BLITZ Homepage
Moonspell ao vivo no Campo Pequeno, em Lisboa [reportagem + fotogaleria] -

Moonspell ao vivo no Campo Pequeno, em Lisboa [reportagem + fotogaleria]

Figuras maiores do heavy metal português celebraram 20 anos de atividade e apresentaram álbum novo. Leia a reportagem do concerto e veja as fotos.



A noite não era de lua cheia, mas os Moonspell trataram de recriar o fenómeno para os fãs que se deslocaram ao Campo Pequeno para assistir ao concerto de apresentação do mais recente trabalho de estúdio da maior banda de metal de que há memória em solo nacional - mas também à festa de 20 anos do grupo liderado por Fernando Ribeiro.

Mais que isso, os Moonspell são um dos nomes nacionais com maior sucesso e exposição além-fronteiras, uma força que ninguém lhes pode negar e que os coloca numa posição muito especial. Há quem ache que o valor de uma banda deve ser medido pela qualidade do álbum mais recente em oposição aos louros já conquistados e foi isso que Fernando Ribeiro e companhia provaram desta vez, com um espetáculo de cerca de duas horas e meia onde interpretaram na integra o duplo Alpha Noir/Omega White e apenas alguns dos seus temas emblemáticos.

Mais que uma prova de coragem, esta era uma prova de confiança na lealdade dos fãs e na qualidade de um projeto, a comemorar duas décadas de existência este ano, feito de músicos que já não têm absolutamente nada a provar.

Com ambiente reminiscente, mas não tão efusivo, de concertos anteriores no Convento do Beato, no Coliseu dos Recreios, na Incrível Almadense e na FIL, o objetivo da banda passava por recriar o sentimento de celebração que está reservado apenas a ocasiões de exceção.

E a verdade é que, cada vez que lançam um disco novo, os Moonspell conseguem montar um espetáculo que deixa marcas e esta ocasião não foi exceção à regra. À hora marcada para o início da atuação, a plateia do Campo Pequeno mostrava-se ainda desoladoramente despida, mas os seguidores do feitiço não fizeram desfeita e, quando a banda subiu ao palco 20 minutos depois, a arena já começava a compor-se.

Para uma noite que se queria, como Ribeiro fez questão de mencionar parafraseando o escritor José Luís Peixoto, "para contar aos filhos e aos netos", a recordar memórias dos grandes concertos a que os elementos dos Moonspell assistiram quando eram adolescentes.

Os tempos são outros e o espírito que se vivia em dias de concerto no Dramático de Cascais perdeu-se pelo caminho, mas a partir do momento em que as luzes se apagaram e se avistaram as primeiras silhuetas em palco, o público fez notar o seu entusiasmo e, com uma gigantesca parede de amplificadores nas costas, pirotecnia com fartura e um espetáculo de luzes exemplar, os músicos atacaram com determinação "Axis Mundi" e "Lickanthrope".

Tornou-se óbvio desde cedo que não pouparam esforços na criação de um espetáculo de nível superior em termos cénicos e sonoros, em que interpretaram - pela ordem em que estão nos discos - os 17 temas que compõem Alpha Noir/Omega White . A primeira parte da atuação, composta pelo material mais agressivo, teve diversos pontos altos e revelou todo o potencial dos temas novos. "Em Nome do Medo" pode perfeitamente ser uma nova "Alma Mater" ou, pelo menos, é isso que indica a reação efusiva a este tema cantado na íntegra em português.

Incansável, Ribeiro pediu o primeiro circle pit em "Opera Carne" e, assumidamente "portugueses e orgulhosos", os cinco músicos atiraram-se de cabeça a uma "Grand Stand" que não deixou ninguém indiferente e à qual se seguiu "Sine Missione". Bastaram os acordes iniciais de "Finisterra" para o entusiasmo se generalizar finalmente e, com uma furiosa "Night Eternal" a seguir-se, atingia-se ali a fase mais agressiva do alinhamento.

O vocalista da banda pedia ao público que respondesse com "toda a alma" e os presentes, claro, não se fizeram rogados. Outra coisa não seria de esperar, com uma muito celebrada viagem até 1995 e ao disco de estreia, Wolfheart . "Wolfshade (A Werewolf Masquerade)" deu o mote para o final da primeira parte da atuação e também deu oportunidade ao guitarrista Ricardo Amorim para interpretar um solo em que mostrou todo o seu talento técnico e alma criativa.

"Vampiria" e "Alma Mater" puseram toda a gente a cantar, provando que - tanto tempo depois - há riffs e refrões que continuam a ter o mesmo apelo que na altura em que foram gravados originalmente. Tendo em atenção a resposta em ocasiões anteriores, a fasquia estava bastante alta, mas aquele "virando costas ao mundo, orgulhosamente sós" continua a não deixar ninguém indiferente.

Paragem para uma total remodelação de palco, agora decorado de branco (bateria e tudo!), sem a parede de amplificadores e com um ecrã de fundo onde seriam projetadas as imagens criadas pelos alunos da ETIC para acompanhar o material de Omega White .

De natureza mais declaradamente gótica, estes temas colocaram um pé no travão e, por esta altura, o espetáculo tomou uma direção mais introspetiva. Acompanhados agora pelas Crystal Mountain Singers e por dois violoncelistas dos Opus Diabolicum, os músicos começaram a sua homenagem a alguns dos artistas que os influenciaram com "White Omega" e "White Skies", esta última com direito a microfone suspenso e tudo.

A dedicatória ao malogrado Peter Steele foi particularmente bem recebida e "New Tears Eve" foi, aliás, um dos pontos altos desta segunda fase, com a neve a cair em palco a piscar o olho aos Type O Negative por alturas de October Rust .

Mais quatro temas novos e, perante a iminência de uma derradeira perda de "gás", o grupo ataca a incontornável "Opium" e os níveis de energia voltam a subir. "An Erotic Achemy" manteve os ânimos elevados e deu continuidade a uma sequência final apoteótica, que ficou completa com "Raven Claws" (num dos melhores momentos visuais da noite), "Scorpion Flower" (com as Crystal Mountain Singers a fazer a vez da Anneke Van Giersbergen, presente apenas nos ecrãs) e uma "Fullmoon Madness" cantada em uníssono provocar reações verdadeiramente efusivas.

O público das bancadas levantou-se, o coletivo saiu do palco sob uma chuva de aplausos e a verdade é que, apesar de algumas arestas a limar (normais num concerto que também foi uma experiência), justificou plenamente o entusiasmo da despedida. Um ótimo mote para uma digressão que a vai levar aos quatro cantos do mundo durante os próximos meses - e percebe-se porquê.

Alinhamento

Axis Mundi
Lickanthrope
Versus
Alpha Noir
Em Nome do Medo
Opera Carne
Love Is Blasphemy
Grand Stand
Sine Missione
Finisterra
Night Eternal
Wolfshade (A Werewolf Masquerade)
Vampiria
Alma Mater
White Omega
White Skies
Fire Season
New Tears Eve
Herodisiac
Incantatrix
Sacrificial
A Greater Darkness
Opium
An Erotic Alchemy
Raven Claws
Scorpion Flower
Fullmoon Madness

Texto: José Miguel Rodrigues
Fotos: Rui de Freitas
Artistas de A a Z    ¤   Moonspell
Notícia escrita por LG Domingo, 13 de Maio às 3:12
 Comentários
 
Home  |  Termos de Utilização  |  Política de Privacidade  |  Notícias  |  Fórum  |  Agenda  |  Festivais  |  Artistas de A a Z  |  Classificados  |  Galerias  |  Blitz TV  |  Edição Impressa  |  Assinar Revista  |  Newsletter  |  Passatempos  |  BLOGS  |  Ficha Técnica  |  F.A.Q.
© copyright BLITZ 2006. Todos os direitos Reservados
BLITZ - Edificío São Francisco de Sales, Rua Calvet de Magalhães 242 - 2770-022 Paço de Arcos T. 21 4544161 F. 21 4415843 e-mail: blitz@impresa.pt - Anuncie na Blitz