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É um ritual incontornável: chega o fim do ano e sucedem-se as listas de melhores do ano. A opinião de Miguel Cadete, diretor da BLITZ

É um ritual incontornável: chega o fim do ano e sucedem-se as listas de melhores do ano publicadas não só pelas revistas de especialidade mas também pelos jornais generalistas, sites de nicho ou mesmo por quem, em nome próprio, considera um dever alertar o mundo sobre aqueles que são os seus discos preferidos do ano que se finda.

Aqui não é, também por essa razão, o lugar para discutir se o álbum ainda existe ou se já está moribundo nos meandros da indústria e da arte discográfica. Mas é, provavelmente, o sítio onde se pode dizer mais uma vez que, bem lá no fundo, as listas de melhores discos do ano são cada vez mais um embuste. Pela simples razão de que ninguém os ouviu a todos e por se ter tornado claro que a segmentação a que assistimos – de estilos, gostos, subculturas, propósitos, formatos – caminhar todos os dias para o infinito.

Posto isto, a BLITZ não se exime das suas responsabilidades e entende que tem propriedade para distinguir os discos, mas também os concertos, os filmes e os acontecimentos, que considera terem sido mais relevantes neste ano da Graça de 2016. E aqui se abre outra contradição: se sabemos que o nosso raio de ação é, essencialmente, o mercado português e se o fazemos nesta altura do ano, como pretender que estas escolhas sobrevivam para lá dos tempos, que resistam à espuma dos dias em que são produzidas?

Claro que sabemos que esse risco, mais do que presente, é inerente a estas escolhas. Mas por isso vale a pena olhar para trás e perceber que, afinal, não nos enganamos assim tanto. Atentem, pois não passámos assim tão mal nesse exame a que o tempo nos obriga: entre os portugueses mais votados nos últimos quatro anos encontram-se António Zambujo (com o álbum Quinto), a primeira vez que o cantor alentejano recebeu tal distinção entre todos os órgãos de comunicação social, o disco de estreia de Gisela João, o segundo álbum dos Capitão Fausto e, no ano passado, foi Caixa Negra, dos GNR, que mais votos recolheu. O mesmo para os discos internacionais: Arcade Fire, James Blake, Kanye West, FKA Twigs e Kendrick Lamar estão entre os eleitos.

No ano em curso, é revelado nesta edição, saíram vencedores os Capitão Fausto, que repetem a proeza de 2014, e David Bowie, que publicou o testamento Blackstar dias antes de morrer. Sem me querer repetir, não ouvimos todos os discos, sabemos do perigo inerente a escolhas a quente, mas temos a certeza de que estes são discos que mais do que encimarem as listas dos melhores de 2016, vão ficar na história. Missão cumprida.

Editorial da BLITZ de janeiro de 2017, já nas bancas

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