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Histórias de Estante
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| Neil Young "Harvest" |
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Bob Dylan ou Neil Young? Não sei. Sei é que a junção destes dois nomes é sempre um bom mote para uma acesa discussão. Mas daquelas boas, sobre música.
Mas respondendo à pergunta inicial, depende dos dias. Gosto dos dois, embora seja do senso comum a maior reverência dedicada ao senhor Dylan. Qual dos dois é capaz de oferecer o melhor espectáculo? Aqui, não hesito um segundo sequer. Já tive a oportunidade de ver ambos ao vivo e a cores e o senhor Dylan (que nunca foi um animal de palco e a idade, aliada ao mau feitio, piorou a coisa) ficou muito aquém do furacão Young, não importa que este partilhe com Dylan a provecta idade e a saúde debilitada. Aqui o vencedor é indiscutível.
Uma vez que pretendo dedicar esta prosa ao senhor Neil Young, remeto-me a uma pergunta dirigida pelo próprio a uma vasta audiência rendida a meio de um concerto esmagador, no Verão do ano 2001, no saudoso festival Vilar de Mouros: "O que querem ouvir agora? Uma no piano, uma acústica, ou uma eléctrica?"
Como já foi há imenso tempo, se bem me lembro, a resposta foi "eléctrica!!", ao que soou a sempre vibrante "Rocking in the Free World", ou se calhar foi mesmo uma "Like a Hurricane" no órgão. Não sei, mas foi certamente uma destas duas opções.
Este Canadiano, que acabou por abraçar o país que de tão grande que é usa o nome de um Continente como seu, estabeleceu-se como um trovador multifacetado: Foi Folker, foi Countryman, foi Rocker furioso e até foi artista mais do que Avant-Garde, a ponto de a sua editora (Geffen) ameaçar despedi-lo por achar que este começara a fazer música deliberadamente má. Pode não ter sido essa a intenção, mas o certo é que Young nunca caiu no conformismo artístico de muitos nomes consagrados da praça.
Que não haja enganos. Eu gosto do Young Rocker, agarrado a uma guitarra eléctrica como se não houvesse amanhã, mas há um ou outro aspecto que acaba por desagradar-me nesta sua faceta. Ouso citar três temas dos mais épicos: "Down By the River", "Cowgirl in the Sand" e "Cortez the Killer". Grandes temas, mas a verdade é que aqueles intermináveis solos de guitarra numa só corda acabam por tornar-se maçudos. Um sentimento que até sinto vergonha de confessar, dirigindo-me à obra de tão ilustre e querido artista.
Parece-me que é no lado mais (aparentemente) calmo e acústico que reside o melhor Neil Young e o mais temível concorrente do venerando Bob Dylan. Foi em 1972 que Young, na altura já um nome consagrado (nos Bufallo Springfield, com a tripla Cosby, Stills e Nash e já como artista a solo), editaria a obra que o catapultaria em definitivo para o estrelato e que logo a curto prazo, seria o disco mais vendido desse ano no mercado Americano e a longo prazo, o disco mais bem-sucedido de toda a sua carreira: "Harvest".
Para a sua criação, a aura de Nashville foi fundamental, rodeando-se de uma pandilha de músicos da área (The Stray Gators). Não é preciso dizer muito. Este é o disco de "Heart of Gold", uma das mais belas canções de sempre, que versa sobre uma procura que é Universal. É também um disco de canções ricas como "Old Man", "There´s a World" ou a "Man Need´s a Maid" e, pelo outro lado, contrariando uma aparente aura de "acessibilidade", este é também o disco da simplesmente arrasadora "The Needle and the Damage Done", um poderoso argumento arremessado a todos aqueles que professam a "coolness" do uso de drogas.
Onde os há, que os há, "Harvest" figura no reduto destinado aos discos perfeitos e será sem dúvida um dos melhores (talvez o melhor?) do senhor Young, que depois desta experiência, enveredaria por caminhos mais sónicos, cimentando a identidade que mais tarde lhe angariaria o título de "Padrinho do Grunge". Item indispensável na minha estante, obtive-o pela primeira vez num conjunto de vinis oferecido por um senhor amigo e, na altura, mais entretido por outros mais apelativos como os dos Beatles e os dos Deep Purple, ainda demorei um tempo a passar-lhe a agulha. Foi com ele que descobri que afinal, gostava do Neil Young, só que ainda não o tinha ouvido:) Acabei por ficar sem ele após emprestá-lo a alguém que nunca mais o devolveu e muito mais tarde, consegui outro exemplar numa loja de usados, que permanece de pedra e cal na minha modesta colecção.
Este é um disco com história. Mas o seu autor ainda não passou à história. Acaba inclusive de editar um disco novo com os seus velhos comparsas Crazy Horse ("Americana") e o mais certo é que continue a fazer história por muito tempo. Haja figuras inspiradoras como esta. Amém.
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Artigo escrito por
porcoespinho
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Que tens contra solos intermináveis? I like. E não há ninguém que os faça melhor que o Neil. Isso, e simplesmente dar strokes lentos numa guitarra. Transforma o que é simples e básico em épico. Qualquer palhaço, até eu, pega numa guitarra e lhe dá um downstroke e quem ouvir aquilo acha aquilo uma parvoíce tremenda, sem sentido nenhum e uma falta de talento gritante.
O Neil faz isso durante uma música e soa épico. Just with a fucking downstroke!!!
É certo que discos como o Harvest, o Zuma e o After The Gold Rush são intemporais (O ATGR nem lhe acho muita piada, mas carai, tem lá a southern man e a lonesome me!!)
Mas e o Tonight's The Night? E o Broken Arrow? E o Freedom? E o Living With War? Tanta coisa boa que o homem tem. Acho que não há um artista em geral com uma obra tão boa, extensa e diversificada. Estou neste momento profundamente arrependido de em 2008 ter passado a oportunidade de o ver, ao vivo e a cores. Que urso.
Agora com licença que vou ali rodar a Let's Impeach The President e penso o quao à frente está o Neil. E nem começo a falar em letras
Até me esqueci do On The Beach e do Harvest Moon!!