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Foi a primeira vez que insisti com os meus amigos para ir a concerto, mas claro, ninguém se mostrou disponível para ir naquela noite ver um concerto a Aula Magna. Eu pensava para mim " Se ninguém quer ir eu não vou perder de nenhuma forma um concerto de Fantomas". Foi a primeira vez que fui a um concerto sozinho, estava muito ansioso por sentir na realidade toda aquela loucura que é o mundo Fantomas ao vivo. Podia-me arrepender em diversos aspectos, desde não achar piada nenhuma ao que iria passar, ou então sairia de queixo no chão por ter participado numa viagem alucinante ao comando de Mike Patton.
A sala estava completamente as moscas e ainda sentia o cheiro do mofo das cadeiras, o frio ainda comandava as noites de Maio e o gorro era uma companhia ideal. Praticamente eu e meia dúzia de gatos-pingados na sala e sussurrarem uns para os outros as novidades da altura. A sala começa a ganhar adeptos. A primeira parte ficará a cargo de Kubik. Um tipo com uma guitarra eléctrica e 3000 pedais, lá tocava e "cantarolava". O tipo ate tinha pinta e era tuga, um verdadeiro one man show, fazia-me lembrar uma verdadeira banda sonora para animação. Um som muito experimental, sei lá uma mistura de sonic youth com melvins e primus e algumas tendências industriais. Foi um bom inicio de sessão.
No entanto a propria sala acabou por estar acolhedora, e os Fantomas estavam prestes a começar. Entraram sorrateiramente e começaram logo com o espectáculo. Inicialmente senti a falta de um elemento na banda. Dave Lombardo não tinha vindo nesta viagem, talvez pelo facto que na altura ele ter voltado aos Slayer e estar a promover a sua reentrada na banda. Para seu lugar estava Dale Crover. Mas desde o inicio do concerto ate ao fim não existiu nenhum momento morto e foi uma viagem ao experimentalismo e avant garde metal. Era impossível ficar-se indiferente depois de um concerto daqueles. De certa forma foi bom ter visto ao perto Buzz Osborne (Melvins), o Trevor Dunn (Mr. Bungle) e claro o Mike Patton mais uma vez. Ao longo do concerto eu e toda a plateia nem tínhamos direito a aplaudir a banda pelo trabalho formidável que estavam a apresentar. So em momentos que os sintenizadores entravam ou alguma musica tivesse a acabar o publico reagia. O impacto foi bastante bom, de facto existe uma química platónica entre estes elementos para que este projecto tenha mesmo o sucesso que tem. Fazer o que fazem em disco é bastante complicado, agora fazer dos discos espectáculos é algo que não existe palavras para descrever. Mike Patton já era uma voz que valorizava a muitos anos pelos trabalhos feitos pelos Faith no More, Mr Bungle e mais recentemente Tomahawk e Peeping Tom. Mas ser eu mesmo a ver com os meus olhos um concerto de Fantomas e ter a certeza que todas aquelas vozes estão ali em directo e cores, eu tive que me render ao mediatismo todo a volta de Mike Patton. Existe muitos outros projectos que Patton tem dado o seu contributo, destaco o envolvimento com Dillinger Escape Plan, de resto acho que poderia mesmo evitar certas contribuições, mas ter no mínimo 4 bandas que o fazem render o seu mediatismo é obra. Realmente este é o verdadeiro homem das 1000 vozes. Fui sozinho ver este concerto, mas nunca me arrependi de ter o feito...
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E o Patton tem muito disso. Acho que não estou a mentir se disser que o gajo está muito à frente e eu ainda não cheguei lá. E acho que tão cedo não vou chegar :p
Peeping Tom e Fantomas e Mr Bungle é mesmo comidela de milo. Já tomahawk é porreiro, mas nada que me faça delirar. Apenas interessante.
Pra já fico me mesmo pelos Faith No More...