Blitz

Uma parceria com o jornal EXPRESSO

siga-nos

Perfil

Opinião

Bowie 70

Vem aí mais um ano de ouro para a música portuguesa?

Na BLITZ de fevereiro, em breve nas bancas, vamos falar-lhe das novidades de peso previstas para os próximos meses, no que toca à música feita por cá

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Depois de um 2016 de exceção no que toca à colheita nacional, 2017 encerra, aos primeiros dias, a promessa da continuidade.

Tal como acontece todos os anos, elegemos, nos últimos dias do ano passado, os álbuns que considerámos melhores ou mais marcantes, dentro e fora de fronteiras. E, na seleção que fiz para o Expresso, foi com toda a honestidade – e sem qualquer favor – que acabei por colocar mais discos nacionais do que internacionais, na minha playlist ideal de 2016.

O que também já vem sendo hábito é começarmos cada ano auscultando os músicos da nossa praça sobre os planos que desenharam para os meses seguintes. E, ao preparar a BLITZ de fevereiro, nas bancas a 27 de janeiro, já ficámos na posse de informação que nos deixa otimistas quanto aos próximos tempos.

Depois de acompanharmos Legendary Tigerman nas gravações do seu novo disco no Rancho de la Luna, no deserto da Califórnia, voltámos a falar com Paulo Furtado e ficámos a saber mais sobre um disco que, contou-nos o próprio, entrará por territórios nunca dantes explorados pelo Homem-Tigre.

«As coisas que me inspiraram toda a vida e a mutação que lhes fui fazendo reencontraram-se no momento e no sítio certos. É country, folk, continua a ter muito punk, se calhar noise, e desta vez [gravámos] mais coisas que costumam acontecer ao vivo, mais espontâneas, o que também joga a nosso favor”, descreveu, deixando-nos a aguardar com expectativa a chegada do disco e também do filme que deverá antecedê-lo, How To Become Nothing.

Na mesma conversa, Paulo Furtado explicou-nos que não é por acaso que Afonso Rodrigues, o homem de Sean Riley and the Slowriders, se juntou à sua comitiva na Califórnia: depois de ultimar o sucessor de True, o músico de Coimbra ajudou o vocalista a gravar algumas canções em modo acústico e on the road, cujo destino não é ainda conhecido mas cuja existência já me deixa expectante.

E porque isto anda tudo ligado, Afonso Rodrigues é também um dos participantes em Bowie 70, o disco de homenagem a Bowie organizado por David Fonseca, com saída marcada para fevereiro; os pequenos vídeos começaram a pingar ontem na internet e parecem antecipar um projeto feito com grande esmero, tanto musical como visual. Um ponto extra para me alegrar: a presença de tantas mulheres – Márcia e Marta Ren, Ana Moura e Catarina Salinas, Rita Redshoes e Manuela Azevedo – na homenagem a um homem que soube ser tanta coisa.

E sem querer alongar-me em demasiada, há um outro português amante dos blues prestes a entrar em ação em 2017 – Frankie Chavez que, tal como Legendary Tigerman, já sentiu a necessidade de esticar a pele exclusiva de one man band – e uma outra voz de banda, a de Ana Bacalhau, dos Deolinda, a fazer as primeiras experiências para um possível caminho a solo.

Tudo razões para ficarmos atentos ao que 2017 nos trará, neste canto discreto mas inspirado da Europa mais soalheira.