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O som de Bruxelas

As explosões destas bombas são a banda sonora de um mundo onde não há lugar para a música

Madrid, Londres, Paris, Bruxelas. Desde ontem que há mais uma capital europeia a juntar-se à lista daquelas que nos últimos anos foram alvo de atos terroristas.

Tal como a 13 de novembro, em França, a escolha do lugar onde aconteceram os rebentamentos e as mortes - um aeroporto, uma carruagem de metro - não foi obra do acaso. Em Paris, morreu quem estava num estádio de futebol e, sobretudo, quem decidiu ir a um concerto de rock. Alguém que cometeu o erro de estar no lugar errado por coisa nenhuma. As mortes foram superiores a 130. Ontem morreram mais de 30 cidadãos e cerca de 200 ficaram feridos. Cometeram o pecado de estar num aeroporto ou no metro.

Como resultado, o aeroporto de Bruxelas fechou, encerrando assim uma das plataformas mais importantes do tráfego aéreo europeu. As fronteiras da Bélgica com França, Alemanha e Holanda foram cortadas. O metro, obviamente, também interrompeu os seus serviços. Eléctricos e autocarros deixaram de circular. A liberdade de circular foi seriamente atingida.

Sabemos que a escolha de Bruxelas teve conotações mais ou menos claras. É lá que está instalada a Comissão Europeia. E que o alvo era a Europa e os valores que ela representa.

Desde o 11 de Setembro que nos vimos acostumando a conviver com estas crises. Sabemos também que não vão parar. Não podemos esquecer o IRA e a ETA; mas também sabemos que hoje já não temos a proteção que os norte-americanos nos ofereciam e que a NATO não vale o que valeu.

A Europa terá, por isso, de repensar a sua defesa face a ameaças claras como esta. Até porque sabemos que depois dos atentados de Madrid, Londres, Paris e Bruxelas outros estão se seguirão e estão cada vez mais próximos.

Berlim, Roma, Amesterdão ou Lisboa. Lá chegará a sua vez. A menos que o ataque à nossa liberdade e aos Direitos Humanos seja severamente reprimido e restringido. A menos que o radicalismo jiadista seja decididamente combatido.

Para que possamos continuar a ouvir a música que nos apetecer, quando nos apetecer, onde nos apetecer. Não troco isso por nada.