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Rita Carmo

Os festivais portugueses são bons. Mas dão dinheiro?

Nem tudo o que luz é ouro

Os festivais portugueses têm alguns dos melhores cartazes que se vêm na Europa. Mas o preço dos bilhetes também é incrivelmente mais barato. Rock in Rio, NOS Alive e o NOS Primavera Sound têm sido reconhecidos internacionalmente nas últimas semanas e já gozam de algum prestígio. Sobretudo lá fora, onde não existe o tique do queixume.

Porém, a notoriedade nem sempre anda de mão dada com a rendibilidade. Sobretudo quando uma das principais fontes de receitas dos festivais, os patrocínios oferecidos pelas marcas, começa a fraquejar. E nesse caso, são os festivais mais dependentes dessas receitas que correm maiores riscos.

Nesse contexto, a resposta mais simples, e a que já estamos a assistir, é a subida do preço das entradas. É possível que tal como já se verificou este ano, os preços dos passes para os festivais portugueses sofram nos próximos tempos ajustes no sentido de se aproximarem dos seus congéneres internacionais.

Em Portugal e Espanha, festivais com um cartaz quase idêntico, como é o caso do NOS Alive e BBK Live, ou Super Bock Super Rock e Benicassim, têm passes à venda por preços a rondar os €120 ou €100.

Já o Rock Werchter, na Bélgica, tem os passes à venda por €236. A entrada para Reading, em Inglaterra, tem um custo de £213, cerca de €277. Na Dinamarca, o festival mais prestigiado é o Roskilde: e cada passe custa 1995 coroas, ou seja, €267. O Pinkpop, na Holanda, tem entradas para os três dias à venda por €180. E na Alemanha, ir ao Rock Am Ring exige um orçamento mínimo de €195 por pessoa.

Mas nem só pelas receitas irão ajustar-se os festivais portugueses. Os custos também atrapalham alguns, sobretudo quando o calendário está fora das grandes digressões e dos outros festivais na Europa. Contratar bandas que não andam em digressão para fazer um único espectáculo sai muito mais caro.

E transformar um espectáculo montado para arena num concerto de festival também não é fácil. Ou quando as contratações para cabeças de cartaz falham e o público castiga com uma não comparência. Também há exemplos.

Todas estas razões tornam mais sensato que, por estes dias, se apreciem os festivais portugueses - os que são portugueses, obviamente - pois o contexto tem sido favorável. As contas, às vezes, nem por isso. E nesse caso vai ser necessário reestruturar.

Os cartazes gloriosos e os preços baratos podem ter um fim. Alguns festivais também.