EDP Paredes de Coura 2012: o festival em 5 minutos [o balanço: os melhores concertos, as desilusões, as fotos que não queremos esquecer]
De acordo com a organização, passaram pelas margens do Tabuão 85 mil pessoas em cinco dias de festival. Este será, irremediavelmente, o festival dos Ornatos Violeta. Mas houve outros motivos de destaque.
Terminou na sexta-feira a 20ª edição do festival de Paredes de Coura. À Lusa, o organizador João Carvalho (da empresa courense Ritmos) fala em "sucesso" e aponta para uma afluência de 85 mil pessoas distribuídas pelos cinco dias do evento: num balanço "que não é final", Carvalho fala em 5 mil espetadores no primeiro dia (2ª feira, 13 de agosto), 12 mil no segundo (14/08), 20 mil no terceiro (15/08, o primeiro dia com o palco principal em funcionamento), 23 mil no quarto (16/08) e 25 mil no dia de encerramento, encabeçado pelo concerto de regresso dos Ornatos Violeta (17/08).
A BLITZ esteve em Paredes de Coura em reportagem. Veja o que escreveram Lia Pereira e Luís Guerra, e o que captou a câmara de Rita Carmo:
Os "maiores":
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Ornatos Violeta
: triunfantes depois de dez anos de ausência. Sangue, suor e lágrimas. Veja aqui as fotos de um concerto intenso.
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Whitest Boy Alive
: ou como Erlend Oye consegue o que quer do público, qualquer que seja a dimensão da sala ou da multidão.
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Patrick Watson
: um culto cada vez menos privado.
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Dead Combo
: arrebatadores, ou como a música feita por portugueses, ao contrário do que se possa pensar, não afugenta espetadores em festivais.
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Of Montreal
: drag rock (e disco sound, e pop fantasiosa, e mais uns perlimpimpins), ou como um fim de tarde pode ser a altura certa para começar (ou reatar) uma bela amizade.
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Kasabian
: festa rija. Não há aqui uma banda superlativa nem música que vá mudar vidas, mas há rock dançável que cumpre, sem defeito, a função para o qual foi criado.
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Tune-Yards
: surpreendente a receção efusiva dada à música não especialmente "fácil" de Merill Garbus. Ou como a boa música prevalecerá (quase) sempre.
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Japandroids
: o concerto mais punk do festival, a lembrar as ganas com que os Wavves se apresentaram no Optimus Primavera Sound, em junho último. Queremos voltar a vê-los.
A meio caminho:
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dEUS
: portento de entrega, mas com um espetáculo que já vimos antes, sem grandes variações (do álbum novo, apenas dois temas foram interpretados). Parecem mais intensos em salas fechadas.
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Sleigh Bells
: que Alexis Krauss faz mossa, faz sim senhor. Que o som é carregado, volumoso, vibrante, não haverá dúvidas. Mas o equilíbrio entre a "brutidade" e a subtileza poderia ser um bocadinho maior...
Diz que foi uma espécie de desilusão
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Anna Calvi
: demasiado fria e a pedir uma maturidade (e uma paciência) que um público sobretudo juvenil não pode (ou não quer) ainda ter. Um concerto sem falhas, mas desenquadrado.
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Stephen Malkmus & The Jicks
: a chuva - diluviana - não deixou que este fosse um concerto a reter. Acresce o "azar" de ter acontecido num dia em que o palco principal ainda não tinha iniciado atividades.
Além da música:
- Os elogios ao espaço são habituais, recorrentes e merecidos. Paredes de Coura é e será sempre um
belo sítio para se fazer um festival
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O ímpeto juvenil não pode desculpar a irresponsabilidade
. O mosh (ou algo muito parecido com mosh, mas bastante mais temerário) nas primeiras filas - e não só - é um atentado ao direito que outros terão, indiscutivelmente, em ver o seu concerto sem temer que a sua saúde possa estar em risco.
- Droga e álcool serão indissociáveis da temporada festivaleira (quem disser o contrário, estará a olhar para o lado errado). Mas ou estamos a ficar velhos, ou
não nos lembramos de os ver nas mãos de gente tão nova
. Os festivais não terão propriamente a inimputabilidade das festas em alto mar e há leis que deviam ser cumpridas.
- Apesar dos "trolls" (ou "arruaceiros" ou "espalha-brasas", como preferirem) também há muito boa gente a "festivalar" em Coura. O
espírito de pacifismo
mantém-se, apesar das excepções arreliadoras. E civismo: lixo no chão é inevitável em festivais, mas também vimos muita gente a colocar o que não presta nos sítios corretos. E a dizer "com licença", e a pedir desculpa, e a ceder passagem a quem precisa, e a dizer "obrigado" e a sorrir ao desconhecido que está ao lado, coisas simples mas que gostamos que continuem a existir.
- A chuva não "estragou" (exceto calçado e guarda-chuvas) mas fez mossa na 3ª feira. Depois de alguns anos de "descanso",
São Pedro ligou o botão de Coura outra vez
.
Veja aqui as melhores fotos de ambiente:
Veja retratos de 20 dos mais peculiares festivaleiros do evento
Textos:
Lia Pereira, Luís Guerra
Fotos:
Rita Carmo/Espanta Espíritos