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Leonard Cohen - Old Ideas [leia a crítica da BLITZ 68]
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Continua intacta, a suavidade das canções faladas do canadiano sedutor. Podem ser velhas ideias, mas a nós soam-nos a imagens frescas. |
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A imagem que guardamos dos últimos concertos de Leonard Cohen em Lisboa é a de um quase octogenário que não sente os anos passar por si. A jovialidade com que o cantautor canadiano saltita em palco - entre canções tão monumentais quanto "I'm Your Man", "Suzanne" ou "Dance Me to the End of Love" - é a mesma com que se entrega às composições deste novíssimo
Old Ideas
. A voz conspícua e sussurrada, raras vezes pesarosa, continua a ter a capacidade de fazer tremer pernas - e paredes - e o respeito com que trabalha as palavras permanece admirável. A nossa porta de entrada para esta coleção de dez pérolas até pode ter sido o folk rebelde, pintado de blues, de "Darkness" (os versos
"I got no future / I know my days are few"
não nos assustam, nesta ode à escuridão da alma), mas fomos apanhados desprevenidos pelas malhas apertadas de um álbum que termina magistralmente com "Different Sides", enamorado dueto homem/mulher (a parte feminina é assegurada pela voz de veludo de Dana Glover) que prova como Cohen continua a cantar a paixão com um fôlego inigualável:
"Both of us say there are laws to obey / But frankly I don't like your tone / You want to change the way I make love / I want to leave it alone"
.
Gostamos tanto de Leonard Cohen quando se autoflagela, cantando
"He's a lazy bastard / Living in a suit"
no lume lento da faixa de abertura, "Going Home", como quando nos tenta embalar com uma "Lullaby" que conta a história de amor entre gato e rato de forma tão suave quanto o vento a tocar nas árvores. Cohen deixa as sombras tomar conta das suas histórias sem que isso nos cause inquietação: "Crazy to Love You", pela forma como nos soa a sequela de "Bird on the Wire", é provavelmente a pedra de toque de um álbum que se tornou, aos nossos ouvidos, um clássico instantâneo. E com discos marcados por tanta honestidade, com canções deste calibre, não nos importávamos de lhe tirar novamente o chapéu, num qualquer palco deste mundo.
4/5
Texto: Mário Rui Vieira
Publicado na BLITZ 68, já nas bancas
Artistas de A a Z
¤ Leonard Cohen
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Notícia escrita por
MRV
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