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Na terra das oportunidades

Este é o tempo certo para voltar a celebrar os grandes criadores da América, quando tudo aquilo em que acreditávamos é, por estes dias, colocado à prova. O editorial da BLITZ de maio, por Miguel Cadete

A política voltou. E os campos tornaram a extremar-se. E antes que me peçam para falar só de música, vale a pena sublinhar que o estado por que atualmente passa o mundo vai, indubitavelmente, transformar o mundo da música. Não gostamos da música norte-americana por causa dos vários Presidentes dos Estados Unidos da América que já houve. Gostamos da música americana porque é, foi e – tudo indica – continuará a ser um dos mais vitais e orgânicos manifestos da liberdade de expressão. Se na música popular a influência política de uma canção é trunfo que faz parte do baralho dos grandes, na América ela é condição necessária mas também suficiente para fazer estrelas.

Podíamos olhar para o passado. De Elvis a Michael Jackson, de Madonna a Bob Dylan, de Bruce Springsteen a Beyoncé: todos os grandes da cultura popular de um país que nunca deixou de ser grande têm a política a correr-lhes nas veias. Não podia deixar de ser assim, por definição de fenómeno pop. Os mais céticos dirão que é o negócio que leva a que assim seja. No fim de contas, é igual. Porque, como já se percebeu, nada disto tem a ver com estilos de música – pode ser pop, rock, hip-hop, jazz, blues ou country. E tem ainda muito menos a ver com os gostos de cada um. É mesmo um fenómeno.

E por ser assim, este é o tempo certo para voltar a celebrar os grandes criadores da América, quando tudo aquilo em que acreditávamos é, por estes dias, colocado à prova. O mundo voltou a ser um lugar perigoso; por isso, ajuda voltar a pensar de onde viemos e, possivelmente, para onde vamos. Por isso, vale a pena tornar a apresentar aqueles que fazem, fizeram e continuarão a fazer a América grande. Falamos de Tom Waits, Beck e Kendrick Lamar. Mas também de Thurston Moore, Bob Dylan ou Father John Misty. Serão precisos mais exemplos de ontem, hoje e amanhã? Não creio.

A BLITZ passará a ter apenas dez edições de linha por ano, de acordo com uma decisão da administração da Impresa já anunciada no nosso site. Mas não será menor o número de revistas que colocaremos em banca todos os anos. Apesar de termos saltado o número de abril, publicámos um especial Guns N’ Roses por esses dias. E, ainda durante este primeiro semestre, chegará às bancas uma nova extensão de marca, História do Rock, que em cada número irá dedicar-se ao melhor que aconteceu em dado ano. O primeiro tratará exclusivamente de tudo o que se passou naquele que muitos consideram ser o ano mais importante da história da música: 1967. Fiquem atentos.

Publicado originalmente na BLITZ de maio de 2017

  • TOM WAITS NA CAPA DA BLITZ DE MAIO, JÁ NAS BANCAS

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    Na BLITZ 130, pode ler entrevistas com Tom Waits, Kendrick Lamar e Beck, bem como com Bob Dylan, Father John Misty, Future Islands, Spoon, Miguel Araújo, Thurston Moore, Dave Matthews, Deep Purple e Magnetic Fields, entre outros. CD grátis Os Anos BMG: 1990 - 1998