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Tidapple: vem aí um gigante?

Drake e Kanye West querem lançar um álbum juntos, mas estão de lados diferentes da barricada do Streaming. E o Spotify deve estar a tremer...

Se um dia Kanye West for presidente, irá governar através do Twitter, certamente. É o seu púlpito favorito. E esta semana usou-o para fazer um apelo bastante claro aos gigantes do streaming, Tidal e Apple: “Preciso do Tim Cook, Jay Z, Dez, Jimmy, Larry, de mim e do Drake Scooter ao telefone ou numa sala esta semana”, dizia o primeiro; “Que se f**a todo este concurso de medição de pilas. Daqui a 100 anos estamos todos mortos. Deem a música aos miúdos”; e “Apple, deem o cheque ao Jay Z agora e parem de tentar comportar-se como se fossem o Steve”.

Não é díficil descodificar o que Kanye West quer: há algumas semanas surgiram notícias que davam conta do interesse da Apple em adquirir o Tidal. O Tidal pode ter arrancado coxo, mas The Life of Pablo, primeiro, Lemonade de Beyoncé, depois, e a perspetiva de um álbum novo de Jay-Z, o presidente deste serviço de streaming, colocaram a marca bem lá no alto e é provável que o marido da Raínha Bey ainda saia vitorioso deste investimento que ao início muitos julgavam ser desastroso tendo em conta aquilo que se julgava ser inatacável: a hegemonia do Spotify.

Por outro lado, o serviço de streaming da Apple também foi acumulando vitória atrás de vitória: o investimento direto em artistas como Dr. Dre e Drake garantiu-lhes alguns preciosos exclusivos e o Spotify foi encaixando alguns golpes graves nesta guerra pelo domínio do mercado do streaming.

E agora, ontem à noite, em Toronto, Ye pode ter oferecido a chave para toda esta questão durante um concerto no OVO Fest do maior da cidade: antes de chamar Drake ao palco para interpretarem juntos o tema de VIEWS, “Pop Style”, Kanye disse algo como “estão prontos para este álbum? Não estou a falar de Pablo. Não estou a falar de VIEWS. Estou a falar deste álbum”, disse, apontando para Drake. Seria muito difícil que um disco assim pudesse ver a luz do dia tendo em conta os milionários contratos que certamente ligam os dois artistas a companhias de lados opostos da barricada do streaming. Mas se o negócio de facto se realizar, poucos gestos editoriais poderiam ter mais impacto do que um álbum que reunisse os dois maiores símbolos de ambas as plataformas.

Os artistas, pela primeira vez, parecem ter nas mãos as ferramentas para forçarem a mudança de rumo desta indústria que foi sempre controlada por executivos. Não esquecer que estes dois gigantes – Tidal e Apple Music – são orientados por Jay-Z e Dr. Dre, não esquecer também que são ambos artistas oriundos de uma cultura musical específica, das duas costas da América. Juntos eles têm de facto o poder para mudar a face desta indústria. Vale uma aposta em como vai acontecer? Pobre Spotify...