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Ambrósio, apetecia-me tomar algo

Que é como quem diz: 2016 já começou há 29 dias e vale a pena reparar que já há muito boa música para ouvir

Algo… glamoroso, mas sem perder o nervo rock? Emotional Mugger, o novo álbum de Ty Segall, nativo da Califórnia com uma quantidade apreciável de discos desde 2008, é calor em janeiro, “raw power” derivado de Stooges, MC5 e Johnny Thunders devidamente apimentado com o swing de Marc Bolan, dos T. Rex – não se nota tão bem?

Algo… luminoso, adolescente, nostálgico e pintalgado a Super 8? Ainda bem que o rock já não é, citando os Flight of the Conchords, “too many dicks on the dancefloor”. As Hinds vêm de Madrid, Espanha, e Leave Me Alone é o melhor retrato de dias livres e desimpedidos (“o amor, a farra e os dilemas que habitualmente se hiperbolizam para bem da arte”, escrevo eu amanhã na revista E, do Expresso) que vão ouvir (sejamos otimistas) neste arranque de ano.

Algo… a puxar para a nostalgia descarada? Há uma altura em que as bandas que obtêm picos de sucesso motivados pelo embalo de movimentos delimitados (britpop, no caso) começam a mirrar. Às vezes – ao contrário de George Costanza – nem sou eu, és tu. O tempo, que tão mal trata algumas velhas glórias que pareciam infalíveis in illo tempore, sabe cuidar dos bons. Os Suede – que já tinham levado uma “facada” nos anos 90 com a saída de Bernard Butler – retornaram em 2013 com a formação que onze anos antes lançara o inócuo A New Morning. Bloodsports era bastante bom (e que belo concerto no Coliseu de Lisboa aqui há atrasado), o novo Night Thoughts também tem muito que se lhe diga. “Like Kids”, o exemplo em apreço, poderia ser de 1990 e qualquer coisa. Faz clique, mesmo que não percebamos porquê.

Algo… hipnótico, aquático, envolvente? Os DIIV, de Zachary Cole Smith, lançaram um único álbum em 2012 e desde então ficámos a salivar. O rapaz descobriu substâncias aditivas, juntou-se a Sky Ferreira e não teve uma vida fácil. Às pinguinhas, sinais de vida e, agora, promessa de um segundo álbum a 5 de fevereiro. “Is The Is Are” é o tema-título e leva-nos daqui para outro lado por 3 minutos.

Algo… quente, relaxado, de luminosidade saturada e a lembrar os anos 70 americanos da segunda temporada da série Fargo? Siga para o terceiro álbum de Eleanor Friedberger (dos Fiery Furnaces), New View, e em especial para “He Didn’t Mention His Mother”, mas depois não se esqueça de recordar esta modinha mais antiga.