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Metallica! Porque voltam sempre?

Há coisas que não têm explicação. É assim no caso dos Metallica, que regressam à capa da BLITZ, como em 99 por cento das outras bandas que fizeram e fazem a história da música rock. Não é questão de género. Não é uma questão de sucesso. É uma paixão. Será?

James Hetfield tem 53 anos de idade. É vocalista dos Metallica há 35 anos. E a questão eu obviamente se coloca é «porquê?». Por que razão eles tornam a gravar discos. Porque regressam à estrada tão frequentemente. Porque acham que isso é necessário. Por eles? Pelo seu público? Por ambos? A entrevista que publicamos nesta edição com James Hetfield procura, em inúmeras ocasiões, sacar uma resposta para esta pergunta. Mas a verdade é que o mistério se adensa e nenhuma das frases mais ou menos estudadas de Hetfield consegue responder devidamente. O dinheiro, a fama, a adrenalina do palco, a união com o público, a família. Todas poderiam ajudar a solucionar o mistério mas, na realidade, nenhuma é satisfatória.

Há coisas que não têm explicação. É assim no caso dos Metallica, que regressam à capa da BLITZ, como em 99 por cento das outras bandas que fizeram e fazem a história da música rock. E, neste caso, do heavy metal.

Nem se pode dizer que esta insondável questão o que os faz correr se aplica apenas aos artistas bem sucedidos, com vendas de discos milionárias, ou carradas de visualizações no Youtube, ou muitos streamings ou digressões infindáveis por estádio à pinha.

A mesma pergunta se aplica, muito provavelmente com ainda maior propriedade, aos que nunca saborearam o êxito nem nunca cheiraram o sucesso. Porquê? E as respostas surgem vagas, ou sem sentido, ou servem numa ocasião mas já não têm qualquer significado na outra. Os Metallica, diz-se nesta entrevista, estiveram «dez ou doze verões seguidos» na Europa. Uma enormidade. E as boas notícias, para os fãs, é que muito provavelmente voltarão este ano.

Portugal não se pode queixar: eles passaram por cá inúmeras vezes, sobretudo em festivais, mas também em concertos no então Pavilhão Atlântico. Por isso têm uma legião de fãs capaz de os consagrar como reis do metal, depois de um domínio durante anos a fio, senão mesmo décadas, dos Iron Maiden. A sua vinda a Portugal, mesmo quando se levantam algumas vozes contra esse eterno retorno, é, no atual cenário das digressões mundiais, uma recompensa devida pelo aplauso que sempre receberam.

Na entrevista de James Hetfield pode não ficar claro por que razão os Metallica seguem o seu caminho. O exemplo citado de Tom Jones, um artista que pouco tem a ver com o heavy metal, é por isso muito útil. Não é questão de género. Não é uma questão de sucesso. É uma paixão. Será?

Editorial da BLITZ de dezembro de 2016, nas bancas.

  • METALLICA NA CAPA DA BLITZ DE DEZEMBRO, JÁ NAS BANCAS

    Notícias

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  • A BLITZ de dezembro deu uma playlist: de Leonard Cohen a The Weeknd

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    Um guia musical para a mais recente edição da BLITZ, que traz os Metallica à capa. Conte, claro, com os gigantes do metal, mas também com Rolling Stones, David Bowie, Jorge Palma, Noiserv, Hope Sandoval, Lancelot. E Tu? (os Capitão Fausto antes de serem Capitão Fausto), Peste & Sida (com CD grátis com a BLITZ), Leonard Cohen e The Weeknd, entre muitos outros