Blitz

Uma parceria com o jornal EXPRESSO

siga-nos

Perfil

Opinião

MGMT

MGMT, uma banda um tanto ou quanto atarantada

No devir da pop, como nas filosofias da bola, manda a sensatez que os prognósticos se façam apenas no fim. Não era, contudo, difícil adivinhar que o quarto álbum dos norte-americanos MGMT seria uma barafunda

Foram-no todos os que se sucederam ao cintilante “Oracular Spectacular” (2007). Após um disco debutante em que a neo-psychedelia (Flaming Lips de batuta na mão) marejava os sovacos das pistas de dança e se empoleirava no espírito dos tempos – ‘Time to Pretend’, ‘Kids’ e ‘Electric Feel’ sujeitavam a indietronica a um tratamento de fertilidade –, o duo Andrew VanWyngarden/Benjamin Goldwasser assumiu o estatuto de garimpeiro da retroescavadora rock e firmou em “Congratulations” (2010) um festim de tropelias psych que secou as axilas dos primeiros acólitos e aplicou à sua ‘intervenção’ uma pátina vintage.

Se o reenquadramento estético foi corajoso (‘Brian Eno’ e ‘Song for Dan Treacy’ são canções empolgantes), o negócio não foi genial: de banda nomeada para Grammys os MGMT passaram a has been em 50 minutos. Três anos depois, o álbum homónimo (“somos nós outra vez”, terão querido afirmar) posicionou-os no enclave entre o aventureirismo e a necessidade de apelo pop, mas perante a necessidade de ganhar, o grupo ficou atarantado e sucumbiu. “Little Dark Age” é o primeiro álbum dos MGMT a chegar sem o peso das expectativas, até porque o turbilhão autofágico da pop moderna já há algum tempo os reduziu a peões.

E assim os MGMT baralham e tornam a dar, agora com tiques e manias dos anos 80, entre a synth pop (‘Me and Michael’ é New Order revistos pelos M83) e a aeróbica (‘She Works Out Too Much’); a propulsão excitante (no tema-título) e o papel de parede de segunda moradia (‘Days that Got Away’); a sophisti-pop inteligente (‘When You Die’) e a soul aérea de seguidores como os Tame Impala (‘Hand it Over’). Entre a irreprimível vontade de emergir e espetar uma estaca na contemporaneidade e a costumeira tendência para a auto sabotagem.

Publicado originalmente na revista E, do Expresso, de 17 de fevereiro