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Viva a In(die)pendência!

As indies do mercado da música cimentam, de ano para ano, o seu caminho de verdadeira autonomia

David Serras Pereira

David Serras Pereira

advogado especialista na indústria da música

Num momento sensível, em que a palavra Independência se confronta e se confunde com a palavra autonomia, e em que todos achamos e sabemos que o futuro é incerto no campo político, não posso deixar de ter uma certeza: o mercado da música grita “In(die)pendência” e as indies cimentam, de ano para ano, o seu caminho de verdadeira autonomia.

Estas certezas confirmam-se com o relatório “WINTEL” sobre o mercado global de música, agora publicado pela WIN (órgão de comércio de música independente), e que não deixa margem para dúvidas nos números que nos oferece.

De 2015 para 2016 a participação das indies no mercado das vendas globais de música gravada aumentou novamente. Se em 2015 detinha 37,5% do mercado, em 2016 cresceram para 38,4%. Mas não ficamos por aqui. Em termos de receitas também conseguimos ver um crescimento ainda mais significativo, tendo em conta que as receitas das indies cresceram 6,9% para um valor superior a 6 biliões de dólares.

E se nos focarmos no streaming, também aqui se destacam as indies. As receitas que estas conseguiram em 2016 no mercado do streaming foram de 2,1 biliões de dólares, um aumento de 80,4%, em comparação com o aumento (significativo mas menor) de 78% do mercado global. E ainda neste mercado as indies representam cerca de 40% das receitas globais no sector, e devem continuar a crescer.

Num momento em que o total de assinantes de música (streaming) cresceu globalmente de 132,6 milhões (no final de 2016) para 162,6 milhões em junho de 2017 (um aumento de 30 milhões), e em que os principais players – Spotify, Amazon e Apple – competem numa base diária por maiores, melhores e mais variados catálogos, antevê-se um futuro muito risonho para o sector independente. Este sector tem sabido, como nenhum outro, aproveitar o digital para ganhar uma maior autonomia e fôlego para gritar a viva voz: “Viva a In(die)pendência!”.