Blitz

Uma parceria com o jornal EXPRESSO

siga-nos

Perfil

Opinião

O CD faz hoje 33 anos. Parabéns CD!

Rui Miguel Abreu dá os parabéns a um formato que já esteve em coma, mas que teima em resistir, seja em edições artesanais ou em edições de luxo absoluto. Duas faces de uma mesma moeda. Prateada, claro

De acordo com uma rubrica da BBC, On This Day, foi exactamente a 1 de março de 1983, há 33 anos portanto, que o CD chegou ao mercado, ou seja, que nasceu. Tem, assim sendo, a mesma idade de Cristo e como o protagonista do mais polémico cartaz dos tempos mais recentes também teve dois pais, o senhor Philips e o senhor Sony. Ao contrário de JC, no entanto, não me parece que o CD vá ser crucificado com esta tenra idade. Claro que já não tem o mesmo vigor que mostrou na sua juventude, sobretudo no arranque dos anos 90 quando as rodelas prateadas se vendiam à pazada e mergulharam a indústria discográfica na economicamente mais bem sucedida fase da sua história. Culpa da internet. Mas o formato vai resistindo.

Como o vinil antes e até como as cassetes, formatos que permitem micro-prensagens, os CDs são hoje muito usados por editoras e artistas que funcionam nas franjas dos mercados e que exploram nichos que lhes permitem escoar tiragens que por vezes se ficam entre as poucas dezenas e as algumas centenas de exemplares. Ainda esta semana comprei alguns CDs dos portugueses Niagara distribuídos dessa maneira: estavam a ser entregues pelos próprios ao balcão da Flur – directamente do produtor ao consumidor, com artwork artesanal que só valoriza a música que lá dentro se abriga e tudo. Os subterrâneos do hip-hop português também têm usado e abusado dessa possibilidade e atualmente na minha secretária amontoa-se uma pequena torre desses lançamentos “de capa fininha” assinados por artistas como Landim ou dB, que dão dimensão física a uma arte que é quase totalmente consumida online.

Depois há o oposto: as edições de luxo. Casos recentes – Off The Wall de Michael Jackson, The River de Bruce Springsteen ou Loaded dos Velvet Underground. Títulos que há décadas teimam em manter-se em catálogo e que vão sendo replicados neste formato das rodelas prateadas de 120 milímetros, mas inseridos em edições com capas diferentes, acompanhadas por livros ou DVDs para gáudio de fãs como eu, que têm mais vontade de possuir o objeto do que tempo para dele usufruírem.

O CD tem 33 anos, é uma espécie que tem vindo a decrescer em quantidade, mas teima em agarrar-se à vida e permite até mencionar no mesmo texto nomes como os de Niagara, Landim e dB e ainda Michael Jackson, Bruce Springsteen e Velvet Underground. Dois reversos de uma medalha prateada que ainda há quem não dispense. Continuem a enviar-me, por favor, as listas dos CDs que têm para venda. Ainda há espaço cá em casa...