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Star Trek

Star Trek: Meio século no caminho das estrelas

Foi a 8 de setembro de 1966 que o primeiro episódio de Star Trek passou na TV americana. 50 anos depois recordamos aqui a música de um dos genéricos mais célebres de todos os tempos

Nuno Galopim

Nuno Galopim

Jornalista

Passam hoje 50 anos sobre o dia em que o mundo de Star Trek passou pela primeira vez por um pequeno ecrã de televisão (e que só chegaria até nós apenas 12 anos depois, em 1978, como O Caminho das Estrelas). Um dos mais prolíficos universos alguma vez nascidos na ficção televisiva, Star Trek tem uma história que passa pelo desvio para um cenário espacial de uma ideia original que visiva criar uma série centrada num balão que, semana após semana, descobrira novos lugares e povos, algures pelos recantos menos explorados da Terra. E, sobretudo na sua expressão original, nas três épocas em que a série esteve em produção, em finais dos anos 60, pelos seus episódios passaram ecos de algumas das grandes questões políticas e sociais do seu tempo. E não foi por acaso que, sob sugestão do próprio Martin Luther King, a atriz Nichelle Nichols (Uhura) resolveu permanecer no elenco apesar da discreta participação que tinha nos primeiros tempos. De resto, Whoopi Goldberg, que teria um papel importante em algumas épocas da série Star Trek: The Next Generation, lembra como um importante momento da sua infância aquele em que correu a chamar a mãe porque, na televisão, tinha visto uma atriz negra com um papel que não era o de uma criada.

Talvez a música não tenha nunca estado entre os acontecimentos na linha da frente de tudo o que nasceu na série e nas suas ramificações e heranças. Mas, na hora de assinalar o meio século de vida, além dos livros, das edições em home vídeo, há novos discos a lembrar que, também aqui, se fez uma história.

E a história da música em "Star Trek" nasce logo em meados dos anos 60, quando o criador da série, Gene Roddenberry, apresenta um primeiro episódio piloto para cuja banda sonora convoca o trabalho de Alexander Courage, músico que ganhou sobretudo alguma fama em Hollywood como arranjador ao serviço de vários compositores e orquestras na hora de gravar música para o cinema e a televisão. Entre a música que Courage apresentou contava-se um tema para passar durante o genérico e que cruzava a ideia de uma fanfarra de aventuras com o tom de mistério e estranheza que, nos anos 50, tinha ganho forma num terreno que ficaria conhecido como “exotica”, e que teve entre os seus principais representantes nomes como os de Martin Denny, Les Baxter e Yma Sumac.

Depois de um primeiro piloto rejeitado e de (coisa rara) um segundo ter sido encomendado, o tema do genérico ganhou formas mais polidas, não só juntando um monólogo na voz do ator protagonista William Shatner (o tal que acabava ao som de “to boldly go where no man has gone before”) e uma orquestração mais elaborada sobre a voz da soprano Loulie Jean Norman, que tinha já surgido na versão original do tema.

Usada nos mais de 70 episódios da série clássica, retomada em todos os filmes que, depois de 1979, transportaram este universo para o cinema, a música criada por Alexander Courage – para a qual Roddenberry escreveu depois uma letra – tornou-se numa peça icónica na história das bandas sonoras nascidas para o pequeno ecrã.

É claro que a música de Star Trek não se resume a este genérico, já que para cada episódio (de cada série) e cada filme, houve outras composições envolvidas. Mas a história musical deste universo não pode esquecer tanto os discos que os atores ligados a Star Trek foram criando (e só entre a geração original houve álbuns de William Shatner, Leonard Nimoy e Nichelle Nichols) como as canções que, depois, evocaram este universo.

E aqui vamos lembrar dois casos:

Com uma discografia essencialmente feita de registos spoken word – pelos quais leu algumas obras de referência da literatura de ficção científica – o ator Leonard Nimoy (Spock) gravou em 1967 o álbum Presents Mr. Spock’s Music From Outer Space, em cujo alinhamento surgia “The Ballad Of Bilbo Baggins”, uma das primeiras explorações, via música pop, do universo de ficção de Tolkien.

Em 1987 a banda britânica The Firm lançou "Star Trekkin'", um single com uma paródia ao universo de Star Trek e cuja letra usava algumas das frases-chave das personagens da série clássica. A canção tornou-se um êxito enorme no Reino Unido, tendo o single chegado ao número um!

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