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De Manel Cruz a Benjamim, a rentrée dos concertos também se faz em português

Ontem, na Casa Independente, os They’re Heading West realizaram duas sessões com um convidado muito especial: Manel Cruz. Hoje, Benjamim e o seu “comparsa” Barnaby Keen apresentam o belo 1986 no Musicbox. E há muito mais, nos próximos meses

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

37 sessões – é este o palmarés que os They’re Heading West, uma caricata caravana musical estacionada em Lisboa, já levam na Casa Independente. Ao longo dos últimos anos, a banda conduzida por duas cantoras e compositoras – Francisca Cortesão, aka Minta, e Mariana Ricardo – tem convidado numerosos companheiros de ofício para concertos sempre especiais, na sala do renovado Largo do Intendente. Ana Moura, Dead Combo, Samuel Úria e Capicua são alguns dos artistas que já aceitaram o repto de, com o quarteto que conta ainda com Sérgio Nascimento e João Correia, partilharem e reinventarem as suas próprias canções.

Ontem, a jornada dos They’re Heading West cruzou novos caminhos; depois de rapidamente esgotada a primeira sessão, marcada para as 19h, foi marcada uma nova oportunidade de, às 22h, assistir ao encontro da banda com um convidado que terá levado muita gente à Casa Independente pela primeira vez: Manel Cruz.

Se não me falha a memória, depois dos célebres coliseus com Ornatos há cinco anos, só por uma vez – há dois verões, no Festival Silêncio – é que o portuense desceu à capital para um concerto, na altura com a sua Estação de Serviço. A rara ocasião de voltar a vê-lo ao vivo na capital causou, assim, uma grande corrida aos bilhetes e o entusiasmo antes da segunda sessão, à qual assisti, era por demais evidente.

À semelhança do que já acontecera em Paredes de Coura, foi um Manel Cruz descontraído, brincalhão e com vontade de estar em palco que se apresentou na Casa Independente. Se no festival minhoto o concerto passou sobretudo por canções novas, a incluir num disco que deve conhecer a luz do dia em 2018, o que os fãs puderam ouvir ontem foi sobretudo uma fina seleção da colheita Foge Foge Bandido, assim como «Beija-Flor» (um inédito despojado para voz e cavaquinho) «e agora uma nova». Aos primeiros acordes de «Capitão Romance», clássico imorredouro dos Ornatos, as fundações da casa abanaram, as vozes ergueram-se em uníssono – tal como, de resto, se verificou em boa parte do concerto – e houve quem não aguentasse a emoção.

Já hoje, um antigo colega de faculdade que encontrei no concerto partilhou uma foto sua com Manel Cruz, mostrando o seu contentamento com o facto de ter acabado um «dia banal» a conversar com alguém que sente conhecer há coisa de 20 anos. Não há muitos artistas em quem reconheçamos, com esta intensidade e longevidade, uma voz amiga – e é um privilégio renovado continuar a reencontrar as suas palavras, ontem muitíssimo bem emolduradas pelos criativos arranjos engendrados com os They’re Heading West.

Se Manel Cruz regressará a Lisboa em novembro, para um concerto no Vodafone Mexefest, Francisca Cortesão e Mariana Ricardo voltam aos palcos em outubro, aos comandos da sua outra «viatura», os Minta & the Brook Trout, que no dia 12 apresentam o novo EP, Row, na ZDB, em Lisboa.

Já hoje, o também português Benjamim (ex-Walter Benjamin, Luís Nunes no cartão de cidadão) leva o belíssimo 1986, álbum gravado a meias com o inglês Barnaby Keen, ao Musicbox. É às 22h30 e a oportunidade de ouvir canções como «Terra Firme» ou «Warm Blood» não deve ser desperdiçada.

A partir de 7 de outubro, os Sean Riley and the Slowriders recuperam o seu álbum de estreia, que este ano completa dez anos, numa digressão de oito datas que leva as saudosas canções de Farewell aos Açores, Porto, Aveiro, Coimbra, Leiria, Faro, Guarda e Lisboa. E, no mesmo mês, Jorge Palma celebra 45 anos de carreira com dois concertos – no coliseu de Lisboa, a 5, e no do Porto, a 7 – acompanhado pela Orquestra Clássica do Centro, com direção artística de Rui Massena e velhos & novos clássicos no bolso.

São apenas algumas sugestões para a rentrée dos concertos que agora começa e se escreve, também, em português, com paragens obrigatórias em eventos como o Belém Art Fest ou o Iminente, em Oeiras.