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Cinco livros para ler (e ouvir)

Em tempo de Feira do Livro, ficam aqui cinco sugestões entre os livros mais interessantes sobre música surgidos nos últimos tempos

Nuno Galopim

Nuno Galopim

Jornalista

Chegou aquela altura do ano! E já estou mentalizado para voltar para casa, por várias vezes, carregado, com sacos por todo o lado. É assim sempre que chega a Feira do Livro (a de Lisboa, que é onde vivo, sendo que não perco depois nenhuma das que encontro pelos lugares onde vou passando nos meses quentes que agora chegam). Desde as novidades às pechinchas de fundo de catálogo ou aos livros esquecidos que voltam à memória quando os dedos caminham entre as ofertas dos alfarrabistas. No meu caso aqui sempre atento à banda desenhada, à História (sim, apesar de ter feito a faculdade em Ciências), aos títulos em falta da série Argonauta... Cada um leva a sua lista de prioridades e gostos, naturalmente com o botão “stop” quando a carteira diz que já chega.

Por interesse (pessoal e profissional), corro sempre os pavilhões, um a um, em busca de novidades na área da música. Uns anos há lançamentos em quantidade (de biografias, ensaios a antologias de textos). Outros nem por isso. 2016 é um ano de colheita digna. Mesmo não sendo farta em títulos (e nem vamos comparar a agenda de lançamentos em língua inglesa, para não ficarmos com a sensação de dieta permanente nestas coisas), a feira coloca este ano alguns lançamentos novos em cena. Mas, lembremo-nos, nem só da novidade vive a feira. Ficam por isso aqui, como sugestão, dois novos títulos. Junto outros tantos já com algum tempo, mas igualmente recomendáveis e igualmente publicados entre nós. E, se viajarem ou tiverem amigos a ir a Londres ou o hábito de encomendar online, deixo ainda uma sugestão em língua inglesa. Tudo para ler sobre música.

OS NOVOS:

Patti Smith “M Train” (Quetzal)
Depois do aclamado “Apenas Miúdos”, no qual caminhava entre memórias dos dias que passou juntamente com Robert Mappelthorpe – o fotografo que, entre muitas imagens icónicas, foi o responsável pela que vemos na capa do álbum “Horses” – a cantora (e também poeta, com obra publicada) regressa aos livros com “M Train”. Aqui há também uma proposta de viagem entre memórias, mas desta vez tem um café em Manhattan como ponto de partida e os vários destinos das suas digressões e viagens em família como cenário para a partilha de histórias, frequentemente com escritores por perto.

Kim Gordon “A Miúda da Banda” (Bertrand)
Uma das melhores memórias publicadas nos últimos tempos, reforça a ideia de que caminhamos mais do que entre as recordações dos discos e dos concertos quando os músicos contam eles mesmos as suas histórias. Longe de ser uma leitura fechada aos que seguiram a obra dos Sonic Youth (a banda que ajudou a fundar), o livro de Kim Gordon evoca ambientes familiares nos anos 60 e 70, o universo das artes visuais e as impressões da sua chegada a Nova Iorque.

OS DE FUNDO DE CATÁLOGO:

Alex Ross “O Resto É Ruído”
O autor escreve habitualmente sobre música na “New Yorker” e tem vindo a mostrar como a noção de barreira entre géneros musicais é coisa que, tal como o muro de Berlim, teve a sua derrocada há muito tempo. Em “O Resto É Ruído” (que se tornou um best seller internacional), apresenta-nos uma história comentada da música do século XX (não se esquecendo de listar exemplos para que a leitura se transforme em experiência auditiva). De Gustav Mahler e Richard Strauss aos Velvet Underground e David Bowie, sem esquecer os minimalistas ou o jazz...

Leonor Losa “Machinas Falantes” (Tinta da China)
Não têm sido poucos os estudos académicos feitos entre nós sobre a música e as estruturas profissionais e sociais ao seu redor. O livro de Leonor Losa teve a capacidade de saber depois aliar a um trabalho nascido num contexto académico uma vontade de comunicar o que viu e aprendeu a outros públicos. Aqui se conta, e numa edição profusamente ilustrada (e com um CD com exemplos para ouvir), a história dos primeiros passos da indústria discográfica em Portugal.

E O DE IMPORTAÇÃO:

Stephen Witt “How Music Got Free” (Bodley Head)
Se eu tivesse de apontar o livro sobre o universo da música cuja leitura mais me empolgou nos últimos anos, teria de apontar a este volume de 296 páginas que se lê com aquela avidez com que se acompanha um thriller. E é isso o que aqui acontece. Partindo de três figuras (reais) – um funcionário de uma fábrica de CD, um editor discográfico e o inventor do formato mp3 – o autor conta-nos como surgiu e ganhou expressão global o fenómeno da pirataria, notando, sem uma perspetiva moralista, como toda uma geração acabou, depois, a “cometer o mesmo crime”.

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