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Pink Floyd: 'Quando uma reunião é um crime'

O diretor da BLITZ comenta o fim dos Pink Floyd, capa da BLITZ de setembro, nas bancas.

Quando uma reunião é um crime Quando, há um mês, a redação da BLITZ decidiu fazer capa com os Pink Floyd, esta destinava-se a celebrar meio século de existência do grupo fundado por Roger Waters, Syd Barrett, Nick Mason e Richard Wright. Outros pretextos havia: um novo álbum de David Gilmour e mais uma encenação de The Wall por Roger Waters. Tudo bons motivos para recuperar a única banda que em Portugal conseguiu esgotar, em dois dias consecutivos, o antigo estádio de Alvalade. Nenhuma outra o ousou, ninguém mais conseguiu. A entrevista de David Gilmour que damos à estampa este mês vem dar uma renovada atualidade ao tema. Os Pink Floyd já não existem. Gilmour anuncia que não cederá ao sonho de milhares, senão mesmo milhões, de fãs dos Pink Floyd, para que suceda uma reunião entre os três membros sobreviventes. Assim sendo, a última vez em que subiram a um palco terá sido em 2008, durante o Live 8. Do lado de Gilmour não sobram dúvidas: "não quero viver no passado, quero viver no preciso momento em que me encontro e quero gozá-lo ao máximo. Estou aqui para falar sobre um álbum novo e uma digressão nova e não sobre a minha relação com o Roger [Waters] ou sobre aquilo que criámos em 1975. Os Pink Floyd foram fabulosos, mas acabaram, terminaram. E a vida continua. Algumas pessoas não percebem isso ou estão simplesmente a ignorar esse facto. Tenho de pedir-lhes que respeitem a minha posição e os meus desejos". A ideia é reiterada na conversa que o veterano inglês manteve com a revista "Classic Rock": "para mim, [Pink Floyd] são apenas duas palavras que juntam o trabalho que quatro pessoas fizeram juntas. É só um grupo pop. Não preciso dele. Não quero voltar ali". Os fãs escutarão nestas palavras uma sonante bicada a Roger Waters e, provavelmente, um imerecido esquecimento do trabalho de Syd Barrett. Mas o que ressalta desta entrevista de David Gilmour é uma crítica feroz ao que alguns dos seus contemporâneos têm vindo a fazer ao longo dos últimos tempos. Compare-se, por exemplo, com os Led Zeppelin ou os Rolling Stones. Claro que o contexto dos Pink Floyd é bem diverso. Mas estas palavras são música para os ouvidos dos moralistas que consideram toda e qualquer reunião de uma banda como um crime de bradar aos céus. Os Pink Floyd não cairão nesse alegado erro. A menos que Roger Waters esteja realmente empenhado em retirar essa bandeira a David Gilmour e se junte por uma última vez a Nick Mason, o único membro fundador que resta, para ser verdadeiramente um desmancha-prazeres. Afinal, de quem são os Pink Floyd? Miguel Francisco Cadete