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Paul Banks (Interpol): "Os Nirvana são a razão que me levou a ser músico" -
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Paul Banks (Interpol): "Os Nirvana são a razão que me levou a ser músico"

Grupo de Nova Iorque toca esta noite no Campo Pequeno, em Lisboa. Recorde aqui parte da entrevista do vocalista Paul Banks à BLITZ, em que falou sobre a influência dos Nirvana e dos Cure no som dos Interpol.

Esta noite, os Interpol regressam a Portugal para um concerto no Campo Pequeno, em Lisboa.

A banda vem apresentar o mais recente disco homónimo, num concerto com primeira parte dos Surfer Blood (20h45). Os Interpol começam a tocar às 21h45. Os bilhetes custam entre 30 euros e 35 euros.

Leia abaixo parte da entrevista da BLITZ ao vocalista dos Interpol, Paul Banks, publicada na BLITZ 52.

O novo disco chama-se Interpol . É uma forma de sublinhar a identidade da banda, dar ao álbum o nome do grupo?
Essa é uma pergunta interessante. Creio que não estávamos a tentar sublinhar a nossa identidade, com este título, mas realmente acabámos por sublinhar. Decidimos dar-lhe este nome quando ainda estávamos a escrever as canções. No passado, os títulos dos nossos discos eram, de certa forma, indicadores [do seu conteúdo]. A meu ver, serviam como mensagem adicional para os ouvintes perceberem o disco. Desta vez, contudo, parece que não há quaisquer mensagens para ajudar quem quer que seja; é como se as canções falassem por si. Se disséssemos mais alguma coisa, estaríamos a dizer menos. Estaríamos a tirar-lhe significado, a diminui-lo.

Os Interpol estão a passar por uma série de mudanças. Em primeiro lugar, saíram da Capitol Records, uma grande editora pela qual lançaram o disco Our Love To Admire , e regressaram à independente Matador, na qual começaram a vossa carreira. Foi uma saída amigável?

Pareceu-nos correto sair da Capitol e voltar à Matador. Quando saímos da Matador [após o segundo álbum, Antics ], foi uma separação amigável: éramos amigos deles e continuámos sempre amigos, mesmo enquanto estivemos na Capitol. Como tal, penso que foi uma coisa natural. Divertimo-nos enquanto estivemos com a Capitol mas, de certa forma, estava na altura de voltarmos às raízes.

Também Carlos Dengler, o vosso baixista, acabou por sair da banda após as gravações deste disco. É muito complicado perderem uma peça tão importante do grupo, não só a nível musical como até visual?

Qualquer tipo de separação é sempre complicada, mas esta era uma decisão que nós já tínhamos antecipado. [Quando ele decidiu sair], não foi uma grande surpresa nem nada de muito dramático. Estou feliz por ele e desejo-lhe o melhor - acho que ele precisa mesmo de explorar outras coisas na sua vida. Infelizmente, não podes viver duas vidas ao mesmo tempo, tens de optar por um dos caminhos. Quando uma pessoa quer explorar novas avenidas, entendo que essa é uma aventura para essa pessoa e fico contente por ela, satisfeita por ela ser proativa.

Quer então dizer que Carlos Dengler vai dedicar-se a outros projetos?

Penso que ele tem outros interesses, sim.

Decidiram substituir Carlos Dengler por David Pajo. Era importante que o vosso novo baixista fosse um músico já rodado, com uma carreira autónoma?

O Dave Pajo é um ótimo músico. As partes de baixo que o Carlos escreve são muito sofisticadas; por vezes, as pessoas olham para ele como um performer icónico, mas como músico, tecnicamente, ele era loucamente bom. E é preciso um músico para perceber o que se está a passar com a música. Já fizemos alguns concertos com o David Pajo e tem sido ótimo! Ele faz grande justiça ao nosso material e os fãs parecem adorá-lo. É um grande acrescento à nossa formação ao vivo. Quanto ao Brandon [Curtis], é alguém para andar na estrada connosco, a fazer segundas vozes e tocar teclas, mas é também o vocalista de uma banda fantástica [os Secret Machines], por isso, tê-lo a tocar ao vivo connosco é formidável. Aliás, devo dizer que acho que somos uma banda bastante boa ao vivo. E estou entusiasmado por as pessoas virem aos nossos concertos.

Continuam fiéis ao figurino do fato e gravata que vos popularizou?
Não uso fato com a banda desde o primeiro disco, só mesmo gravata. Para mim, esse visual não tem a ver com o fato, mas com vestirmo-nos de maneira formal, como forma de mostrar que levamos muito a sério o que fazemos. Pessoalmente gosto de me vestir como um mendigo, mas quando vou para o palco gosto de me vestir bem.



Os Interpol apareceram na mesma altura que uma série de bandas conotadas com o "novo rock" dos anos 00: Strokes, Yeah Yeah Yeahs, Black Rebel Motorcycle Club... E passados quase dez anos após o vosso primeiro álbum, ainda estão a fazer música. Como é que isso vos faz sentir?

Sinto-me muito privilegiado. É bom passarmos de "miúdos novos" para banda que até é referenciada por outras bandas. É bom, e divertido, saber o que estamos a fazer, e sabermos que isto é a nossa vida, o nosso negócio. Gosto disso.

Tal como na altura em que os Interpol apareceram, Nova Iorque continua a ser um ninho de bandas e tendências novas...
Quando nós começámos já toda a gente ensaiava em Williamsburg [Brooklyn]. Quando aparecemos havia os Strokes, Yeah Yeah Yeahs, TV on the Radio, Liars... Os Walkmen, que são espetaculares e têm o meu baterista rock favorito [Matt Barrick]. Agora são os Grizzly Bear e essa gente toda. Talvez funcione por ciclos e seja uma coisa de 10 anos, não sei.

O vosso primeiro disco, Turn On the Bright Lights , rapidamente se tornou um dos álbuns da vida de muita gente. Não foi pressão a mais para o primeiro álbum?

Na altura do segundo disco, sim. Mas, depois disso, ficámos muito orgulhosos do que fizemos, e ao terceiro disco já não estava tão preocupado com o que os críticos iam dizer, mas tentei melhorar o que tínhamos feito. Nesse aspeto, acho que stressei muito no terceiro disco e, ao quarto, já tinha percebido como trabalhar de forma relaxada. O disco novo acabou por beneficiar disso. É um disco muito maduro, mas que parece ter sido feito sem esforço, ao mesmo tempo que é sofisticado, e avançado, para nós.

Muitos cantores de música dita "triste" queixam-se que, na verdade, são pessoas de esplêndida disposição. É o seu caso?
Não, não! Quando me conhecem é que as pessoas percebem como sou uma pessoa realmente depressiva. Por acaso, no meu caso essa ideia feita é verdade. Mas também tenho outros estados de espírito (risos).

E é quando está mais em baixo que prefere escrever música?

A depressão propriamente dita impede-te de fazeres o que quer que seja; infelizmente sei bem o que isso é, é uma condição debilitante. Se estiveres "deprimido" mas funcional, tudo bem. Mas penso que geralmente até escrevo mais quando estou bem-disposto.



Quais eram os seus cantores favoritos, quando era adolescente? Algum deles teve muita influência na forma como canta hoje?

Eu nunca quis ser o cantor: isso só aconteceu porque era o gajo que escrevia as letras. Tenho os meus cantores favoritos, mas não sei se me afetaram muito. O Perry Farrell [dos Jane's Addiction] é um dos meus "frontmen" favoritos de todos os tempos, mas não creio que tenha o que quer que seja em comum com ele, além de respeitar imenso o seu trabalho. O Bob Dylan foi uma grande influência, o Leonard Cohen, o Neil Young. Os REM são uma das bandas que eu ouvia muito e cuja influência nos Interpol consigo perceber. O mesmo acontece com o Neil Young. Mas muitos dos artistas que me influenciaram são, na minha opinião, inimitáveis. Os Nirvana são a razão que me levou a ser músico, mas o Kurt Cobain era inimitável: não podes cantar assim a menos que sejas o Kurt Cobain. O mesmo se passa com o Black Francis e o Perry Farrell: só eles conseguem cantar assim. No entanto, considero-os a minha maior influência e inspiração.

E os Cure, sobretudo em discos como Pornography ou mesmo Disintegration , não influenciaram os Interpol?
Os Cure são a banda que, nos Interpol, todos podemos dizer que nos influenciou. Quando era miúdo ouvia-os muito, o Carlos [Dengler] também. Aliás, ele retirou influência direta dessa banda, na forma como toca baixo e teclas. Para mim, o Robert Smith também é um desses exemplos: não podes fazer de Robert Smith, se não fores o Robert Smith. É uma das bandas com influência mais profunda nos Interpol, porque todos nós gostamos deles. São lendários.

No novo disco canta em castelhano, na música "The Undoing". Como teve essa ideia?

Foi a última canção em que trabalhei e acabei-a num instante, numa noite. Cantei toda a santa noite - passei-me. Mas a parte divertida deste disco é que nunca pensei duas vezes: fazia as coisas e seguia em frente. Não cantei em castelhano para ser engraçadinho; todas as partes que canto em espanhol foi porque não consegui encontrar melhor maneira de dizê-las em inglês. Às vezes, numa língua estrangeira consegues dizer coisas que não consegues na tua própria língua. Encontrei formas poéticas de dizer as coisas mais facilmente em espanhol do que em inglês.

Mas porque se sente mais distanciado do que está a dizer?

Não, tem só a ver com a língua. Em castelhano podes juntar dois infinitivos e evocar muitos mais [significados] do que em inglês. Vivi quatro anos em Espanha e um no México, por isso sou fluente em castelhano.

Dos Morangos com Açúcar a David Lynch

Aos Interpol agrada o "cinema temperamental"; em Portugal, foram banda sonora de série juvenil.

É fatal como o destino: toda a banda que lance mais do que um álbum acaba por, a certa altura do seu percurso, provocar a fúria dos próprios fãs, ao surgir associada a um produto que, no ver dos seguidores de primeira hora, não reflete a pureza ou a identidade dos seus heróis. Em Portugal, os Interpol tiveram uma música - "The Heinrich Maneuver"  - na banda sonora da série juvenil Morangos com Açúcar, uma "colisão de universos" vista com desdém pelos amantes da banda. Paul Banks comenta: "Quando [os pedidos de licença] acontecem no nosso país, conheço os programas e posso dizer "não quero aparecer aí". Nos outros mercados, só queremos expandir a nossa base de fãs, pelo que à partida teríamos aceite. Respeito que os fãs "old school" digam "não gosto disso", mas ao tempo mesmo também queremos fãs novos", confessa. "A menos que alteres a canção, a canção é a mesma, só está num sítio novo. E nós só queremos que as pessoas ouçam a nossa música, pelo que geralmente abraçamos essas oportunidades".

As referências televisivas e cinéfilas dos Interpol, no entanto, são bem distintas. O vídeo de "Lights", protagonizado por enigmáticas mulheres asiáticas, foi realizado pelo mesmo professor de cinema que assinara os telediscos de "Evil", do segundo álbum da banda, Antics . "Ele é um lunático, no melhor sentido da palavra, e disse-me: "Só consigo pensar na morte, estou obcecado por isso. Adoro a vossa canção e tenho muitas ideias para o vídeo". No fundo, é um artista que faz um trabalho complementar à nossa música: não é tanto uma promoção da nossa música, mas sim uma segunda peça de arte que podemos dar às pessoas". Escrever música para cinema é outro cenário que agrada aos Interpol, ou pelo menos a cada um dos seus membros: "Julgo que qualquer indivíduo da banda podia escrever uma banda sonora. Já nós os três entendermo-nos e ligarmo-nos a um filme seria mais complicado, mas gostávamos de tentar". Realizadores favoritos também não faltam: "Ridley Scott, David Lynch, Martin Scorsese... qualquer coisa temperamental, com algum granito!", resume Paul Banks.

 



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Notícia escrita por LP Sexta, 12 de Novembro de 2010 às 17:38
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