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1967, pai de todas as coisas belas

Quando a BLITZ decidiu, à semelhança de outras publicações forasteiras, abraçar a publicação de uma revista dedicada a cada ano da história da música popular não havia dúvidas por onde começar. O editorial do primeiro número da revista História do Rock, por Miguel Cadete

Não creio que a melhor forma de olhar para a história da música popular seja aquela que promove uma competição entre décadas. Muito menos a que se dedica a esmiuçar a produção ano por ano ou mesmo mês a mês. Por uma simples razão: os grandes movimentos estendem-se para lá da sua dimensão temporal e contagiam, de forma assíncrona, outras geografias e outras áreas da arte. Ou seja, acredito que há excelente música – e não só – todos os anos, todos os meses, todos os dias. Até porque, como se sabe, muitas vezes só a vamos descobrir muito mais tarde.

A segunda prova por que esse ponto de vista me parece desajustado prende-se com a sua total falta de objetividade. Acredito piamente que o gosto deve ser discutido, de preferência calorosamente. Salvo honrosas exceções, essas listagens da melhor década, ou mesmo do melhor ano, resultam no privilégio oferecido ao tempo em que o eleitor era adolescente ou jovem. E tal, em quase todos os casos, não quer dizer saudade de um tempo em que tudo era melhor. Antes pelo contrário, estabelece-se que temos saudade de um tempo em que se era mais novo. Saudades de nós próprios, portanto.

Posto isto, não há como contornar a evidência de 1967 ter sido um ano extraordinário na história da música. Os discos de estreia dos Velvet Underground e dos Doors chegariam para certificar essa verdade. Mas se a essas edições inaugurais se juntarem discos de rutura produzidos pelos Beatles ou o desabrochar dos Pink Floyd, tudo o resto cai por terra. Alargando o perímetro à música ao vivo, também foi esse o ano do festival de Monterey aquele que deu o tiro de partida para o «Verão do Amor». E, por cá, foi (e continua a ser) notícia a edição do primeiro álbum de Carlos Paredes; ao mesmo tempo que o Quarteto 1111 produzia a sua obra mais icónica. O ié-ié, esse, dava passos decisivos, ainda que titubeantes. no quadro da história do rock em Portugal.

Quando a BLITZ decidiu, à semelhança de outras publicações forasteiras, abraçar a publicação de uma revista dedicada a cada ano da história da música popular não havia dúvidas por onde começar. Afinal, foi há meio século que tudo ganhou um rumo imparável até hoje. Por aqui também.

Editorial do número 1 da revista História do Rock, já nas bancas. Saiba aqui mais sobre esta edição dedicada ao ano de 1967.

História do Rock: 1967

História do Rock: 1967