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Courtney Barnett no NOS Alive

Rita Carmo

O lado B do NOS Alive

Pelo palco Heineken passaram grandes concertos, com ótimo som e um público atento e inspirado

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Depois de um fim de semana de emoções intensas, dos concertos no NOS Alive à épica vitória de Portugal no Europeu de futebol, deixo as análises dos cabeças de cartaz para quem os viu e sobre eles escreveu (Pixies aqui, Radiohead acolá) e faço uma pequena chamada de atenção para o êxito dos concertos no palco Heineken, que de secundário tem muito pouco.

Como sempre acontece quando estamos em reportagem, escrevendo logo após o final de cada atuação que nos é “atribuída”, acabei por ver apenas alguns dos muitos espetáculos que ao Passeio Marítimo de Algés levaram, ao longo de três dias, mais de 150 mil pessoas. E parece-me que, além do luxo que constitui termos – no palco principal – os cabeças de cartaz acima referidos, mas também os ótimos Arcade Fire ou o histórico Robert Plant, é notável que do palco Heineken se pudesse enxertar um outro festival.

Com um som excelente e um público geralmente atento e entusiasta, este “lado B” do festival trouxe-nos um Father John Misty que, contra todas as expectativas – desgaste de uma digressão sem fim à vista à cabeça – nos pareceu ainda mais brilhante do que em Paredes de Coura; uma Courtney Barnett em ruidoso estado de graça e uns Calexico comoventes de tão inspirados, convidando os festivaleiros a dançar ao som de cumbias e delírios maricachi (Joey Burns, o vocalista da banda de Tucson, Arizona, foi o único a desejar boa sorte a Portugal na “eurocup”, o que de imediato quisemos interpretar como sinal de fortuna).

Não vi o celebrado concerto de Grimes, mas o Mário Rui Vieira garante que por ali passou o futuro, acrescentando que os PAUS fizeram mais do que partir a louça com a sua energia animal.

No meio disto tudo, e antes de Ronaldo, Patrício e Éder tomarem de assalto a minha mente, ocorreu-me ainda como é curioso ver uma tenda cheia de gente a cantar, acertada e apaixonadamente, letras tão peculiares (é a sugestão do Google Translate para “quirky”, confesso) como as de Father John Misty (“But my baby she does something way more impressive than the Georgia crawl / She blackens pages like a Russian romantic / gets down more often than a blow-up doll”, cantam homens e mulheres à minha volta) e as de Miss Barnett (“We don’t have to be around all these coffee shops / Now we’ve got that percolator, never made a latte greater / I’m saving twenty three dollars a week”).

Os discos podem dar lugar ao streaming, o álbum até pode estar prestesa entregar a alma ao criador, mas as canções resistem na «parte interna dos ouvidos», citando Manel Cruz. E o NOS Alive teve-as em bom número, todas campeãs.