelmente nunca teria feito. E era isso que eu queria, porque o João tem sempre vontade de arriscar muito e andar atrás das tendências, mas com uma visão muito acutilante. Ele consegue juntar essas tendências com um cunho pessoal muito forte e daí saem coisas boas. Arrisquei com ele, como arrisquei com outras pessoas a quem pedi que produzissem coisas para o disco. No meio dessa misturada toda, houve duas pessoas que conseguiram fazer que o disco não fosse uma coisa anarca as duas pessoas que fizeram a mistura e alguns elementos da produção, o Johnny e o Holly Hood, que conseguiram colar aquilo, para que se possa ouvir o disco do princípio ao fim e perceber que é de uma pessoa com gostos diferentes, mas que bate certo.

Rita Carmo

Na crítica da BLITZ a Quarenta, Rui Miguel Abreu lembra que, no documentário Lusofonia a (R)evolução, de 2006, o Carlão já dizia que o hip-hop português se devia abrir aos sons de Angola e Cabo Verde...
Estava a falar para as pessoas, mas quando o faço, regra geral, também estou a falar para mim. (risos) Eu sentia isso, porque sempre estive desligado das minhas raízes. E às vezes falava dessa necessidade quase para me forçar. E no ano passado, quando já estava a fazer este disco, fui um dos convidados do concerto de 20 anos de carreira da Sara Tavares, duas noites que ela fez no São Luiz, com a Aline Frazão, o Dino d'Santiago, que também entra no Quarenta, e o Lokua Kanza, do Congo. Estava a ouvir aquela vibe de Angola, Cabo Verde e outras Áfricas, e a sentir-me tão bem, que fiquei a pensar: isto passou-me muito ao lado! A minha cena sempre foi muito americana, depois europeia, mas nunca se virou para África. O mais fixe é que estas colaborações da Sara Tavares, mesmo o som de África do Branko, que é uma África completamente diferente, não resultaram de ir à procura. Fui à procura de uma coisa diferente, não disto em particular. Acabou por acontecer porque estava mais disponível para essa musicalidade que, do meu lado, sempre foi algo negligenciada.

Concorda que, como Branko admitiu ao Expresso, os Buraka Som Sistema vieram abrir os ouvidos portugueses para os sons de África?
Tal como os Da Weasel foram importantes para o hip-hop, precisamente por serem um produto mestiço e híbrido, e não aquela coisa pura e dura que quase metia medo às pessoas, os Buraka também cumpriram essa função, porque o kuduro deles é outro, mais próximo de nós. O seu trabalho é bom e serviu de ponte para outras sonoridades. Claro que foram importantes, e nós estamos numa fase socialmente bastante positiva, em Portugal, de maior descontração. Vejo isso nos parques e nas ruas: quando tinha 20 anos, era inconcebível ver as pessoas nos parques de Lisboa como estão hoje, na relva, na boa. As pessoas já saem. Lembro-me que, há 20 anos, era tudo muito fechado, as pessoas muito ensimesmadas, com menos toque. É natural, estivemos fechados muito tempo. Mesmo o contacto com a cultura africana também é possível, agora, porque houve uma série de complexos sociais que caíram; os tugas estão mais confortáveis com eles próprios, menos complexados e mais seguros de si. A partir do momento em que estás mais seguro de ti, ficas mais aberto. E isso nota-se.

Pai de duas filhas pequenas, já referiu que essa maior descontração se nota também na relação mais próxima que os homens tem com os filhos...
Essa relação mudou e ainda bem. Também porque a ideia de família mudou: há muitos pais separados, obrigados a terem uma relação que não tinham com os filhos, que ficavam em casa com a mãe, enquanto o pai ia trabalhar. Mas mesmo nas famílias «normais», há outra disponibilidade, outra apetência. Eu cresci numa altura em que, não negligenciando os filhos, muitas vezes até por causa deles, [o objetivo] era trabalhar para ter a casa, pagar as contas, criar os filhos e pouco mais. Hoje em dia, felizmente, já não é assim: nada é fácil, mas as pessoas querem viver as suas vidas, não é só aquela coisa do trabalhar para amealhar. E acho que isso se traduz, também, nas relações familiares. A primeira conversa decente que tive com o meu pai foi bem depois dos 30.

Também a cultura hip-hop tem, hoje em dia, uma expressão muito maior, no nosso país, do que no tempo em que os Da Weasel estavam no ativo, por exemplo...
Ainda agora ao almoço estava a ter essa conversa com o Regula. Estávamos a falar das bandas de rock and roll antigas, e eu disse: as rock stars agora são do hip-hop. O hip-hop está na rádio e é completamente mainstream, com tudo o que isso tem de bom e de mau eu acho que tem mais coisas boas do que más. Mas estamos numa altura bem diferente, então aqui em Portugal. Dantes, vestias-te à rapper e eras automaticamente bandido, [o rap] estava sempre conotado com violência e criminalidade. Hoje é mainstream, como no resto do mundo. Continua a vir muito de bairros sociais e do ghetto, mas é completamente transversal, e tens artistas que não têm nada a ver com essas culturas, a apropriarem-se ou não depende da cabeça de cada um desse tipo de música. Ao olhar para os cartazes do Sudoeste, por exemplo, pensas: agora sim, podemos falar de um boom. Não é como quisemos que fosse nos anos 90, quando as pessoas tinham muita vontade mas nenhuma experiência. Hoje sim, há um circuito.

Por falar em Sudoeste, está a saber bem o regresso aos grandes palcos, depois das experiências mais intimistas dos últimos anos?
Sim, mas se calhar daqui a um ano já estou farto, não sei. (risos) Depois dos Da Weasel, precisava de coisas diferentes. Faço sempre as coisas por intuição e necessidade, e após anos de queimas das fitas e festivais, em que aquilo que estás a fazer já se torna um produto gerido por pessoas que não tu e as coisas atingem uma dimensão em que é impossível estares a par de tudo, deixas de sentir a cena como tua. É perfeitamente normal que tenha querido voltar a uma fase quase adolescente de punk, hardcore e thrash e fazer concertos mais pequenos. Logo a seguir aos Dias de Raiva faço o Algodão, quase no polo oposto, para acalmar. Depois aparecem os 5-30, com o Sam The Kid, o Regula e o Fred a dizer: bora lá rimar! E eu: não, só rimo uma! Ou duas! Apanhei o feeling de novo e vejo-me a fazer dois ou três festivais e a sentir-me bem. Com este disco também tenho feito festivais e sinto-me bem, e enquanto estiver bem não penso muito nisso. Este ano está a correr-me realmente bem, e se calhar como a idade é outra já me defendo mais, já não faço a vida que fazia. Era bom que as coisas se mantivessem a este ritmo, mas não sei até que ponto não me canso.

Ao optar por uma edição de autor, tem mais controlo sobre as receitas dos concertos, às quais as editoras vão buscar, hoje em dia, uma fatia?
Sim, claro. Eu sempre falei muito mal das editoras, tinha a ideia de que te castravam. Mas quando fui para uma multinacional, nunca tive essa experiência. Mas claro que o lado das receitas é lixado: com Da Weasel, o dinheiro que ganhámos foi nos concertos, não nos discos. Hoje em dia não se vendem discos e as editoras estão a virar-se para os concertos. Quando fiz este disco, algumas editoras disseram-me que estavam interessadas [em lançá-lo], e eu avisei: mas não podem ir [buscar dinheiro] aos concertos. E eles: «mas isso não estamos a fazer com ninguém». Então fiz uma parceria com a Fnac, que me parece muito mais justo com os artistas. Com 5-30, por exemplo, a edição de autor ia demorar muito e lançámos pela Warner; não ponho de parte a hipótese de voltar a fazer um disco com uma editora, mas nesta altura não estava nessa.

Diz que se defende mais na estrada, hoje. Em que sentido?
Penso mais nas coisas. Nos Da Weasel, o motor era o meu irmão [João Nobre]. O motor, o cérebro, tudo. Nós fazíamos a nossa cena e curtíamos, mas quem pensava tudo era o meu irmão. E sofria muito com os stresses dos concertos. Ele era a pessoa que estava sempre por dentro de tudo, e eu seria dos que estavam mais fora. Ia tocar e curtir, mas a parte chata passava-me ao lado. Agora estou mais por dentro, mais atento, e não me estrago nem um décimo do que me estragava, o que não quer dizer que não beba uns copos. Bebo a seguir aos concertos, mas sem aquela coisa do «não vai haver amanhã». Fisicamente também já acuso muito mais o toque. Depois, é meio surreal. Tive agora uma semana e meia de férias em que as miúdas estavam no Algarve e fiz dois concertos pelo meio. E era bué da estranho estar em palco, a tocar, alta cena, e depois chegar a casa a meio da noite para dar o biberão! (risos) As coisas são geridas de outra maneira. Estrago-me, mas não me estrago tanto, porque não tenho capacidade, nem muita vontade.

O Guardian publicou um estudo sobre os efeitos das longas digressões internacionais nas depressões dos músicos...
São escalas completamente diferentes, mas percebo. E não consigo imaginar essas rock stars com tournées de um ano, tem de dar merda. Por isso é que os Metallica andavam sempre com o terapeuta! (risos) Se for só um gajo é diferente, mas numa banda, com aqueles egos todos. já não os podes ver.

Essa questão dos egos em confronto deve explicar o fracasso da maior parte dos supergrupos...
O supergrupo pode funcionar bem como coisa de um disco ou dois, pode dar um superdisco; depois é difícil. Mas eu não acredito muito em grupos nem na longevidade de grupos. Porque é difícil as pessoas reinventarem-se enquanto grupos, é mais fácil fazê-lo sozinho. Há exceções, mas é como aqueles casais que estão juntos até ao fim da vida: muitas vezes é porque é uma coisa especial e bonita, mas outras é porque é mais fácil, e tiverem que engolir sapos que os putos agora já não engolem. Com as bandas muitas vezes também é assim: é o que custa menos, o mal menor. Há chatices mas tens ali uma coisa garantida. Eu não julgo isso, mas depois é natural que, num grupo com mais de 15 anos de carreira, te comeces a cansar. Mesmo que continues a fazer bons discos, os fãs apanharam-te numa fase que foi importante para eles, e muito dificilmente a banda vai voltar a ser como naquele momento. Mesmo os fãs se começam a cansar e a banda deixa de ter significado.

As suas letras continuam a comportar crítica social. Em que medida está atento à atualidade?
Vivemos num mundo de loucos, basta ver o noticiário e eu muitas vezes desligo-me, que é uma atitude meio cobardolas, mas mais fácil. Há fases em que faço discos só a falar de mulheres e relações e emoções, noutras saem-me coisas mais viradas para a crítica. Mas é estranho, porque tenho feito concertos, como aconteceu no Sudoeste, em que me dizem: «parecia um comício!». Não sei se é só em Portugal, mas a música [esqueceu] esse lado. O que estou a dizer [em palco] nem é um discurso político muito embandeirado ou conotado com uma corrente, é uma coisa superficial não no mau sentido, mas normal, de observação social. E as pessoas vêm dizer-me: «ei, do caralho!». E outras chateiam-se, porque vivemos no tempo do politicamente correto. Mas se me dizem isso a mim, que tenho um discurso normalíssimo, a falar do BES e do BPN e de coisas que deviam ser normais, então é porque essa parte está a faltar na música. Não sou eu que a vou cumprir, porque sou muito alienado, mas como ninguém diz nada, qualquer coisinha que faças toda a gente repara. É triste, porque se sou eu que estou a fazer isso foda-se, então estamos mal! (risos)

Recentemente apresentou um novo tema, «A Minha Cena». Vem aí disco novo?
Eu precisava de um tema mais banger para o espetáculo ao vivo. O disco é fixe mas tem ali momentos mais calminhos, e era bom ter um tema com mais power. Entretanto houve o convite da Mega Hits e fi-lo lá. Entre as miúdas e os concertos não tenho tido muito tempo, mas vontade tenho sempre e quero fazer mais coisas. Ao gravar o Quarenta, tive consciência de que era preciso ter um disco, para levá-lo para a estrada. Em termos de aceitação e consumo do público, vivemos numa altura complicada: as pessoas vão apanhando temas e, por terem percebido isso ou por outra razão qualquer, os artistas já não dão tanta atenção aos álbuns. Não é como na nossa altura, em que comprávamos os discos, levávamo-los para casa e era todo um ritual. Hoje ninguém tem tempo para isso: picamos, fazemos os nossos shuffles e as nossas misturas. Se calhar estamos a voltar ao que éramos nos anos 60, com a cultura dos singles. Eu quero trabalhar, porque devo aproveitar enquanto estou com pica. Mas não tenho aquela fome de fazer um disco. Quando apresentei o disco no [Centro Comercial] Colombo, com um showcase, o disco tinha sido posto à venda há dois ou três dias, e depois fizemos uma sessão de autógrafos. E um puto que lá estava pergunta-me: «então e coisas novas?»-E eu: «mas o disco saiu há dois ou três dias!». (risos) É claro que não estás a fazer discos para esses putos: primeiro fazes para ti e depois para o público. Mas se fazes disto vida tens de pensar no público. Nesse balanço entre aquilo que tens de fazer e aquilo de que gostas, tens de pensar no que faz sentido para a tua audiência. E a verdade é que aquela coisa de discos conceptuais, discos duplos ou triplos, discos ao vivo, já passou! Nesta altura é muito a cena dos singles. Quero trabalhar mas não estou muito preocupado com a cena do álbum, se bem que acho que nunca vou conseguir fugir muito a isso. Até porque, sendo mais trabalhoso fazer um disco, também tem um gosto diferente. E às vezes, quantas mais coisas tenho para fazer, mais faço. Quando tenho poucas... fico ali a engonhar.