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Anastasis é o primeiro álbum dos Dead Can Dance em 16 anos. O último foi o Spiritchaser. A frio, Spiritchaser não me prendeu. A início, pareceu-me os Dead Can Dance a tentarem apanhar o espírito da coisa uma vez mais. E era precisamente isso o que tentavam fazer. Literalmente. O segredo para o ouvir melhor começa por ouvir os instrumentos como são utilizados pelas culturas que ainda os consideram uma força mágica. Aí, a música ganha outras dimensões. Mas isto foi o Spiritchaser, em 1996.
No ano da graça de 2012, Brendan Perry e Lisa Gerrard, que formaram o grupo em Melbourne, Austrália, em 1981, lançando sete álbuns de estúdio e um ao vivo, oferecem oito novas canções, depois de terem percorrido percursos individuais durante a maior parte dos últimos 16 anos.
Anastasis é composto por oito temas, quatro vocalizados por Brendan Perry, quatro por Lisa Gerrard. Inclui Children of The Sun / Anabasis / Agape / Amnesia / Kiko / Opium / Return of The She-King / All In Good Time.
Amnesia, o primeiro tema apresentado do álbum, entrelaça temas sobre a amnésia social colectiva da humanidade - "a forma como os vencedores escrevem sempre a História e se nós retivéssemos a verdade real, não continuaríamos a repetir os mesmos erros" - sobre como dependemos das nossas memórias para a nossa humanidade, e como os gregos consideravam a memória como a maior de todas as musas.
Em Anastasis, Brendan Perry e Lisa Gerrard são acompanhados por Astrid Williamson, ex-Goya Dress, nos teclados, David Kuckhermann na percussão, Jules Maxwell nos teclados e Dan Gresson na bateria e percussão.
Brendan Perry afirmou que Anastasis é um bom título para a sua reunião. ""Anastasis" também significa "entre duas fases". A regeneração chega com a próxima estação."
Uma palavra grega para representar o álbum, que deriva igualmente das origens musicais do grupo. Apesar de Perry conseguir ouvir ecos do passado dos Dead Can Dance, "transversais a todo o nosso catálogo", considera que o núcleo do Anastasis pode ser encontrado "de imediato" na região do Mediterrâneo quase oriental, desde a Grécia e a Turquia até ao Norte de África. "A música que ouço e pesquiso torna-se consciente e inconscientemente parte de um novo projecto e, para este álbum, tenho vindo a estar fascinado pelos imutáveis elementos clássicos da cultura grega, a profundidade da sua música e o seu amor pela canção, que não existe muito no ocidente; a forma como combinam filosofia com canções de amor, incluindo ainda um pouco de ciência. Adoro a influência oriental oriunda de um cruzamento do Oriente com o Ocidente, o mosaico caleidoscópico dessas culturas que se fundem, ao passo que quanto mais se avança para ocidente, mais a sociedade se torna monocultural."
Livres de todos os compromissos contratuais com a 4AD, os Dead Can Dance trabalham agora com a Play It Again Sam, que estão a lançar o Anastasis para o arranque do que vai ser a digressão mais prolongada do duo de sempre. Arrancou no passado dia 9 de Agosto, em Vancouver e visitará 4 continentes entre 2012 e 2013.
Quando terminar, Brendan Perry antecipa novo álbum do grupo. "O girassol regressa estação atrás de estação; não há razão para que os Dead Can Dance, de espírito reanimado e alma regenerada, não façam precisamente o mesmo."
A avaliar pelo que aconteceu em 2005, deverão ser também editadas gravações dos concertos ao vivo, eventualmente com compilações das melhores prestações, extraídas de várias datas.
Os Dead Can Dance passam pela Casa da Música em Outubro deste ano.
Depois de conhecer o álbum, não esperaria ao vivo uma revisitação acentuada das glórias do passado.
Talvez seja mais enriquecedor ouvir Anastasis apenas pelo que é: o novo trabalho de Lisa Gerrard e Brendan Perry em 2012, como Dead Can Dance.
Em evolução desde Spiritchaser.
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