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O aconchego dos concertos de outono: algumas sugestões

O verão acaba a 22 de setembro e com a nova estação regressam os concertos de sala, dos quais vamos ganhando saudades durante a época dos festivais

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Ainda que o nosso clima abençoado pelos mais benignos dos deuses permita que, com alguma sorte, continuemos a ir à praia até à chegada das primeiras castanhas assadas, não há como negar: o outono está a instalar-se e com ele regressam os concertos de sala, dos quais fomos ganhando saudades durante a temporada dos festivais de verão.

Este ano, e consolidando a tendência recente, houve uma profusão de festivais; cada vez mais numerosos e ecléticos, trouxeram-nos super cabeças de cartaz (Bruce Springsteen no Rock in Rio, Radiohead e Arcade Fire no NOS Alive, Kendrick Lamar e Iggy Pop no Super Bock Super Rock, Sia no Meo Sudoeste e LCD Soundsystem no Vodafone Paredes de Coura, só para dar alguns exemplos) e também viçosas revelações, de que se poderá vir a fazer o futuro próximo da música ao vivo.

Depois de, ontem, os Eagles of Death Metal abrirem a época de outono/inverno com um concerto especial e simbólico no Coliseu de Lisboa – para saberem porquê, nada como lerem o texto do Manuel Rodrigues, ilustrado pelas fotos da Rita Carmo –, fazemos aqui uma pequena antecipação do que vamos poder ver nos próximos meses, fora da redoma expansiva e agregadora dos festivais.

A 27 de outubro, quem não conseguiu apanhar o portentoso concerto de PJ Harvey no NOS Primavera Sound poderá comprovar a grande forma da britânica no Coliseu de Lisboa. É, pelo que vimos no Porto, um espetáculo cuja mensagem densa e imaginário negro terão a ganhar com o intimismo de uma sala fechada.

Fazendo o percurso inverso, ou seja, da Grande Lisboa para o Porto, os Pixies, que em julho estiveram no NOS Alive, levam o novo álbum – sobre o qual poderá saber tudo numa entrevista a Black Francis e à nova recruta, a baixista Paz Lenchantin, na próxima BLITZ – ao Coliseu do Porto. É a 21 de novembro, na carismática sala da rua Passos Manuel.

Useiros e vezeiros nos nossos palcos, mas com o ótimo The Waiting Room na bagagem, os Tindersticks, que este verão estiveram no regressado festival Vilar de Mouros, apresentam grandes canções como «Help Yourself» no Tivoli, em Lisboa, a 26 de outubro, e na Casa da Música, no Porto, a 17.

Para ver Yann Tiersen, a procura foi tão intensa que a promotora anunciou uma segunda atuação para o mesmo dia, mas horas mais cedo: o francês saciará a fome do público português a 8 de outubro, no Coliseu de Lisboa, em formato matiné e, depois, soirée.

E por falar em saciar, os Cure prometem presentear os fãs com um alinhamento tipicamente generoso; a avaliar por concertos recentes, quem a 22 de novembro for à Meo Arena, em Lisboa, não deve esperar de Robert Smith y sus muchachos menos de três horas de concerto e 30 e tal canções, dos êxitos mais incontornáveis a temas (quase) esquecidos.

A lista continua e inclui, até, vários concertos em formato de festival de inverno (Andrew Bird e Cass McCombs tocarão no Misty Fest; os Wild Beasts e o novo projeto de JP Simões, Bloom, no Jameson Urban Routes, no Musicbox; Charles Bradley ou Mallu Magalhães no Vodafone Mexefest). Mas, se tivéssemos de escolher apenas um concerto, talvez nos decidíssemos pelos Kills, que a 3 de novembro terão o Coliseu de Lisboa por sua conta. No dia seguinte, Alison Mosshart e Jamie Hince levam a sua fórmula (duas pitadas de rock, três de carisma e quatro de tensão sexual) ao Hard Club, no Porto. Eis uma dupla que deixa sempre as melhores impressões ao vivo mas que raras vezes nos visita fora do contexto festivaleiro (já carimbaram o «passaporte» em Paredes de Coura, no Sudoeste, no Alive e no Super Bock Super Rock). Vai, com certeza, ser um outono quente.