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Nuno Galopim

Nuno Galopim

Jornalista

Chegou a hora de afinar o coro de Hillary Clinton

Durante meses os partidários mais indie de Bernie Sanders e as vozes mais pop, r&b e hip hop de Hillary Clinton puxavam, cada um, para seu lado. Tal como com os políticos democratas, agora também ali é preciso afinar o coro a uma voz

Apesar das hipóteses apenas meramente aritméticas que Bernie Sanders tem de atingir o número de delegados necessários à nomeação para candidato à presidência pelo Partido Democrático – mas nem mesmo um Frank Underwood seria capaz de fazer tantos super-delegados darem o dito por não dito e votarem afinal no senador – Hillary Clinton discursou já na noite desta terça-feira como sendo a presumível candidata com a qual o seu partido tentará impedir Donald Trump de chegar à Casa Branca.

Com um discurso inclusivo, juntando até às suas causas algumas das que mais se fizeram escutar na campanha de Sanders, Hillary sublinhou, após uma vitória com maior margem do que o esperado na Califórnia e também um surpreendente triunfo no Dakota do Sul (além de dois sem surpresa em New Jersey e no Novo México), o momento histórico que se vivia já que, pela primeira vez, uma mulher será candidata à presidência por um dos maiores partidos. As reações não tardaram em chegar. E, ao contrário do que havia sido recorrente ao longo destas primárias muito disputadas, com muitos músicos de renome a tomar o partido de Bernie Sanders, desta vez a chuva de estrelas (com música) em favor de Hillary Clinton cantou mais alto. Em poucas horas, e sobretudo através do Twitter, chegaram pregões e declarações de sintonia para com a candidatura de Hillary, usando a hashtag #ImWithHer.

Cher contava que “quando era pequena não imaginava que uma mulher chegasse a Presidente”, manifestando “orgulho” pelo feito para já conseguido pela candidatura de Hillary Clinton. Katy Perry, que há muito manifestara já o seu apoio à antiga secretária de Estado de Barack Obama, observou que “muitas meninas estão a dormir e pela primeira vez a sonhar sem limites”. Christina Aguillera notou que a conquista da nomeação faz história não apenas para a candidata, “mas para todas as mulheres, em toda a parte”. Lady Gaga pede o voto naquela que poderá vir a ser a primeira mulher Presidente dos EUA e acrescenta que o país “bem que podia dar uso a algum rock’n’roll”. John Legend dá os parabéns a Hillary. Este último, juntamente com Christina Aguillera, Ricky Martin e Stevie Wonder tinham atuado, na véspera da primária californiana, num concerto de apoio à candidatura que teve lugar num teatro de Los Angeles.

Este conjunto de declarações assinala um coro expressivo de vozes da música em favor daquela que será a candidata de quem se espera para breve um apoio do próprio Presidente Obama e representa uma mudança de banda sonora numa campanha que, até aqui, e apesar dos apoios já antes manifestados a Hillary, tinha muita da imprensa musical e nomes grandes do panorama pop/rock a dar a sua voz sobretudo por Sanders. Além de elementos dos Vampire Weekend e dos Red Hot Chilli Peppers, a campanha do senador contara já com os apoios de nomes como os de Jello Biafra (dos Dead Kennedys), Thurston Moore (Sonic Youth), Lou Barlow (Dinossaur Jr), Billy Gould (Faith No More) ou Mauren Herman (Babes in Toyland).

O panorama indie rock mais ligado a Bernie Sanders contrastava contudo com as vozes mais mainstream, e sobretudo ligadas aos universos da pop, do R&B e do hip-hop que já antes tinham manifestado o seu apoio a Hillary Clinton. Kanye West, Beyoncé, Pharell Williams, Tony Benettt, Burt Bacharah, Jon Bon Jovi, Janelle Monáe, Barbra Streisand, 50 Cent, Snoop Dog, James Taylor ou Quincy Jones estavam já alinhados pela sua orquestra.

Donald Trump é (um pouco como aconteceu com candidatos republicanos em eleições anteriores) aquele que conta com um cartaz mais de dieta no departamento da música. Loretta Lynn, figura grande da country e, com alguma surpresa, Azealia Banks, contam-se entre as vozes de dimensão maior que manifestaram já o seu apoio ao milionário.

Se entre os políticos democratas a hora agora é a de procurar um caminho comum para garantir um apoio maior a Hillary Clinton, aos músicos caberá também a procura de uma sintonia possível. E por muito que a multidão indie que cantava com Bernie Sanders não parecesse muito encantada com a figura de Hillary, os duetos parecem mais possíveis com a candidata democrata do que com Trump ou um silêncio súbito...