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Obama, não vás para o Spotify!

Na hora do adeus à Casa Branca, o Presidente cessante já tem pelo menos uma oferta de trabalho!

Já antes o escrevi: o "Yes We Can" que serviu de emblema à vitória de Barack Obama nas presidenciais americanas é um slogan hip-hop. Obama chegou ao poder no topo do "mundo livre" muito por causa de uma geração hip-hop educada num outro tipo de sonhos e dinâmicas interraciais. Não foi o hip-hop que elegeu Obama, mas deu uma enorme ajuda. E o presidente nunca esqueceu isso. Relacionou-se com grandes artistas como Jay-Z e Beyoncé, "apadrinhou" forças das novas gerações como Kendrick Lamar e Chance The Rapper e espalhou o seu amor por esta cultura em várias playlists temáticas que o levaram a, como o mesmo bom humor com que "slow jammou" as notícias ao lado de Jimmy Fallon, comentar que bem poderia ter um emprego no Spotify à sua espera no fim do mandato.

Daniel Ek, o patrão da superpotência sueca do streaming, não demorou a criar uma proposta para o quase ex-inquilino da Casa Branca e pelas redes sociais fez saber que se Obama quiser ele pode ser "o presidente das playlists". Por uma questão de coerência preferia sabê-lo à frente do Tidal, já que é uma empresa do seu amigo Jay-Z. E aí teria a oportunidade de divulgar a música de que tanto gosta em superior qualidade áudio, agora que o serviço anunciou a capacidade de os seus clientes premium poderem ouvir música com "qualidade de master".

Ou então, talvez o gigante Apple dirigido por Tim Cook pudesse ir um bocadinho mais longe e propor a Obama um espaço na Beats Radio de Dr. Dre, ali mesmo ao lado de Drake. E Obama poderia "slow jammar" as notícias de Trump, das suas incontáveis polémicas, dos disparates que devem estar para chegar mal ele aterre na Sala Oval. Sempre seria uma bem-vinda distração do caos, um ato de resistência como o que Meryl Streep protagonizou, e uma razão para continuarmos todos a acreditar que a América continua a ser um país livre onde é possível existirem vozes dissidentes. Bem melhor do que reduzir Obama à condição de presidente de todos os algoritmos do Spotify.

E de caminho, Barack poderia ir-se preparando para o papel de primeiro damo da América, ajudando Michelle a tirar Trump do caminho em 2020. Querem imaginar um "carpool karaoke" com Trump? Há uns anos, em entrevista telefónica, tentei obter dos Lady Antebellum uma reação à reeleição de Obama. O silêncio do outro lado da linha disse tudo. O "cowboy" que agora ocupa a Casa Branca, que quer fazer muros, negar o aquecimento global, diminuir as mulheres e humilhar todos os que não correspondam ao seu perfil ideal precisa de uma voz que o contrarie. De muitas vozes. E Obama poderia liderar isso ao microfone de uma rádio de impacto global. Só uma ideia...

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