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GNR no Coliseu de Lisboa: texto e fotogaleria -
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GNR no Coliseu de Lisboa: texto e fotogaleria

Em noite de derrota do FCP, os GNR celebraram com garra os 30 anos de carreira. Luísa Sobral e New Max entre convidados de um concerto marcado, também, pelas tiradas de Rui Reininho,

"As linhas aéreas GNR dão-lhe as boas vindas a bordo. Este é um voo de não fumadores. Informamos que é permitido recolher imagens com os telemóveis para, de imediato, as colocar no Facebook". Esta foi a mensagem que, se a memória e os apontamentos não nos falham, se escutou ontem à noite no Coliseu dos Recreios, antes de os GNR entrarem em palco para um concerto de celebração dos 30 anos de carreira, a reboque do disco Voos Domésticos .

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A introdução foi espirituosa e o muito público presente (é bom ver as bancadas, e não apenas a plateia, cheias) reagiu com uma ovação entusiasmada; aliás, apesar de algumas provocações de Rui Reininho, naturalmente acabrunhado com a derrota do seu FCP, os espetadores estiveram quase sempre com a banda nesta descida dos portuenses à "capital do império", como se lhe referiu o vocalista.

Não obstante a importância dos outros dois GNRs "de origem" - o fundador Tóli César Machado, ontem entregue sobretudo aos sintetizadores, guitarra acústica e acordeão, e o imparável Jorge Romão, um dos baixistas mais enérgicos que já teremos visto em palco - é sobre Rui Reininho, de fato escuro sobre uma camisa vermelha que garante ter há 30 anos, que muita da atenção recai. Fazendo interpelações em francês e italiano, referindo-se aos casos "quentes" do momento ("Os ricos vão ao Tribunal, os pobres ao Coliseu") ou simplesmente optando pela liberdade poética inesperada ("Já os National disseram: tough crowd, but we can fuck them", improvisou, após a reação morna a "Sete Naves"), Reininho funciona quase como "voz off" da própria atuação.

"Jorge" - disse para o colega Romão, depois do "dueto" de bateria entre Ruka e Tóli César Machado, em "Mais Vale Nunca" - "se depois disto não dás duas esta noite, estás feito". Logo de seguida, polvilhou a interpretação de "Vocês" com referências a estilos, países, artistas e canções ("Brásiu, Jobim!", exlamou a certo ponto, antes de disparar, sem chegar a cantar, "Imagine!" e "I'm just a jealous guy", ambas da lavra de John Lennon). É quase como se Reininho não conseguisse evitar ser uma espécie de citador compulsivo e comentador constante do concerto do qual é, também, protagonista - assim acontece quando elogia a "simplicidade de meios" de Tóli ou diz que "Burro em Pé" é sobre "a FENPROF, os mestrados e essas coisas sexy".

Acompanhados em palco por mais quatro músicos (na bateria, guitarra, teclas e violino), os três GNR demoraram umas três ou quatro canções para colocar este voo doméstico à altitude desejada. Na descolagem, "Reis do Roque" e uma versão mais sagrada do que profana de "Vídeo Maria", próxima da abordagem "sofisticada" do disco de releituras, ofereceram um começo a meio gás. Mas, com "Asas Eléctricas" (Reininho exclamando "oooh lá lás", chuva de referências a Tony Carreira e réus famosos, mais um refrão bem conhecido), a aeronave começou a seguir a rota dos êxitos. "Efectivamente", com Jorge Romão a pegar na bandeira dos fãs, entregue em mãos pelo público, foi um dos primeiros grandes momentos da noite e, logo a seguir, "Ana Lee" trouxe a primeira convidada, Marta Ren, ex-Sloppy Joe, atualmente nos Movimento, e dona de uma bela voz e presençaa condizer.

Se nalguns casos o público parecia mais inclinado a cantar os grandes êxitos como sempre os conheceu, e a banda preferia apresentá-lo com arranjos mais lentos , causando algum desencontro de vontadesnoutros a comunhão foi notável: "Pronúncia do Norte", com New Max a representar Leça da Palmeira e os Expensive Soul, foi recebida com regozijo e sem regionalismos; "Cais" gerou comoção por vir acompanhada da revelação da noite ("Levámos três da Académica", desabafou Reininho, entoando, com humor, "... na hora da despedida") e, já na reta final, as incontornáveis "Dunas" ("Unhas", cantou ele) e "Sangue Oculto" deixaram a plateia sedenta por mais (verdadeiramente; depois de acesas as luzes da sala, ainda havia quem esperasse o regresso dos heróis).

Neste voo geralmentee tranquilo, mas com algumas escalas inesperadas, destaque para a participação da cantora Luísa Sobral - uma "voz única", elogiou o anfitrião, "a sereia no topo do bolo!" - em "Únika" e "Popless", e ainda para o delírio popular trazido por "Morte ao Sol", uma das canções mais festejadas pela plateia. "Não há isqueiros?", provocou Reininho para, quando as primeiras luzitas se acenderam, comentar: "Parece Scorpions!". A verdade é que, no desfecho mais rock da canção, os corações se afadigaram e ficámos com a nítida sensação de que era este registo, mais do que o cetim dos novos arranjos, que muitos espetadores esperavam encontrar no Coliseu.

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Rui Reininho com Luísa Sobral


Com agradecimentos ao serviço público ("Os únicos que nos apoiaram agora") e um manguito para os outros, os GNR despediram-se de Lisboa com "Espelho Meu", "Portugal na CEE" ("Quanto mais se fala, menos se vê" - ainda atual, portanto) e "Sexta-feira", cantada por New Max, que colaborou com Rui Reininho no seu disco a solo e trouxe a este concerto uma abordagem mais funky e hip-hop. "Hasta la victoria, sempre! Anarquia ou morte!", gritara, minutos antes, um Rui Reininho sempre em roda livre. Apesar de uma "hesitação" das projeções vídeo - que a banda aproveitou para pedir ao público a cantiga dos parabéns, relativos às 30 primaveras - e de alguma turbulência no alinhamento, foi um espetáculo generoso aquele que os GNR ofereceram a um Coliseu que teve Jorge Palma no camarote presidencial (e João Só como espetador atento).

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Marta Ren, Luísa Sobral, Rui Reininho e New Max (esq-dir)


Na primeira parte, os Capitães da Areia apresentaram-se de vestes veraneantes (a t-shirt às riscas é quase um uniforme da jovem banda da editora AmorFúria) e coração aberto às influências da pop portuguesa dos anos 80. Os Heróis do Mar passam por aqui, mas os GNR mais vintage também: aliás, na despedida, os Capitães da Areia quiseram agradecer o convite para tocarem "não com a maior, mas com a melhor banda portuguesa de sempre. E isto é indiscutível, porque os gostos não se discutem".

A ousadia dos Capitães não se fica pelas declarações; sete pessoas em palco, embora por vezes o som do saxofone e das teclas se perdesse um pouco, fazem canções literalmente de estio ("Está sol e isto é um guarda-sol", anunciaram a certa altura, empunhando uma sombrinha chinesa) que tanto cantam as virtudes das "raparigas de Cascais" como mencionam Homero e Electra. Da mesma família estética d' Os Golpes, os Capitães beneficiam de algumas canções orelhudas (como "Dezassete Anos", durante a qual atiraram beijos repenicados para o público, ou "Bailamos no Teu Microondas") e da postura confiante do vocalista Capitão Pedro, que passou do "Palmas, muitas palmas. Sabem o que são palmas?" inicial para o derradeiro "Estar aqui foi estar no céu voltar". O primeiro disco, lembraram-nos à saída, já saiu - e chama-se, muito apropriadamente, O Verão Eterno dos Capitães da Areia .

Texto de Lia Pereira
Fotos de Rui de Freitas

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Notícia escrita por LP Domingo, 20 de Novembro de 2011 às 2:58
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