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Optimus Discos 2012 no Cais do Sodré, Lisboa [texto + fotos]   -

Optimus Discos 2012 no Cais do Sodré, Lisboa [texto + fotos]

Lisboetas acorreram em massa para lotar os espaços que receberam atuações arrebatadas de Miúda, Capicua, The Poppers ou Pontos Negros.

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Na noite que serviu para apresentar as apostas de 2012 da Optimus Discos, o Cais do Sodré acolheu uma verdadeira enchente. Foram muitos os que se juntaram frente às salas (porque lá dentro cabiam muitos menos) que receberam atuações tão diversas quanto as da rapper portuense Capicua (uma das grandes revelações do ano e uma das maiores surpresas da noite), os acelerados The Poppers ou a coqueluche pop do momento que dá pelo nome de Miúda.

22h05 - Um pouco antes da hora marcada, já conseguimos ouvir, ainda antes de conseguirmos autorização para entrar na Pensão Amor, as guitarras furiosas dos Poppers . A banda liderada pelo sempre comunicativo, e palavroso, Rai sua as estopinhas em palco para deixar rendidos todos os que se acotovelam para conseguir chegar mais perto do palco.

O palco é minúsculo, mas os quatro Poppers não se atrapalham e entregam-se com dedicação a temas como um "Lady, What Does It Take to Be Your Lover?" tingido de country ou o corridinho "Dogdom Blues". Entre pedidos de desculpa pelo linguajar menos polido e pedidos encarecidos de algo para beber (whisky, por que não?), Rai entrega a sua guitarra a uma fã: "Não conheço esta rapariga de lado nenhum. Juro!". Para o final ficam guardadas "Mrs. A" e "Drynamill", "a canção que nos tornou milionários" com o refrão a ganha corpo entre o público. Rápidos, intensos e eficazes.

22h53 - O caminho entre a Pensão Amor e o Lounge, depois de uma complicada saída da sala de espetáculos onde os Poppers dariam lugar a Miúda, foi feito de forma pacífica. Esperava-nos uma respeitável fila para assistir ao concerto dos leirienses Nice Weather for Ducks - o exíguo espaço do bar estava já completamente cheio, pelo que vários foram os que resolveram assistir ao concerto cá de fora, na "montra", espreitando por cima do ombro do baterista. A verdadeira amálgama de sonoridades da banda foi conquistando mais adeptos, que não se coibiram de cantar com a banda o gingão "2012".

23h0 0 - A poucos minutos de subir ao palco diminuto da Pensão Amor, Mel do Monte, a voz e a cara do projeto Miúda , cruzou-se com a BLITZ e confessou estar algo nervosa com a atuação no serão  da Optimus Discos no Cais do Sodré. O facto de, com Pedro Puppe, dos Oioai, se preparar para oferecer aos muitos presentes  uma atuação acústica, depois da eletricidade dos The Poppers, preocupava a algarvia de 24 anos, uma das grandes atrações da noite. A julgar pela reação do público às canções do EP lançado este ano pela Optimus Discos, porém, a cantora não tem razão para se afligir: a sua presença bonita e voz delicada prenderam boa parte dos espetadores (como seria de esperar num bar repleto de gente, houve uma porção da audiência que preferiu pôr a conversa em dia) e vimos fãs a cantar a letra de canções que não o êxito "Com Quem Eu Quero". "Meu Amor", uma súplica ofegante, foi um desses bons momentos. Apesar de se referir à banda que gravou o EP - e na qual militam ainda Tiago Bettencourt e Fred Ferreira - como "os" Miúda, Mel do Monte é a figura na qual todos os olhos se concentram, durante canções frágeis como "Fluxo de Flores"  ou "Onde Me Posso Esconder". Graciosa nas intervenções ("Silêncio, estamos na Pensão Amor!"), a portuguesa, filha de alemães, guardou para o fim do breve concerto o trunfo certeiro que é o seu single de apresentação. Telemóveis ao alto, gritos de excitação e letra na ponta das línguas provaram ao vivo o sucesso que "Com Quem Eu Quero" tem feito nas rádios na internet. Mel do Monte esteve à altura do momento, que fez tremer o soalho da Pensão Amor, e defendeu com galhardia a canção-achado. Já na saída de palco, alguém lhe dirigiu um piropo que não entendemos, e também aí a jovem teve resposta certeira: "Querias! Eu durmo com quem EU quero!".

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23h22 - Entramos no Europa pela porta dos fundos e ainda temos de esperar alguns minutos até ver Capicua entrar em palco. A rapper portuense mostrou em meia hora com que linhas se cose o seu hip-hop. A "Maria Capaz" debitou as rimas inspiradas, pertinentes e atentas que fazem do álbum homónimo um triunfo. Agradeceu ao público que encheu a sala (e que calor que estava) e aos produtores que lhe emprestaram os beats que servem de cama às suas composições (um grupo de luxo onde figuram Sam The Kid, Ruas, Xeg ou Nelassassin).

Quando ataca "1º Dia", momento de abertura do concerto, já nos deixámos conquistar pela pronúncia irresistivelmente do norte, mas é em "Medo do Medo", um dos pontos altos de Capicua , que nos sentimos rendidos à perspicácia da escrita da rapper. Entre a emocional "Hora Certa", a interventiva "Os Heróis", que não é sobre a geração à rasca mas "é sobre nós", e a irresistível "Judas & Dalilas" o público larga uma certa apatia para gingar ao som dos beats. Para o final fica a confessional "Casa no Campo" e o cartão-de-visita "Maria Capaz", dedicado a um público "mesmo quente". "Obrigado, Lisboa" são as últimas palavras a sair da boca de Capicua. Obrigado nós.

00h00 - "Sabes o que é mais engraçado?", perguntava uma rapariga ao amigo, no interior do bar Lounge. "É que eu nem sei o que é que vou ver!". O espírito de descoberta é de louvar, mas o tamanho liliputiano da sala e a grande afluência de "curiosos", doseados à entrada por um segurança, fizeram com que fosse complicado assistir ao concerto dos setubalenses The Doups sem tropeçar, mercê de tantos encontrões, ou cair para cima dos pedais de um dos guitarristas, a meia dúzia de centímetros dos nossos pés. Nada disto assustou os autores de Smalltown Gossip , antes pelo contrário. No T0 que era o palco do Lounge, os cinco rapazes alimentaram-se da energia nervosa e frenética dos que enchiam a sala e deram um belo espetáculo, conduzido a velocidade alucinante e a derramar adrenalina. Estávamos tão perto da banda que, por entre uma massa de som potente, conseguíamos ler as letras das canções nos lábios dos músicos - "I'm free but I still miss you" era, cremos, a da primeira - mas mesmo que estivéssemos longe não nos passariam ao lado a vontade com que os The Doups se entregam a um rock veloz, por vezes com toques psicadélicos, nem a grande entrega do vocalista João Rodrigues, caracóis em desalinho e corpo ligado à corrente, numa saudável postura de provocação que deixou o Lounge a suar ainda mais.

01h00 - O Europa não é o melhor local para ver concertos, razão pela qual só ouvimos parte do concorrido concerto de Chullage , sem nunca conseguirmos vislumbrar o rapper em palco. Ao lado, no Musicbox, entraram com tudo: " As tuas mãos não terão mais sangue ", tirada da canção "Triunfo dos Porcos", foi o rastilho de uma atuação curta, como todas as desta noite, mas cheia de sangue na guelra. Entusiasmados com a recente passagem pelos estúdios de Abbey Road, onde gravaram um disco para a Optimus Discos, Os Pontos Negros cantaram com alegria e fervor letras como " Os tempos estão a chegar ao fim " ou " Eu ando em caminhos-de-ferro, que bonito é não ter de parar ", perante uma plateia excitada e recetiva. A noite já ia avançada, os ânimos também e, lá fora, as ruas do Cais do Sodré continuavam ao rubro, graças a um mar de gente aparentemente pouco preocupada com a hora de recolher.


Textos de Lia Pereira e Mário Rui Vieira
Fotos de Rita Carmo/Espanta Espíritos

Notícia escrita por LP hoje às 3:09
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