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A pirataria não morreu

Na edição de ontem do Expresso Diário, o diretor da BLITZ aborda o "regresso" da pirataria.

A indústria da música, bem como a do cinema e a da televisão, viveram estes últimos 15 anos açoitadas pela pirataria. O advento digital depauperou uns e outros de maneira formidável. Em Portugal, por exemplo, as vendas de música gravada terão caído durante este período para um décimo dos valores alcançados no final do século XX. Toda esta destruição de valor só começou a amainar com a chegada de um novo paradigma: o streaming, através do qual o utilizador não possui fisicamente o disco, o filme ou a série de TV, nem sequer os ficheiros correspondentes, mas tão só a capacidade para aceder a esses conteúdos. A partir daí, tudo mudou. E, feitas as contas, foi dado um valente pontapé na pirataria, que deixou de fazer sentido. Ora, se serviços como o Netflix ou o Spotify oferecem, por tarifas muito em conta, um serviço profissionalizado capaz de permitir o acesso a um catálogo imenso de música, filmes ou séries, para quê descarregar ficheiros ilegais? O que se verificou nos últimos anos, sobretudo devido à existência da opção grátis do Spotify que dá permissão à utilização do seu serviço em troca da passagem de publicidade, foi a queda da pirataria em larga escala. O fecho dos maiores sites que disponibilizavam esses ficheiros também constituiu um contributo valioso para se chegar a esse novo paradigma. Porém, as últimas notícias revelam que a pirataria não está - nunca estará, muito provavelmente - eliminada da face da terra. A 10 de outubro irá será lançada a versão alpha de uma nova aplicação/website, o Aurous, que concorrerá diretamente com o Spotify e com a Apple Music sem exigir qualquer quantia aos seus utilizadores. Pode ser instalado em qualquer sistema operativo e a tecnologia utilizada é a dos BitTorrents, pelo que a música não estará armazenada num único servidor, mas sim em vários que, entre si, disponibilizam de forma descentralizada todos os conteúdos. O Aurous, escusado será dizer, disponibilizará não só todas as canções que estão presentes no Spotify mas também as que não estão, como é o caso das faixas dos Beatles ou de Taylor Swift. Quem já experimentou, como os jornalistas do Torrentfreak, diz que o acesso e a disponibilização da música sucede a uma velocidade exímia e que o "look and feel" da app é extremamente semelhante à do Spotify...

AUROUS - aspeto do novo serviço de streaming a ser lançado no dia 10 de outubro Nada que os apreciadores de filmes e de séries de TV mais dados ao consumo de ficheiros por via ilegal não conheçam. Apesar do surgimento de serviços como o Netflix, que chega a Portugal dentro de um par de semanas, e do desaparecimento do Wareztuga, há um site de apelo global que tem dado nas vistas. No Popcorn Time, filmes e séries de TV são disponibilizadas, com a cobertura de buracos na lei, proporcionando a utilização de conteúdos sem qualquer remuneração para os seus autores e produtores. A pirataria resiste, e nunca será, muito provavelmente, eliminada. Por cá, ficou célebre o pedido de um político português numa rede social quando um dia pediu um link para ver um jogo de futebol do Sporting. Miguel Cadete Artigo publicado na edição de 29 de setembro do Expresso Diário