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As listas da polémica

As listas da revista de 30º aniversário que o site da BLITZ tem vindo a recuperar têm gerado alguma discussão nas redes sociais

Era o Groucho Marx que dizia que se recusaria a fazer parte de um clube que o aceitasse como membro, se a memória não me falha, mas em Portugal parece que funcionamos ao contrário e há muitos que não se coíbem de exigir fazer parte de clubes onde nunca meteriam os pés.

Permitam que me explique: nos últimos dias tenho assistido a várias manifestações de indignação por causa de algumas listas publicadas recentemente no site da BLITZ. Também, em boa verdade, li outras manifestações de congratulação, por parte, previsivelmente, de gente incluída nessas mesmas listas. Mas atentemos aos casos de indignação.

Estas listas foram publicadas originalmente no número especial com que a BLITZ assinalou 30 anos de existência, em novembro de 2014. Que a indignação só se manifeste mais de um ano depois resulta de um facto óbvio: quem se indigna, não é leitor da BLITZ. E é isso que me faz pensar no Groucho Marx.

Como é claro, todas as listas pecam. Antes de mais, por serem fechadas, finitas. Neste caso, para harmonizar com o aniversário, eram listas com 30 entradas, mas mesmo que tivessem 50 (lá chegaremos, daqui a 18 anos e alguns meses, se os indignados não virem os seus desejos mais obscuros realizados...) deixariam, necessariamente, de fora muita gente valorosa. Divulgadores de música, baixistas, bateristas e pianistas, guitarristas e editores. Discos. Concertos.

Importante perceber que estas listas resultaram do cruzamento de “inputs” diversos, de gente diversa, com opiniões, carreiras e visões da matéria diversas. São, portanto, compromissos. E o primeiro compromisso dos quais é com a linha editorial da BLITZ. O outro compromisso, assumido, tinha a ver com o 30º aniversário da nossa publicação – foram listas criadas pensando no que aconteceu na música dentro desse espaço de tempo. Feitas hoje, as listas resultariam naturalmente diferentes. Provavelmente colmatariam algumas falhas e certamente cometeriam outras. Impossível não ser assim.

O que não se entende é que haja quem veja nessas listas “jogos de interesse”, quem não se abstenha de passar atestados de incompetência a quem não se conhece, quem não tenha problemas em desejar que uma publicação como a BLITZ desapareça. Só porque fulano não é “reconhecido” pela BLITZ como o melhor num determinado instrumento ou actividade. Mas estas são pessoas que admitem logo à partida que não são leitoras da revista. Ou seja, gente que exige pertencer a um clube onde se recusaria a meter os pés. O oposto de Groucho Marx. Groucho Marx ter-se-ia indignado se fosse incluído na lista. E isso teria muito mais graça.