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Optimus Alive'12: reportagem do 1º dia (13/7), com Stone Roses, Justice e Snow Patrol [texto + fotos] -
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Optimus Alive'12: reportagem do 1º dia (13/7), com Stone Roses, Justice e Snow Patrol [texto + fotos]

Stone Roses foram a desilusão da noite. Buraka Som Sistema e LMFAO campeões de público no palco secundário. Justice e Santigold com atuações consistentes. 45 mil pessoas em Algés (números da organização).

O Optimus Alive'12 começa hoje no Passeio Marítimo de Algés, com os Stone Roses, Justice e Snow Patrol como protagonistas do palco principal e Buraka Som Sistema, Santigold e LMFAO a subir ao palco alternativo. Acompanhe aqui a reportagem BLITZ.

13 de julho
Palco Optimus

Justice [01h30]
Stone Roses [23h10]
Snow Patrol [21h10]
Refused [19h40]
Danko Jones [18h30]

Palco Heineken
Death in Vegas [03h00]
Zola Jesus [01h45]
Buraka Som Sistema [00h20]
Santigold [23h00]
LMFAO [21h40]
Miuda [20h20]
Dum Dum Girls [19h05]
The Parkinsons [17h55]
Banda vencedora concurso CM Oeiras [17h00]

Palco Optimus Clubbing
Brodinski [02h30]
Planningtorock [01h40]
Miss Kittin [00h05]
Busy P [22h50]
Gesaffelstein [21h50]
Club Cheval [20h30]
Logo [19h30]
Aeroplane [18h00]
Rory Phillips [17h00]


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19h01 - Coube aos canadianos Danko Jones abrir, neste primeiro dia de Optimus Alive'12, as hostilidades no palco principal. O vocalista, Danko Jones, está neste momento a verbalizar o cardápio: Justice, Radiohead e LMFAO são aparentemente os seus preferidos da edição deste ano do evento de Algés.

No momento em que partem para a última canção do alinhamento, já Jones mostrou o quão comunicativo consegue ser, tendo até, no início, reclamado com os fotógrafos: "Voltem já para aqui. O espetáculo ainda agora começou", atirou para o ar.

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Já muita gente se espalha pelos diversos espaços do Passeio Marítimo de Algés, com a BLITZ a fazer o caminho até ao recinto tropeçando num ou noutro estrangeiro mais perdido, de mochila às costas. À entrada, quatro amigas espanholas, com um preservativo na mão (?) perguntavam a um segurança onde era a saída. E, com isto, podemos dizer, que já ouvimos falar mais em línguas estrangeiras que em português.

Reportagem BLITZ condicionada por dificuldades de acesso à internet recorre ao smartphone para um ponto de situação: Dum Dum Girls em crescendo depois de vários problemas técnicos. A banda californiana exclusivamente feminina apresentou a sua releitura de shoegazing e wall of sound e canções açucaradas dos dois álbuns, ênfase para Only in Dreams . Faltou a arenosa versão de "There Is a Light That Never Goes Out", dos Smiths, para esquecermos a postura algo rígida, temerosa, deste quarteto de esbeltas figuras.

Os regressados Refused recuam aos anos 90 com um hardcore enérgico, municiado por um Dennis Lyxzén, vestido de preto integral, irrequieto. Retomaremos a reportagem habitual logo que possível, mas ocorre-nos o - já sabemos - sacrilégio: para quê voltar atrás se a banda seguinte de Lyxzén se chamou The International Noise Conspiracy e, convenhamos, valia muito mais do que isto?

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22h25 - No Palco Optimus os Snow Patrol prosseguem uma atuação empenhada mas sem a chama que só canções melhores lhes poderia atribuir. Logo no início, há uma "Run" cantada em coro pelos indefectíveis. Fica no ar uma pop radiofónica, passada por um filtro Coldplay e Killers (muito piano, muitas guitarras em cascata, épicos portáteis em abundância). Dizem à plateia que querem ver os Stone Roses, mas rapidamente continuam a debitar êxitos moderados (como "Chasing Cars") que não chegam para motivar uma plateia numerosa mas que, nitidamente, espera por algo mais vivo. E os Snow Patrol, apesar de um Gary Lightbody empenhado em mostrar serviço, são música, digamos, mortiça demais para fazer jus ao nome do festival. Do outro lado do recinto, os LMFAO puxam pela criançada.

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22h58 - Se as Dum Dum Girls atraíram muita gente ao palco secundário, o projeto português Miúda não ficou atrás. O grupo de Tiago Bettencourt, Fred, Pedro Puppe e Mel do Monte foi bem recebido, com a cantora, micro-calção justo e pernas que nunca mais acabam, a seduzir a multidão com canções íntimas e açucaradas ("Enquanto", logo a abrir, com toada quase fúnebre; "Meu Amor", que pede, em jeito quase infantil, que os presentes dediquem à sua cara-metade) e o êxito "Durmo Com Quem Eu Quero", tocada no início e cantarolada por toda a gente ("Sabem cantar esta?") e repetida para encerrar em alta.

Pelo meio ficaram a batida infecciosa de "Na Cidade" e o novo e rockeiro "Chicote". E rapidamente reparamos que as inseguranças - e alguns desafinanços - de Mel do Monte foram claramente desculpados: ninguém arredou pé... Quanto mais não fosse porque a ninguém apeteceria, com certeza, apanhar com a chuvinha que chegou a cair durante o concerto.

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Os americanos LMFAO subiram ao palco Heineken logo de seguida... Foram, tal como aconteceu no Coliseu de Lisboa no início do ano, recebidos por muita criançada. E, tal como no Coliseu, só veio metade da dupla. Curiosamente, o colega de RedFoo ficou novamente retido devido a problemas com as costas (a mesma desculpa usada no concerto do Coliseu) e novamente o público se esteve perfeitamente a marimbar para isso.

A histeria total alongou-se por praticamente toda a atuação, que contou com os mesmos truques: chuvas de serpentinas, bolas de praia, zebras e palmeiras insufláveis, danças atrevidas e sexualizadas. A tenda, completamente cheia, recebeu em euforia temas como "Sorry for Party Rocking", servido logo a abrir, "I'm in Miami Bitch" - e temos uma sósia de Kesha ao nosso lado -, "Shots" (hino ao alcoolismo cantado a plenos pulmões) ou "Party Rock Anthem" e "Sexy and I Know It", sabiamente guardadas para o final. Tempo houve ainda para versões/remisturas/samples (riscar o que não interessa) de "Gettin' Over" de David Guetta e "Boom Boom Pow" dos Black Eyed Peas.

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00h56 - Fraquinho? Não, foi mesmo mauzinho. Há regressos e regressos e este, o dos Stone Roses , o da banda que lançou em 1989 um álbum fabuloso (o homónimo, descendente do melhor rock dos anos 60 britânicos cruzados com a batida contemporânea) e esperou cinco anos para parir um rato ( Second Coming , o álbum que vale apenas por "Love Spreads", rockalhada que sobrevive até 2012) é penoso. Ok, já sabíamos que Ian Brown desafina desde que subiu a um palco (e, no ano passado, tivemos a confirmação nas imediações da Aldeia do Meco). Ok, também sabemos que uma banda que regressa para fazer negócio (intenção não disfarçada desde que o "comunicado" chegou aos ouvidos do povo) deixa o fã extremoso, sentimental, num dilema dos grandes.

Podia resultar. Podia ser um daqueles casos de "vou ganhar o meu, mas ninguém há-de sair daqui a dizer que fez mau negócio". Engano, ilusão, perdão, desilusão. Stone Roses em 2012 foi mesmo mau negócio, desde o momento em que Ian Brown, homem-macaco de fato de treino, desconfiado do próprio microfone e com uma camisola extra (com as cores da Etiópia) presa ao ventre, recebeu os primeiros aplausos do povo não tão numeroso como poderíamos, crentes na longínqua febre de Madchester, fazer crer.

Nem o público do Optimus Alive'12 parece saber quem são (isto é, foram) os Stone Roses, nem os Stone Roses parecem querer acreditar que dar um concerto fora do seu país - onde são "deuses" - reúna uma multidão tão passiva, desinteressada, aparentemente de passagem.

Olhando para o alinhamento de um razoavelmente longo (estatuto de cabeça de cartaz oblige) concerto, estaríamos tentados a dizer que se fez história, que "Made of Stone" foi brilhante, que "She Bangs The Drums" cintilou nas suas guitarras "jangly", na sua pureza primeva que tanto fez pelos poluídos (mas ingénuos) finais dos anos 80. Ou que "I Am The Resurrection" foi entoada convictamente por banda e público, num uníssono apaziguador.

Mas não. Apetece-nos citar Malato: "tanta dor, tanta dor". Brown desafina, Squire abusa dos solos, tecnicamente imperiais, como quem tenta comunicar uma só coisa: "este tipo que canta na minha banda é um desastre mas eu preciso de um vocalista e o Liam Gallagher é capaz de não ir na cantiga". Mani, que tem vida feita nos Primal Scream, assiste passivo a tamanha confusão: está vestido à Sgt. Pepper, tem a cabeça no lugar. Que ganhar o seu, agradecer no fim, beber uns copos com Bobby Gillespie no fim de semana a seguir. Uma tímida, dorida, sofrida nota para "Waterfall", a canção com o que o aniversariante (e fã de Stone Roses, valha-nos Deus) autor destas linhas acordou hoje de manhã: Brown não desafinou, Squire não exagerou, o escriba quase lacrimejou. Suspire-se.

01h35 - Chegamos ao concerto de Santigold quando esta acaba de se atirar a "The Keepers", aparentemente discreto novo single que cresce a cada audição. Ao vivo, o tema resulta, mas a verdade é que a tenda do palco secundário tem bem menos gente que aquela que esteve a assistir à atuação dos enérgicos LMFAO. Santi White, desde a última vez que a vimos, parece-nos mais contida, mais crescida, mas igualmente interessante.

Chegamos também a tempo de ver a artista norte-americana convidar "os melhores dançarinos" da plateia para se juntarem a ela em palco. "Nada de fotografias, vocês vão dançar" avisa, antes de partir para o fervilhante "Creator", do álbum de estreia. Mas White rapidamente regressa ao presente, ao intrigante Master of My Make-Believe , e segue viagem com "Freak Like Me" e "Fame"."Só temos mais uma para vocês e é muito especial tocá-la esta noite porque a fizémos com os Buraka Som Sistema", diz a artista antes de atacar "Big Mouth" e a sua percussão endiabrada. Ficou também a promessa: "voltamos em breve".

Pegando na deixa de Santigold, os próprios Buraka Som SIstema subiram depois ao palco para encarar com seriedade a tarefa que lhes coube de encabeçar o cartaz do palco secundário. E arrastaram uma verdadeira multidão com eles (sim, a tenda voltou a ser pequena). Nem por acaso, uma das primeiras canções que ouvimos ao chegar ao concerto dos Buraka (depois de um merecido e tardio jantar) foi precisamente "(We Stay) Up All Night", canção irmã de "Big Mouth".

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Uma das coisas que aprendemos hoje: os Buraka descobriram o poder do auto-tune. "Aqui Para Vocês" foi um dos temas infetados. Quando "Kalemba (Wegue Wegue)" irrompe das colunas, já ninguém dança a medo e quando o tema descamba em samba, a loucura está mais que instalada. Depois foi sempre a dançar: "Candonga" abusa novamente do auto-tune; "Wawaba" marca o regresso ao passado; e, depois, 20 (que nos parecem mais 50) raparigas são convidadas a subir ao palco para dançar na reta final do concerto. Os Buraka são, sem dúvida, um dos grandes vencedores desta primeira noite de Optimus Alive'12.

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03h35 - Já a noite ia avançada - e os Justice no palco principal - quando Janine Rostron, mais conhecida como Planningtorock subiu ao palco mais pequeno do Optimus Alive. Frente ao terceiro palco, a situação era algo desoladora, mas Rostron não esmoreceu e entregou-se de máscara e coração ao público que, embora em número reduzido, pareceu agradado com temas como "Living it Out" (entrecortado com uma versão de "Smells Like Teen Spirit", dos Nirvana).

Zola Jesus , no palco secundário, teve menos gente à sua frente que os Buraka ou mesmo Santigold, mas a americana soube bem aguentar o interesse dos presentes. Com os temas de Conatus , o registo mais recente, a tomarem conta de grande parte do alinhamento, foi no final, com a poderosa "Night" e "Vessel" que Zola Jesus mais aplausos recebeu.

04h00 O rock tingido de kraut dos Death In Vegas , formato banda (não karaoke) enche-nos as medidas. A veterana banda inglesa arrisca um alinhamento inteiramente instrumental e tem a seu favor uma audiência que flui do palco principal - sem música depois dos Justice - e ainda não deseja, ardentemente, voltar a casa. Há uma costela facciosa que quase nos impele a dizer que aqui está, por fim, o melhor concerto do dia. Tudo bem, quem vos escreve não dormiu nos anos do electroclash, tendência que a banda de Scorpio Rising beijou de ladeiro, à custa de canções insidiosas, vulgo comprimidos para não dormir, como "Hands Around My Throat" - autêntico condensado de psicadelismo sado-maso (em bom, se é que ainda não foi óbvio).

Antes, no palco Optimus, os Justice reproduziram (e a palavra correta será esta) o seu repertório com ânsias de fazer estrago. Entenda-se: objectivaram um alinhamento curto (mas sumarento) em benefício da dança - controlada; cronometrada, quase, dada a rapidez com que uma canção dá lugar a outra. No centro de palco, feito o sinal da cruz, os dois franceses que se deram a conhecer numa remistura de uma certa canção dos Simian (depois, deixando os instrumentos de parte, Simian Mobile Disco), atiram-se num pára-arranca a "teasrs" de canções que ora fluem para a sua correspondência, ora se dirigem para paragens distintas.

Antes de ouvirmos "D.A.N.C.E." na versão aproximada ao original, sentimos a canção a pairar entre consultas às maciças "Genesis" e "Civilization". Importa realçar que, ao contrário do que fizeram os Death In Vegas a seguir, aqui não encontramos o formato canónico de banda rock (há dois manipuladores de maquinaria; não há baixos, baterias ou guitarras), mas uma parelha de dispensadores de ritmos bojudos, graníticos, que tanto ecoam o rock como tentam a pista de dança. Para memória futura: "New Lands", "On'n'On" e as duas partes de "Phantom" estão a um palmo de fazer tremer a terra. Não imaginamos remate melhor para o primeiro dia do evento.

Texto: Luís Guerra e Mário Rui Vieira
Fotos: Rita Carmo/Espanta Espíritos

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Notícia escrita por MRV Sexta, 13 de Julho de 2012 às 18:47
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