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Para lá de “Havana”. Camila Cabello tem o primeiro grande álbum pop de 2018?

Disco de estreia da artista que se tornou conhecida na girls band Fifth Harmony presta homenagem às suas origens latinas

Camila Cabello
Camila
Sony Music

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Camila Cabello - Camila

Camila Cabello - Camila

É certo que, depois de “Despacito” e “Mi Gente”, as sonoridades quentes da música latina parecem estar em alta nas tabelas de singles mundiais, mas “Havana”, o primeiro grande êxito de Camila Cabello em nome próprio, provou ser um “animal diferente”, embora igualmente viciante. A artista nascida em Cuba, filha de pai mexicano e mãe cubana mas radicada nos Estados Unidos – cresceu em Miami, pois claro –, resolveu prestar homenagem às suas raízes neste álbum de estreia homónimo pontuado por ritmos sedutores e envolventes, deixando bem claro ao público menos elucidado que há mais vida na música latina atual para lá das efervescências do reggaeton-pop de Luis Fonsi e J Balvin.

A verdade é que a boa receção a “Havana”, que permanece há meses nas tabelas de singles um pouco por todo o mundo (incluindo Portugal), ajudou a ex-cantora das Fifth Harmony – girl band prefabricada por Simon Cowell em 2012 para a versão norte-americana do programa de talentos X Factor – a escancarar as portas do sucesso. O primeiro álbum em nome próprio vem agora confirmar que não foi apenas um tiro à toa: há vários pontos de interesse em Camila, mesmo que não tão certeiros ou eficientes quanto o cartão-de-visita.

Longe das interferências hip-hop de “Bad Things”, que gravou em 2016 com Machine Gun Kelly, e do dance-pop de “Crying in the Club”, single do ano passado que resolveu não integrar em Camila, a artista optou por uma abordagem mais clássica ao universo pop, sem o fogo e artifício das canções orelhudas das Fifth Harmony. “Never Be the Same”, entretanto destacado como segundo single, abre o disco em modo power ballad, sem descartar um ou outro apontamento tropical, com Cabello a refletir de forma madura (tanto quanto é permitido a uma rapariga de 20 anos) sobre um amor que se revela um vício (“just like nicotine, heroin, morphine/suddenly, I’m a fiend and you’re all I need” canta).

Depois da auspiciosa abertura, a cantora vai construindo, com o balanço certo, um disco que seduz mais quando a sua voz brilha em registo mais sóbrio (“All These Years” é simples e eficaz; “Real Friends”, balada que podia muito bem ter sido escrita por Ed Sheeran para Justin Bieber – e bem sabemos a receita infalível de sucesso que isso é), mas que não deixa de cativar em momentos mais agitados, como o assertivo “She Loves Control” (ajudinha de Skrillex aqui… sim, Skrillex), o enigmático “In the Dark” ou um redondinho “Into It” (daqueles mesmo a pedir uma remistura para as pistas de dança). Camila pode não ser um estrondo de álbum, mas traz consigo a certeza de que temos uma nova estrela pop na parada. E, mesmo sem estar carregado de colaborações e produtores de renome, prova que ela não veio para brincar em serviço.