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É oficial: a morte é uma filha da mãe

Pouco mais de três meses depois de David Bowie, é Prince a acolher o chamamento. Foi ao engano

Lemmy. Bowie. Prince. Que raio de mundo este sem eles. Esta festa já esteve bem melhor, parceiros de pândega. Dirá muito boa gente, por esta altura: “fica a música”. Não é mentira, mas há que retorquir: “não chega”. Proteste-se: “quero o meu vivo de volta”. Não foi para isto que nos venderam a eternidade. É a máfia dos jazigos, só pode.

É limpinho, de tão sujo e cruel: por momentos parece que nos morre um camarada, um tipo a quem demos uns calduços. O aperto é o mesmo, é farpela que serve a toda a gente. Dói como se fosse amigo. São nanossegundos de angústia. Depois, instantaneamente, entra em jogo a razão, armada em esperta, com uma encomenda de resignação entre mãos: morreu o Prince, um dos maiores, merda para isto. Sentimos assim, aos repelões, quem se fez gigante aos nossos olhos.

Havendo calma, ouça-se a música, sim, mas pense-se. De onde veio, onde foi dar. O que nos faz sentir, como nos marcou. Vale a pena parar um bocado.

A morte, essa, merece que lhe aticemos as feras. Não anda aqui a fazer nada. E o resto são coisas que se dizem.