Blitz

Uma parceria com o jornal EXPRESSO

siga-nos

Perfil

Opinião

E assim acontece: 9 notas a 9 do 9

Inclui Phil Collins, Divine Comedy, Scott Walker, Nick Cave, Bruce Springsteen, Teenage Fanclub, Paul McCartney, T. Rex e Beatles

1. Não acontece todos os dias. Quarta-feira conversei com Phil Collins, provavelmente o mais desarmamente e (des)assombrado astro do firmamento pop/rock. Falámos de êxitos planetários (vem aí um best-of triplo), a reavaliação de toda a discografia empreendida nos últimos meses, a "porrada" que levou nos anos 90 e a que deu a si próprio daí para a frente, a autobiografia que sairá no outono. A entrevista será publicada no final de outubro em papel; por ora, fiquem com algo que, neste mister, não nos dizem todos os dias: "Se eu fosse um argumentista, a primeira coisa que faria era tirar-me do filme – a minha personagem iria de férias e morreria num acidente de viação. Era assim que eu me sentia nas piores alturas. O irritante Phil Collins estava a atrapalhar a minha vida".

2. Acontece mais frequentemente, mas é um prazer na mesma. No mesmo dia, de manhã, telefonei a Neil Hannon e o homem dos Divine Comedy não foi menos do que generoso na dialéctica. Hannon, além de um músico exímio, é alguém que sabe olhar para si próprio com humor. Siga um bocadinho de "psicanálise": "Sempre tive uma cabeça velha, não no sentido físico, mas na maneira de pensar. Os meus pensamentos e a maneira como olho para o mundo não mudaram assim tanto [desde os anos 90, quando surgiu]. Estou melhor a falar com pessoas – isso sim. Fui uma criança extremamente tímida. Quando tive de começar a falar com pessoas, era verdadeiramente mau. Provavelmente até desagradável e peço desculpa por isso. Agora sou melhor ser humano e relaciono-me melhor com as pessoas". O resto sai na próxima BLITZ.

3. Acontece mais vezes do que seria de esperar – e ainda bem. Scott Walker já não precisa de 10 ou mais anos de ausência para regressar com contundência. A banda sonora do filme de Brad Corbet, A Infância de Um Líder (Prémio Revelação do Lisbon and Estoril Film Festival, em 2015) é dele, e o tema de abertura é antológico. Ouça e pasme-se.

4. Acontece cada vez menos. Os Teenage Fanclub lançaram hoje o terceiro álbum em 15 anos. A melhor banda do mundo para Kurt Cobain, a segunda para Liam Gallagher e a segunda melhor banda escocesa para moi-même (só atrás dos vitais Belle & Sebastian) lançou Here e o mundo continua a ser um lugar bonito por aqui. Como, aliás, se comprova.

5. Acontece cada vez mais. Bruce Springsteen voltou a bater um recorde: o concerto de quarta-feira à noite em Filadélfia foi o maior de sempre do Boss nos Estados Unidos. 34 canções, 4 horas e 4 minutos, caramba! A Consequence of Sound dedica-lhe um título mais do que apropriado: Neste momento, estou plenamente convencido de que Bruce Springsteen não é realmente humano.

6. Ainda bem que acontece. Depois da pior das adversidades, Nick Cave está a ganhar o combate. Skeleton Tree, o álbum, chegou hoje. E há um filme para ver. É bom tê-lo por perto.

7. Aconteceu. Há precisamente 50 anos, os Beatles chegavam a número 1 do top inglês de singles com "She Loves You", ao mesmo tempo que ocupavam o lugar cimeiro da tabela de álbuns com Please Please Me, o primeiro tomo de uma carreira inultrapassável. Hoje chega Live At The Hollywood Bowl, uma espécie de acompanhamento áudio do documentário de Ron Howard, Eight Days a Week, nos cinemas na próxima quinta-feira.

8. Já não acontece. Os T. Rex morreram com Marc Bolan, ao volante de um Mini, há quase 39 anos. Mas interessa muito celebrá-los. De volta, recauchutado, está o filme Born to Boogie, realizado por Ringo Starr (!) em 1972, no auge glam do cometa Bolan. É colocar as plumas em volta do pescoço.

9. É sempre um acontecimento. Capa da edição de 25 de agosto da Rolling Stone, Paul McCartney dá nas páginas da revista norte-americana uma entrevista que é um tratado. Regressemos a 1963: "Olhávamos para as outras bandas da cena e sabíamos quem não prestava e quem era concorrência. Valia a pena saber o que se passava. Ouvimos falar dos Rolling Stones. Eles tocavam no Station Hotel, em Londres, e uma noite fomos lá vê-los. Lembro-me do Mick [Jagger] em palco com um casaco cinzento e fazer aquela coisa das palmas [bate palmas em ritmo rápido]. [Depois], o tipo que tinha recusado os Beatles na Decca perguntou ao George [Harrison] se ele conhecia alguém digno de se contratar. [Já] éramos amigos dos Stones e pensámos que "I Wanna Be Your Man" era ideal para eles. Eu sabia que eles tocavam material de Bo Diddley e que eram bons nisso. E eu gostava de me armar em bom, queria poder dizer que lhes tinha dado o primeiro êxito. E foi o que aconteceu!".