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Conhece a história de We Are The Champions?

A canção dos Queen, gravada pela primeira vez em 1977, é talvez o mais cantado dos hinos em hora de triunfos desportivos. E, esta semana, naturalmente, não faltou aos ouvidos dos portugueses. Mas conhece a sua génese?

Nuno Galopim

Nuno Galopim

Jornalista

É tiro e queda. Quando alguém vence uma competição, a festa faz-se muitas vezes ao som de “Celebration”, dos Kool and The Gang ou, se o triunfo é recorrente, de “You Win Again” dos Bee Gees. Desta vez, dos ecos de Paris surgiu como cântico de vitória a versão de “A Minha Casinha” gravada em finais dos oitentas pelos Xutos & Pontapés. Mas inevitável mesmo seria a celebração ao som do mais certeiro de todos os cânticos de vitória. E, tal como a outros cantou em tempos, desta vez “We Are The Champions” soou para a seleção nacional. Na verdade soou para eles e para outros mais atletas portugueses que ajudaram a fazer deste julho de 2016 um mês de triunfos em várias frentes desportivas. O hino dos Queen é assim tudo menos de surpresa. Mas será que lhe conhecemos a história?

A canção, composta por Freddie Mercury, nasceu numa altura em que os Queen eram uma banda já de dimensão global e, perante a necessidade de ter hinos para apresentar frente a grandes plateias, respondeu ao desejo de ter uma canção que funcionasse num jogo de diálogo, de respostas, entre o palco e a plateia. Um hino que convidasse, sem dificuldades maiores, à participação.

Freddie Mercury pensou precisamente no universo do futebol quando a compôs. Procurava assim encontrar uma canção que unisse quem estava em campo aos adeptos nas bancadas, respondendo à tal procura por jogos de pergunta e resposta. Ele mesmo explicou mais tarde que acabou a dar ao tema uma dimensão mais teatral do que seria habitual num estádio de futebol. E logo na letra deixava claro que a vitória não era coisa fácil de atingir. Pelo que o canto de celebração soaria depois como uma missão cumprida.

A canção fala de um triunfo partilhado não sendo por isso uma manifestação de ego de uma banda que se acha campeã. O “nós” a que alude o título e o refrão é colocado na voz a plateia. A celebração é da multidão. Não dos músicos.

A ideia base para a canção foi criada ao piano, e a sua gravação reflete essa mesma presença fulcral, confiando à guitarra uma voz suplementar e entregando ao baixo e à bateria a sua pulsação. Vocalmente é uma peça exigente, traçada a rigor para a invulgar extensão vocal de Freddie Mercury.

“We Are The Champions” foi criada para o alinhamento do álbum News of The World, que os Queen editaram em finais de outubro de 1977. O tema serviu contudo de aperitivo, sendo editado em single a 7 de outubro, apresentando outro verdadeiro hino no lado B: “Will We Rock You”, esta composta por Brian May. No álbum as canções surgem ligadas uma à outra, o que fez com que muitas vezes, por aqueles dias, os DJs as passassem em sequência, facto que vincou mais ainda a ligação entre os dois temas.

Por incrível que nos possa parecer – perante um dos hinos de maior sucesso de toda a história da cultura pop/rock – “We Are The Champions” não alcançou o número um no Reino Unido nem nos EUA. Foi, respetivamente, números dois e quatro nesses mercados. Número dois na Holanda. Número três na Irlanda e Canadá. Mas vendeu milhões de cópias.

Lançado em 1977, este foi um tema que nunca mais se calou. Na rádio ou em celebrações desportivas, ainda hoje respira vida. De resto, em 2011, um estudo da Goldsmiths University apontou “We Are The Champions” como sendo a canção mais “orelhuda” (tradução livre para “catchiest”) de sempre. A investigação baseou-se na observação do comportamento de milhares de voluntários que se ofereceram para participar num desafio de karaoke e concluiu ser esta a canção que traduzia a coleção mais representativa de elementos fulcrais para ter um relacionamento infalível com o público: frases musicais longas e cheias de detalhes, mudanças de tonalidade dentro dos ganchos melódicos principais, vozes masculinas e um canto esforçado, rumo aos agudos, que impressiona pelo esforço... A canção dos Queen suplantou neste estudo temas como “Y.M.C.A” dos Village People ou “The Final Countdown” dos Europe, que também surgiram no Top 5. Em horas de triunfo, também é aos Queen, e a esta canção, que os campeões vão buscar a sua banda sonora.

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