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Dave Grohl

Como Dave Grohl há poucos. Temos que o estimar

“Quem já teve a felicidade de privar com ele, ou o prazer de ter sido bafejado por uma entrevista, como acontece nesta edição da BLITZ, sabe do que estou a falar. Dave é a antítese da estrela rock com tiques de prima-dona, atormentado por demónios ou embaraçado numa teia de vícios”, escreve Miguel Cadete no editorial da revista de agosto.

Pergunta para queijo: quantos bateristas lideraram um projeto depois de terem feito parte de uma das maiores bandas da história da música rock alcançando semelhante popularidade? A história de Dave Grohl, que transitou de baterista dos Nirvana para vocalista dos Foo Fighters, é por demais conhecida. A de Phil Collins também.

Mas o que vale realmente a pena sublinhar desde que os Foo Fighters editaram o seu primeiro álbum, já lá vão 19 anos, são três coisas que pouco ou nada têm a ver com a façanha de se transformar em frontman. Ou não? E a primeira é a capacidade para se ter tornado no «gajo mais porreiro do mundo da música». Quem já teve a felicidade de privar com ele, ou o prazer de ter sido bafejado por uma entrevista, como acontece nesta edição da BLITZ, sabe do que estou a falar. Dave é a antítese da estrela rock com tiques de prima-dona, de convivência insuportável, atormentado por demónios ou embaraçado numa teia de vícios. O facto de ser simpático não prova, nem deixa de confirmar, a genialidade da sua música. Mas a verdade é que há poucos assim.

BLITZ de agosto de 2017

BLITZ de agosto de 2017

Em segundo lugar, o senhor Grohl arvorou-se nestas duas últimas décadas enquanto um dos últimos bastiões da cultura rock. Junto com Josh Homme, Jack White, Alex Turner dos Arctic Monkeys e um ou outro que ainda carece de confirmação, ele é, no século XXI, um dos principais representantes de um género de música que já conheceu melhores dias. À hora a que escrevo, a Nielsen, reputada empresa de estudos de mercado, acaba de noticiar que o hip-hop ultrapassou o rock em popularidade nos Estados Unidos da América. Neste estado de coisas, Grohl também é raro (mas não moderno).

Por fim, e tal como foi dado a ver no concerto de há pouco menos de um mês no festival NOS Alive, Dave Grohl é um dos melhores entre os que estão no ativo a manipular uma multidão. Perante dezenas de milhares de espectadores, mais do que cumprir um guião predefinido, o ex-baterista aceita o contributo da turba para a moldar a seu bel-prazer com ganhos que parecem evidentes para todos os lados. Na idade do concerto pronto-a-vestir para multidões munidas de telemóveis com câmaras extraordinárias, isso também pode ser considerado um feito.

Tudo isto pode estar a muitas milhas daquilo que eram os predicados próprios do rock no começo da sua história. Ou seja, o mundo mudou – e continuará a mudar. Mas para Grohl, que lá há de ter os seus defeitos, tudo se vai conjugando de maneira a que apareça como personagem de simpatia inquestionável. Não terá a agressividade política de outros ou a criatividade musical de mais uns tantos. Mas essa é a história que enredou o rock neste século.

Editorial da BLITZ de agosto, já nas bancas.

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