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King Gizzard & the Lizard Wizard

A incrível banda que não sabe parar

Não considere descabido se, no tempo que despender entre a primeira palavra e o ponto final deste texto, lhe vierem dizer que os australianos King Gizzard & the Lizard Wizard têm disco novo

Não considere descabido se, no tempo que despender entre a primeira palavra e o ponto final deste texto, lhe vierem dizer que os australianos King Gizzard & The Lizard Wizard (KG&TLW) têm disco novo.

Não falamos deste jazzístico “Sketches...”, lançado no pico do inverno no hemisfério sul; a seguir ao que já é o terceiro álbum de 2017 destes fervilhantes fusionistas (lá iremos) virá o quarto - deverá chamar-se “Polygonwanaland” - e, cumprindo-se a ‘profecia’, um quinto volume encontrará acomodação pouco depois.

Quando, no início do ano, falámos com Stu Mackenzie (o mestre de obras desta ‘família numerosa’), o plano estava traçado, e, até ao momento, o que nos avançou o prolífico ‘maestro’ bate certo com o desenrolar do novelo. Resumo da matéria dada: em fevereiro surgia “Flying Microtonal Banana”, com uma sonoridade que foge aos cânones da musicalidade ocidental (os instrumentos, sobretudo a guitarra, encontraram afinações pouco próximas da ‘convenção’); em junho, cenário mitológico e acidez elevada conjugavam-se num “Murder of the Universe” deliberadamente pesado, metade homem, metade besta.

“Sketches...”, advento de agosto, é um desconcertante álbum lounge, guloseima que, maviosamente, não adoça em demasia o palato nem tropeça para o pântano muzak. Distinguir estas 13 canções compostas com a colaboração do projeto jazzy Mild High Club do mero ‘papel de parede’ retro é fácil.

Apesar da profusão de instrumentação (há vários músicos creditados como artífices de, praticamente, uma dezena de instrumentos) e do notório compromisso com uma sofisticação jazzy (é impossível não associar o título a “Sketches of Spain”, de Miles Davis), aqui repousam canções (‘You Can Be Your Sillhouette’, ‘The Spider and Me’...) que não se esgotam num subtexto de banda sonora para filme imaginário — é, porventura, o álbum mais melodioso do feérico combo desde a candura juvenil de “Paper Mâché Dream Balloon”, de 2015.

Está aqui um merecido intervalo para reabastecer.

Publicado originalmente na revista E, do Expresso, de 4 de novembro de 2017