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Prince morreu. Viva Prince!

Prince Rogers Nelson morreu na quinta-feira, aos 57 anos, e depois de cinco dias de celebração vale a pena reter, pelo menos, três coisas.

Prince Rogers Nelson morreu na quinta-feira, aos 57 anos, e depois de cinco dias de celebração vale a pena reter, pelo menos, três coisas.

A primeira, que nunca é demais sublinhar, trata da sua capacidade de comunicar algo que parece muito simples (mas não é): Prince fez, antes de todos os outros, incluindo nesta lista os maiores ícones da música dos anos 1980, isto é, Madonna e Michael Jackson que cada um pode ser quem quiser. Isto não deve ser entendido como um hino ao livre arbítrio mas como uma diluição das fronteiras entre o que é ser branco ou negro e homem ou mulher, por exemplo. Nisso, Prince foi exemplar: até na forma como se deixou adotar como ícone gay para depois se revelar como alguém tremendamente conservador (e a este respeito vale a pena ler o artigo publicado nos últimos dias pela “Atlantic”).

Em segundo lugar, e quando se espera que a novela Prince continue até ser revelado o resultado da autópsia e a divisão da sua herança, não é certamente útil tentar apagar as circunstâncias da sua morte. Prince nunca foi considerado um abusar de álcool e drogas. Tinha sim fama de workahoolic, estando hoje na ordem do dias as gravações que terá realizado e não publicado. Mas então como compreender que alguém perca a vida devido a utilização abusiva de medicação, como toda a informação entretanto publicada leva a crer?

Em terceiro lugar, e por último, a peça que faltava num puzzle que nunca estará terminado. Prince era um filantropo. Passámos os últimos dias a glorificar a sua música e até o seu papel pioneiro e libertador. Não sabíamos, e isso só agora e pela primeira vez foi revelado, que era notável o seu esforço de beneficência. Doações para causas ambientais, formação tecnológica ou para o movimento #BlackLivesMatter são citadas por Van Jones, um ativista norte-americano, como tendo o sincero contributo de Prince. É o próprio Jones que diz que ele não privilegiava as causas mais próximas dos democratas ou as dos republicanos. “Não era azul nem vermelho”. A sua cor era púrpura. Sempre.