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Porque é que o streaming incomoda muita gente?

Veio para ficar. Quase acabou com a pirataria. E o seu crescimento é indisputável. Mas ainda há quem não esteja satisfeito

Os dados da indústria discográfica que por estes dias começam a chegar não enganam. O streaming está a impor-se como a forma preferida de audição de música. É o que nos dizem dos maiores mercados do mundo. No Reino Unido, o total da faturação com música gravada subiu 3,5% em 2015. É o maior valor de sempre desde 2011, revertendo uma tendência negativa com mais de uma década e que marcou todo o século XXI. O streaming só representa 23,7% desse valor, mas revela uma tendência de crescimento completamente contrária ao declínio que se assiste na venda de álbuns e singles. Para que não existam dúvidas, o consumo de streaming subiu 87% no Reino Unido.

Nos Estados Unidos da América, outro grande mercado para o qual já possuímos estatísticas, esta explosão é ainda mais notória. É um número redondinho: as canções ouvidas em streaming, através de serviços como o Spotify, Apple Music, Google Play, YouTube ou Tidal registaram um crescimento de 100% nos 365 dias de 2015. São 317 mil milhões de faixas ouvidas através desses serviços.

Apesar de tudo, há quem não goste. Mesmo que o streaming tenha sido o principal responsável pelo quase desaparecimento da pirataria, alguns envolvidos na indústria discográfica opõe-se terminantemente a esta nova forma de consumo de música. Entre as figuras públicas encontram-se Taylor Swift e Adele. Ambas impediram que as canções dos seus últimos álbuns fossem disponibilizadas com o argumento de que a opção gratuita que se encontra no Spotify, ou o modelo completamente gratuito do YouTube, é injusto para os artistas.

A maior oposição, porém, não vem tanto dos artistas como de alguns dos maiores responsáveis da indústria do disco. São, muito provavelmente, os mesmo que foram incapazes de perceber que a opção gratuita do Spotify é a melhor forma de fazer a transição de um modelo em que a pirataria reinava para outro em que se acede à música através de subscrição. São os que sonham voltar aos anos 90, a década dourada da indústria fonográfica quando o CD permitia vendas astronómicas não só de novidades como do fundo de catálogo. São os que vivem num mundo que já não existe.

Em Portugal ainda não dispomos de estatísticas relativas ao ano que agora findou. Mas já sabemos que na próxima semana vai ser lançado o top de streaming. Trata-se de uma ferramenta essencial para os responsáveis da indústria poderem decidir baseados em factos. E também para os consumidores saberem realmente o que é ouvido. Há muito que o top de vendas de CD se reporta a uma reduzida fatia da população – os mais velhos e os mais novos – deixando de fora a maioria dos apreciadores de música.

Saudemos então a chegada do top streaming que a BLITZ passará a publicar no seu site todas as semanas.