Blitz

Uma parceria com o jornal EXPRESSO

siga-nos

Perfil

Opinião

Como os festivais estão a mudar

Quase impercetivelmente, os festivais portugueses vão mudando. Pouco a pouco, avanço aqui, progresso acolá, vão-se adaptando a uma nova realidade que pretende - antes de mais nada - não deixar o público para trás

É com saudável agrado que se devem registar algumas das alterações que, este ano, se foram verificando em alguns dos maiores eventos musicais, sobretudo porque vão no sentido de estabelecer uma relação mais firme e duradoura com os espectadores. E não é de somenos o facto de estas serem decisões que dificilmente voltam atrás.

Não, não estou a perorar sobre os cartazes dos festivais que, na minha humilde opinião e até prova em contrário, continuam a ser dos mais bem recheados da Europa. Portugal teve a sorte (ou a arte, ou a manha, o que quiserem) de convocar quase todos os grandes nomes que durante esta temporada andam em digressões festivaleiras. Apontem, por favor, os que não vieram. E isso é notável, nomeadamente quando confirmamos todos os dias que continuamos a ser uma pequena economia, periférica e subnutrida no que respeita ao concerto das nações em geral e da Europa em particular.

Referia-me a aspetos que podem parecer menores mas que indiciam preocupação com o bem estar e conforto dos espectadores nos festivais que aconteceram neste mês que passou. Tanto o NOS Alive como o Super Bock Super Rock, apesar da diferença de dimensão, apresentaram soluções para questões com que mais tarde ou mais cedo se iriam confrontar. Podem parecer pormenores sem a mínima importância mas o fim dos copos de plástico descartáveis, como sucedeu no Parque das Nações, é um assinalável progresso relativamente à habitual lixeira. Da mesma maneira, a relva artificial este ano colocada no Passeio Marítimo de Algés, e que terá custado mais caro do que muitas bandas que passaram pelo palco principal, é um passo em frente, rumo ao futuro e uma enorme contribuição para que, também ali, os frequentadores do espaço sejam tratados de forma mais civilizada.

Este ano, já foi possível assistir à introdução de outras pequenas inovações nos festivais portugueses que vão no mesmo sentido. Não nos falta boa música - aí será mais difícil, melhorar -; o que urge alterar é a forma como se vive a experiência dos festivais. E, tudo leva a crer, vamos no bom caminho. Só assim é possível usufruir, nas melhores condições, de grandes concertos, como aquele que Kendrick Lamar ofereceu na MEO Arena e que o levou à capa da BLITZ deste mês.

Editorial da BLITZ de agosto, já nas bancas