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A ponte para o Brasil de Momo e companhia

2017 já nos trouxe alguns discos surpreendentes. Produzido por Marcelo Camelo, Voá, do também brasileiro Momo, é um deles

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Que a ligação entre a música portuguesa e a música brasileira está de boa saúde não é novidade. No ano passado, e no espaço de poucos meses, dois dos mais reputados intérpretes nacionais – António Zambujo e Carminho – lançaram discos onde revisitam, respetivamente, o repertório de Chico Buarque e Tom Jobim. Outro gigante da música feita na outra margem do Atlântico, Cartola foi encarnado com brilhantismo em Nua, o segundo álbum de Gisela João que, com fogo e razão, tornou um pouco seu o clássico «As Rosas Não Falam». E, mesmo fora do circuito do fado ou da world music, são cada vez mais os intercâmbios entre a pop feita por cá e por lá (ainda há minutos, a propósito dos novos líderes do top Cision BLITZ, não pude deixar de reparar nos vários comentários de fãs brasileiros, no vídeo que os Amor Electro estrearam há poucos dias).

Em alguns casos, a relação entre os países irmãos vai mais longe. Nos últimos anos, Marcelo Camelo e Mallu Magalhães, dois dos nomes cimeiros da música brasileira, no que toca às gerações mais jovens, mudaram-se para Lisboa, tendo nascido por cá a sua aventura com o baterista Fred Ferreira, a Banda do Mar. Quem também fez de Portugal o seu ninho foi Marcelo Frota – mais conhecido como Momo, o cantor e compositor de Minas Gerais já correu mundo, passando a infância em Angola e a adolescência nos Estados Unidos. Depois de uma temporada em Espanha, os últimos tempos do músico – já elogiado por Patti Smith ou David Byrne – foram passados em Alfama, bairro de Lisboa que dá nome a um dos temas do seu novo álbum, Voá.

Produzido por Marcelo Camelo no seu estúdio de Lisboa, aquele que é já o seu quinto álbum de Momo partilha com o «padrinho» algum do doce escapismo e da carinhosa atenção dada às melodias e aos arranjos. Mas a sua voz é algo mais telúrica do que a do carioca, vestindo na perfeição as canções delicadas, como «Pensando Nele» (com letra de Thiago Camelo, irmão de Marcelo) e «Nanã»», ou os bálsamos tropicais de «Meu Menino» e «Mimo». Na escrita desta letra, Momo contou com a participação de Rita Redshoes, e a colaboração com a «nossa» prata da casa não ficou por aqui: em «Alfama», Camané irrompe de surpresa, «contaminando» a canção com a elegância a que nos habituou (fazendo-nos pensar que a contenção do fadista nas suas aparições mediáticas torna cada uma delas ainda mais preciosa).

Outro dos grandes momentos de Voá, um disco onde até a capa, em tons de aguarela, cheira a sol e poesia, é «Roseiras», cujo lirismo intenso não passa despercebido. O disco sai em fevereiro e dará origem a vários concertos por Portugal (Loulé, Ílhavo, Évora, Ponte de Lima e Gouveia são algumas das localidades contempladas).

2017 pode começar a ser saboreado por aqui:

Voá, quinto disco de Momo, sai a 10 de fevereiro

Voá, quinto disco de Momo, sai a 10 de fevereiro