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O que eu mais gostei de ouvir em 2016

Sim, é um pré-balanço; ainda temos um mês e picos pela frente. Mas é o melhor remédio para me esquecer que Bowie, Prince, Cohen e mais alguns dos maiores se calaram para sempre

Os elogios aos álbuns ficam para depois. Aqui sublinham-se as canções. As que me acompanharam em tardes de sábado de sol, em domingos chuvosos, em dias felizes, em dilemas noturnos. As que me resolveram problemas - porque a música que importa, quando nos importamos com ela, resolve problemas -, as que ilustraram apetites, as que me deram vontade de ver concertos, de comprar discos, de ler mais, de descobrir mais. As que chegaram ao mundo em 2016, somando-se a todas as outras que já cá estavam e que compõem uma das mais belas conquistas que transportamos: a banda-sonora dos nossos dias neste lugar.

Escolhi a candura marota de Eleanor Friedberger, o soalheira adolescência das Hinds, o sistema nervoso dos DIIV, o infatigável espírito de missão de Robert Pollard (sozinho ou em ESP Ohio), o frenesi de Cate Le Bon, o peso dos Massive Attack com Tricky, a brisa fresca dos Quilt, a essencialidade de David Bowie, o cuidado de artesão de Kevin Morby, o fumo perigoso dos Kills, a delicadeza dos Whitney, a poeira dos Parquet Courts, a respiração dos Underworld, a vida (a vida!) de Car Seat Headrest, a suave tontura de Amber Arcades e Tuff Love, a ginga de Palehound, o sonambulismo de JC Flowers, o fluxo imparável de King Gizzard and The Lizard Wizard (e dos Thee Oh Sees, que o Spotify não leva; a propósito, se estiver farto disto, salte para a playlist em baixo), o aconchego dos Woods, o frio de Frankie Cosmos, a amizade infalível dos Teenage Fanclub, os dedos mágicos de Steve Gunn, William Tyler e Ryley Walker, a trepidação bruta dos Sleaford Mods, a loucura colorida dos Deerhoof e dos Of Montreal, os beijos de Angel Olsen, o chá à hora certa dos Divine Comedy, o amor dos Belle & Sebastian, a drogaria de Brian Jonestown Massacre, o pêndulo dos Wire, a maturidade dos Capitão Fausto, a dança de White Haus, as harmonias de You Can't Win, Charlie Brown, as viagens dos TOY, a intensidade de Norberto Lobo, as agulhas de Julie Ruin, os noventas de Beverly, a corpulência de Wovenhand, os conselhos de Samuel Úria, a fantasia de Cat's Eyes, o granito elegante dos Justice.