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As “boas (?) novas” na indústria da música e um Natal muito quentinho

O mês de dezembro começou com um calor estranho na indústria da música.

David Serras Pereira

David Serras Pereira

advogado especialista na indústria da música

Apesar de a chuva e o frio já terem chegado em força ao nosso cantinho à beira mar plantado, o mês de dezembro na indústria da música começou com um calor estranho, a lembrar a nossa querida Amareleja!

Do Estados Unidos à China, passando pela Europa, esta quadra natalícia está a deixar-nos a todos ansiosos por saber que outras prendas ainda estão no sapatinho. E daquelas que, apesar de termos andado o ano todo a pedir, nem poderíamos adivinhar! Vamos a isto.

APPLE ADQUIRE SHAZAM

A Apple adquiriu a plataforma de identificação de música Shazam (nascida no Reino Unido em 1999) por valores que andaram próximos dos 400 milhões de dólares. Um grande negócio e com um grande desconto (quase de Black Friday), pois a última avaliação estimava um valor de cerca de 1 bilião pelo serviço. E merecido!

O Shazam tem cerca de 30 milhões de "cliques" por mês para serviços de streaming de música como Spotify e Apple Music. Agora acredita-se que só passe a fornecer a Apple (vamos ver que movimento terá o maior rival do Shazam, o SoundHound). Diariamente, o Shazaam conta com cerca de 400 mil downloads de músicas de lojas como o iTunes e 20 milhões de tags por dia por parte dos utilizadores.

Em termos de parcerias, destaca-se o sucesso na parceria com a Snapchat, através da qual os utilizadores desta última podem identificar músicas dentro da app, através de uma integração da tecnologia Shazaam; a parceria com a Ticketmaster para permitir aos fãs digitalizarem os seus bilhetes e acederem a conteúdo digital nos seus telefones (e aposta na evolução e implementação da tecnologia de reconhecimento visual para criar um "bilhete interativo"); ainda a parceria com a Island Records, através da qual os consumidores podem marcar uma lata de cerveja com Shazam para aceder a uma lista de reprodução Spotify projetada para complementar o beber da cerveja.

FACEBOOK LANÇA SOUND COLLECTION

Depois de meses de negociações intensas com as editoras e os publishers (para quando os CMOs?) e de muitos recrutamentos de “estrelas” da indústria e da concorrência para criar uma estratégia global de música, a rede social lança agora o seu serviço Sound Collection. Este serviço permite procurar e encontrar a musica certa para vídeos originais dos utilizadores, permitindo aos utilizadores pesquisar a coleção selecionando género, estado de espírito e duração. A rede social lançou milhares de ficheiros áudio exclusivos (as músicas vão desde puros vocais, até instrumentais, passando pelo hip-hop, pop e jazz) e efeitos sonoros que podem ser usados para vídeos carregados na rede. Todos os ficheiros são gratuitos e com as devidas autorizações para partilhar apenas no Facebook e Instagram.

YOUTUBE LANÇA RIVAL DO SPOTIFY

A “bomba” chega-nos directamente da Google, mais concretamente do YouTube. Esta semana ficámos a saber que o YouTube vai lançar um serviço de streaming próprio em 2018. O serviço vai ter o nome de Remix e os acordos com os publishers e labels já estarão alguns assinados, outros em negociação. Este serviço irá competir com o Spotify e outros rivais do mercado como a Apple Music e Amazon. Aguardemos por 2018!

SPOTIFY E TENCENT UNEM ESFORÇOS

E por falar em Spotify, e porque também esta empresa (outrora startup) sueca não deixa de nos surpreender, ficámos também esta semana a saber que anunciou, em conjunto com a Tencent Holdings Limited e a sua subsidiária Tencent Music Entertainment Group, investimentos de capital mútuos e conjuntos. A TME e o Spotify irão adquirir participações minoritárias entre si, ficando o Spotify com uma participação minoritária na TME, e tanto a Tencent quanto a TME manterão participações minoritárias no Spotify.

O Spotify opera o maior (e com mais subscritores) serviço de streaming de música do mundo e a Tencent, que possui participação maioritária na TME, opera as plataformas sociais mais populares da China e tem um histórico comprovado de investimento em empresas de tecnologia inovadoras. Basicamente, a TME é a maior empresa de serviços de música online na China, fornecendo um enorme catálogo de serviços de música digital, incluindo streaming on-demand, live streaming e karaoke. Este negócio fará crescer dois dos maiores players do mercado, numa luta com os "big" americanos que, como percebemos, neste inicio de dezembro querem reforçar cada vez mais o seu domínio do mercado.

Que outras “prendas” nos guarda este mês de dezembro?