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Duas ou três notas sobre o top streaming português

Estamos no bom caminho. Mas ainda falta muito para se cantar vitória

Não havia como evitar. Apesar de algum cepticismo, hoje é notório que o streaming veio para ficar. Deste lado do mundo, cresce a dois dígitos e é inquestionável a sua relevância no consumo de música nos dias de hoje.

Mas, por ora, vale o que vale. Em Portugal ainda não existem números sobre o que aconteceu em 2015. Mas lá foram continuam a ser publicados os valores de faturação da indústria fonográfica. É por aí que nos podemos guiar.

Depois dos EUA, sabe-se agora que na Alemanha a indústria da música gravada cresceu 3,9% durante o ano passado. Isso representa, 1,54 mil milhões de euros, o valor mais alto desde 2009. E o grande responsável por essa subida é, claro, o streaming, cuja facturação aumentou 96,6%. Mas quanto vale o streaming no bolo total?

Ora, as vendas digitais, isto é streaming mais downloads (que caíram 2,6%) ainda não representam mais do que 30,9% do total do mercado. O produto físico, isto é vendas de CD mais DVD/Blue Ray mais vinilo, são ainda responsáveis por 69,1% do mercado. (Os fanáticos do vinil podem exultar com um crescimento anual superior a 30%; mas não valem mais do que 3,3% do mercado total.)

Isto quer muito simplesmente dizer que o streaming veio realmente para ficar. Mas também que quase tudo depende da velocidade do seu crescimento. Mas não só. Muito provavelmente esta será a forma privilegiada de consumo de música já em 2017, ou mesmo este ano caso, se acentue a queda na venda de CD.

E é aqui que interessa olhar para o top português de streaming após terem sido publicadas as suas primeiras tabelas, relativas às duas últimas semanas. Fica claro que os portugueses que estão no streaming são os mais jovens.

Durante estas duas semanas, nos três primeiros lugares encontram-se canções de Justin Bieber. Na tabela ontem conhecida é Shawn Mendes quem ocupa a 4ª posição, e só depois vem Adele, mas também Drake. Ainda nos dez primeiros estão também os Coldplay, Weeknd, Dengaz e Major Lazer. De David Bowie, na semana em que morreu, nada. A sua primeira canção, "Lazarus", surge num modesto 24º lugar.

Isto pode bastar para entendermos que é o público adolescente que cá, como nos outros territórios, está a utilizar mais intensamente os serviços de streaming.

E daqui pode retirar-se a primeira conclusão. A opção grátis do Spotify, ou o livre acesso generalizado do Meo Music, revelam-se cada vez mais como imprescindíveis para combater a pirataria. Não sendo o melhor negócio do mundo, daí as queixas de alguns artistas e de alguns líderes da indústria, parece ser a única maneira de resgatar as gerações mais novas dos serviços de torrents e do download dito ilícito.

Mas isso também quer dizer que este modelo depende imensamente da taxa de conversão de que for capaz. Por miúdos: da capacidade dos serviços de streaming passarem os seus clientes grátis para as tarifas pagas. Baixas conversões representarão, mais cedo ou mais tarde, o falhanço da melhor ideia da indústria dos conteúdos do século XXI.