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PAUS mitram BLITZ: De que género é a tua banda?

Que género de música são os PAUS? Esta é, talvez, a pergunta que mais vezes tem desiludido quem a coloca

E não é porque façamos questão de dificultar o trabalho dxs entrevistadorxs, ou porque tenhamos especial prazer em desconversar.

É, simplesmente, porque não nos sentimos só uma coisa, nem só a combinação de algumas. Sentimos que somos muitas coisas, às vezes isoladas e outras combinadas. Sentimos que qualquer caixa onde nos tentem colocar é sempre redutora e imprecisa. Claro que temos noção de que podemos ser coisas diferentes, para pessoas diferentes; é a percepção de cada um. Mas não nos podem obrigar a sentirmo-nos só rock, só pop, só hip-hop, etc., e a assumir a identidade da banda como tal.

Esta é uma liberdade a que nos reservamos, não para marcar uma posição, mas simplesmente porque só assim nos sentimos quem realmente somos. A de nos assumirmos como nos sentimos. E reparem que há, já, uma imensidão de géneros musicais identificados/atribuídos/aceites.

Agora façamos o paralelo para quando se fala de género em seres humanos.

A tendência é pensar-se somente no sistema binário – homem, ou mulher. Mas isso também é extremamente redutor e impreciso. E é, muitas vezes, ofensivo, injusto e discriminatório. Na identidade de género cabe muito mais que isto. E na expressão de género idem. Não somos todos só homens, ou só mulheres. E não somos, sequer, uma linha recta com homem numa ponta, mulher na outra e no meio quem se sinta mais próximo de um extremo, ou outro. Prefiro acreditar que esteja tudo num caldeirão e que se possa misturar. E nesse caldeirão há um elemento dotado de capacidades móveis e que não é passível de ser encaixotado; o “genderqueer”.

Se calhar é isso que passaremos a responder, quando nos perguntarem em que género musical nos incluímos. Somos “genderqueer” na medida em que recusamos essa fixação identitária musical. Talvez isso faça mais gente ler sobre o assunto e aceitar que o Mundo não é binário como às vezes o pintam.

E agora deixo-vos uma música de David Bowie, um artista com uma carreira incrível e um papel importantíssimo na desconstrução desta ideia do sistema binário.

Desfrutem, sejam felizes e aceitem que o Mundo é muito mais do que a forma como cada um o sente e vê.