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Portugueses no mundo: do fado ao kuduro, a vitória é deles

Ana Moura em Lisboa, Gisela João em Paris, Buraka Som Sistema em Nova Iorque: a música portuguesa está bem e recomenda-se, aquém e além-fronteiras

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

No passado sábado, na Meo Arena, as estrelas não se ficaram pelo palco onde Ana Moura celebrou o sucesso do seu último álbum, Moura. Na plateia, as caras conhecidas eram mais que muitas. Além do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, cuja presença a artista graciosamente agradeceu, numerosos músicos quiseram aplaudir mais este momento de consagração da mulher de Desfado. Nos ecrãs gigantes, vimos Mariza, Ricardo Ribeiro, Maria da Fé, Márcia, David Fonseca, Selma Uamusse, Carlão ou Jorge Fernando, e Ana Moura fez ainda questão de saudar outros companheiros de ofício, como Cristina Branco ou Fábia Rebordão. Que tantos músicos tenham feito questão de apoiar a ribatejana nesta noite tão importante – juntamente com o Coliseu, a Meo Arena será das salas mais emblemáticas no que toca a sinalizar um certo patamar de reconhecimento – dirá muito da simpatia e admiração que a cantora reúne junto dos seus pares, e também da maior união que, há já alguns anos, se sente entre músicos portugueses, com frutos visíveis ao nível das colaborações e até de alguma miscigenação de estilos.

Na mesma noite, e a quase dois mil quilómetros de distância, Gisela João levava o seu próprio fado – e a sua alegria minhota – à sala parisiense Alhambra. Father John Misty e Mark Lanegan são alguns dos artistas que nas próximas semanas passarão pelo mesmo recinto, o que mais uma vez nos recorda como, apesar de tão íntima da raiz do fado, Gisela consegue levá-lo a plateias e cenários tão transversais. Enquanto o sucessor do colossal álbum de estreia não chega, é bom saber que a barcelense deixou gente “a dançar aos pares” em Paris, tendo ela própria acabado por saltar do palco, tal foi a euforia provocada por mais um concerto para mais tarde recordar.

Mas nem só de fado se faz a diáspora portuguesa (dentro de portas, e também este fim de semana, Camané levou o excelente Infinito Presente ao CCB). Ao chegar a casa do concerto de Ana Moura, um saltinho ao Instagram mostrou-me que uma amiga de férias em Nova Iorque por lá encontrou os nossos conterrâneos Buraka Som Sistema. A queimar os últimos «cartuchos» da digressão de despedida, a banda de «We Stay Up All Night» apresentou-se, naquela noite, no Webster Hall, uma sala com capacidade para 1500 foliões, que hoje recebe os Last Shadow Puppets de Alex Turner. «Os Buraka tiveram um impacto enorme na cena da música eletrónica da última década, inspirando imensos artistas a incorporarem sons geralmente arredados da paleta típica da EDM», pode ler-se na apresentação no site This Song Slaps dos últimos concertos dos portugueses nos Estados Unidos: nas «mecas» de São Francisco, Los Angeles e Nova Iorque.

Estes são apenas três exemplos da vitalidade de artistas nacionais – aquém e além-fronteiras, em diversos estádios de notoriedade, e até em estilos musicais distintos. Numa altura em que são anunciados os novos ministro e secretário de estado do regressado Ministério da Cultura, que o papel destes e outros artistas na divulgação da música feita por cá, e por consequência do nome de Portugal lá fora, não passe despercebido.