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Incrível Primavera

A Primavera é a estação favorita de Rui Miguel Abreu: a natureza volta a acordar, o sol afasta o frio e o mundo enche-se de música

Só os (meus) pontos altos: Annette Peacock, Aphex Twin, BadBadNotGood, The Black Angels, Death Grips, Descendents, Flying Lotus, Frank Ocean, Front 242, Gas, Grace Jones, King Sunny Adé, Royal Trux, Run The Jewels, SURVIVE, Saint Etienne, Sampha, Shellac, Skepta, Skinny Puppy, Slayer, Solange, Swans (só as entradas da letra “s” matam quase tudo...), This is Not This Heat, Van Morrison, The Zombies...

O cartaz do Primavera Sound de Barcelona foi hoje anunciado e qual cachorro de Pavlov dei por mim sem saber muito bem como a abrir a aplicação Skyscanner e a conferir voos para a capital catalã no final de maio. Mas – muito importante – há uma versão concentrada do Primavera que acontece um pouco mais perto, no Parque da Cidade do Porto, ao alcance de um par de horas no Alfa Pendular. Resta saber se o “meu” Primavera terá equivalência no que se prepara a norte.

É verdade que o ano passado os programadores da edição nacional do Primavera Sound ignoraram em boa parte o lado mais “urbano” do cartaz de Barcelona, e a esse facto acresceu o azar de programarem “apenas” Freddie Gibbs que se viu impedido de cumprir boa parte das datas da sua digressão europeia, incluindo a do Porto, por ter sido encarcerado para averiguações num suposto caso de violação (foi exonerado e seria de inteira justiça vê-lo no Parque da Cidade em 2017).

A questão que se levanta é se o Primavera do Porto se pode dar ao luxo de voltar a ignorar a presença no cartaz da sua congénere catalã de nomes representantes de uma área estética que parece até aqui andar arredada do seu ADN. Nomes como BadBadNotGood, Death Grips, Skepta, Sampha, Flying Lotus... E isto para falar apenas de uma segunda linha. Porque para nomes de primeira dimensão, como Frank Ocean ou Solange, é quase certo que considerações do âmbito financeiro serão obrigatórias: contratar Frank Ocean em 2017 será, quase de certeza, bem mais oneroso do que contratar Kendrick Lamar em 2014 e este é um festival de uma dimensão menor do que o que acontece no país vizinho.

Ainda assim, dedos cruzados deste lado: seria incrível poder ver e ouvir Frank Ocean e Solange, FlyLo e os Death Grips, Skepta, finalmente... E isto porque já dou como adquirido que (quase de certeza) poderemos contar com Annette Peacock e Van Morrison, com Grace Jones e os Descendents, talvez até com King Sunny Adé e os Front 242... Certezas que do meu lado equivalem apenas a um desejo, claro, já que nada existe ainda de confirmado pelo lado da organização portuguesa do Primavera Sound.

Será que deveria ter começado esta coluna com um “Querido Pai Natal...”?

  • Adeus, David Mancuso

    Opinião

    Rui Miguel Abreu despede-se de mais um herói, desta vez um daqueles mais obscuros, menos celebrados na esfera pop, mas não menos visionários. Vai longo este ano de perdas irreparáveis...

  • Obrigado, Sharon Jones

    Opinião

    A história do primeiro concerto de Sharon Jones em Portugal contada por uma das pessoas que o organizaram, Rui Miguel Abreu, colaborador da BLITZ

  • E depois de Trump?

    Opinião

    E depois de Barack Obama? Como vai a música espantar as nuvens cinzentas que parecem erguer-se no horizonte. Rui Miguel Abreu acredita que podem vir aí obras importantes, daquelas que as pessoas precisam para enfrentar tempestades