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De La Soul

Ponto alto deste verão? 16 de julho, certamente

Rui Miguel Abreu tem um circulo vermelho à volta do dia 16 de julho e já reservou lugar nas filas da frente da Meo Arena. Ou num confortável lugar da bancada, que há muito para ver e é preciso resguardar energias

Cantava em tempos Howard Devoto: «I am on fire, and it’s the rainy season». Apetece pegar na canção do homem que tem no currículo Buzzcocks e Magazine (um génio, portanto) e reinventá-la, um bocadinho: «I am on fire, ‘cause it’s the festival season».

Este ano, devo confessar, estou pela primeira vez em muito tempo ansioso pela chegada de um festival em particular: o Super Bock Super Rock. Talvez este seja o festival que melhor conheço: estive nas primeiras edições, visitei-o pontualmente ao longo dos anos, vi Prince e Sharon Jones no Meco e gostei particularmente da nova localização e escala ensaiada o ano passado - metro à porta, ruas pavimentadas, palcos próximos uns dos outros e até possibilidade de assistir sentado a boa parte dos concertos. Para mim é perfeito, tenho de admitir.

Este ano, no entanto, o Super Bock Super Rock sobe a fasquia com uma programação imaculada: retrato mais do que pertinente dos melhores argumentos que o presente nacional oferece à posteridade a partir do Palco Antena 3 (se possível quero tentar não perder Samuel Úria, Pista e Capitão Fausto, A Experiência Púrpura de Moullinex e ainda Slow J e Mike El Nite); ensaio de consagração de valores “tugas” das cabines a partir do palco Carlsberg (com Riot, Trikk e Moullinex e ainda Batida e DJ Ride a garantirem muita e boa dança) onde também não vai ser possível perder DJ Shadow que está de regresso em forma com o álbum The Mountain Will Fall; nomes fortes e certamente iluminados no Palco EDP (Kurt Vile e Jamie xx mais Kwabs e Kelela e Capicua a exigirem a minha presença); e depois, um palco Super Bock de que vai ser muito difícil estar arredado (Disclosure, Iggy Pop e Massive Attack com Young Fathers e, absoluta perfeição, Orelha Negra, De la Soul e Kendrick Lamar).

A lotação mais contida do que a de eventos maiores garante um certo grau de civilização a este evento que o torna único no mapa de verão dos nossos festivais – é fácil circular, não há atropelos, come-se razoavelmente bem, não é complicado encontrar amigos. Tudo a favor. Há outros pontos de interesse no verão que se estende à nossa frente, com Radiohead a concentrar as preferências de muito boa gente, certamente, mas eu já sei por antecipação qual vai ser o ponto alto do meu verão festivaleiro. Que venha 16 de Julho que estou pronto.

Mas, já agora, porque a um homem é sempre permitido pelo menos sonhar, um desejo: Kendrick Lamar e De La Soul, prestem por favor atenção ao soundcheck de Orelha Negra e arranjem um momento para se cruzarem todos em palco. Vá lá, não custa nada e fariam muita gente feliz.